Rafael Paschoalin retorna a Pikes Peak pela terceira vez na carreira em 2018. Vice-campeão na categoria ‘middleweight’ no ano passado, paulista de 34 anos vai em busca da vitória a bordo de uma Yamaha MT-09

Rafael Paschoalin é um homem sem medo do perigo. Depois de enfrentar as 256 curvas do Circuito da Montanha em três participações no lendário Troféu Turista da Ilha de Man, o paulista de 34 anos voltará a se arriscar, desta vez na tradicional Subida de Pikes Peak, no Colorado, nos Estados Unidos.

Indo para sua terceira participação na prova, Paschoalin agora tem um sonho maior: conquistar a vitória na categoria ‘middleweight’ que escapou por pouco no ano passado. 

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Segundo evento mais antigo do calendário do esporte a motor dos Estados Unidos —atrás apenas das 500 Milhas de Indianápolis —, a prova do Colorado é um desafio não só para o corpo, mas também para a máquina.

Na Corrida às Nuvens, os pilotos enfrentam um percurso de 19,99 km, com um total de 156 curvas, em um traçado completamente asfaltado. A largada da prova acontece em uma altitude de 2300 metros, com os competidores alcançando os 4300m.

Na disputa entre motocicletas, a prova em Pikes Peak conta com três classes: lightweight ― peso-leve, em tradução livre, que permite motos com motores dois ou quatro tempos, com até dois cilindros e capacidade de 500cc ―, middleweight ― peso-médio, que aceita motos dois e quatro tempos, com até quatro cilindros e de 501 a 750cc ―, e heavyweight ― peso-pesado, que reúne as motos mais rápidas do mercado.

No ano passado, quando a Subida de Pikes Peak completou 101 edições, Rafael ficou com o segundo posto na divisão intermediária. A bordo de uma Yamaha MT-07, Paschoalin completou o circuito em 10min42s793, 7s826 depois de Codie Vahsholtz, que estabeleceu um novo recorde para a categoria a bordo de uma Husqvarna Supermoto.

Rafael Paschoalin foi o primeiro brasileiro a encarar a Subida de Pikes Peak (Rafael Paschoalin (Foto: Larry Chen))

“Bateu na trave”, disse Paschoalin em entrevista exclusiva ao GRANDE PREMIUM. “A gente dominou todos os treinos, tinha tudo para dar muito certo, mas a gente caiu no truque mais velho da competição: o cara estava escondendo o leite, estava andando menos do que ia andar no dia certo, então, óbvio, não que a gente acomodou, mas a gente minimizou os riscos. Não tinha por que ficar buscando mais se a gente já sobrava”, ponderou. 

“Mesmo assim, se a gente puxasse mais nos treinos, desenvolvesse melhor a moto lá também, mais sessões no dinamômetro para ganhar um cavalinho a mais, essas coisas, e eu também arriscasse mais, a vitória era nossa”, indicou. “E isso foi um pouco frustrante”, reconheceu.

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Para 2018, Paschoalin deixa a Yamaha MT-07 e vai encarar a montanha do Colorado com uma MT-09, uma moto com motor de três cilindros e 115cv.

“Eu tinha um pouco de pé atrás, porque eu amo a MT-07, eu adoro aquela moto, e aí falei: ‘Puta, vou andar com a 09. Como vai ser?’”, contou Rafael. “Esses dias eu fiz o meu primeiro role, dei algumas voltas acelerando mesmo, com um pneu bom e tal, e a moto é muito boa, é surpreendente”, elogiou. 

“Aquele pezinho que eu tinha atrás já virou dois pés para a frente. Tem tudo para dar certo. Vai ser muito difícil, vai ser ainda mais difícil na categoria middleweight, mas eu vou trabalhar para levar essa”, avisou. 

A ida para Pikes Peak, no entanto, acabou mudando os planos de Paschoalin em relação ao lendário TT. 

“Eu, que tinha planos de voltar para o TT, não vou voltar, porque é uma coisa muito perto da outra e aí não daria para desenvolver uma moto, focar em TT, e eu ia fazer tudo mal feito. Então a gente preferiu só Pikes Peak”, explicou. “Aí eu vou correr no Brasileiro de Superbike com a MT-09 como convidado também, junto com a 600cc, e isso vai me ajudar no desenvolvimento da moto. Vai me ajudar no meu treino, porque eu vou chegar lá mais treinado, com a moto mais acertada, tudo melhor”, contou.

Questionado pelo GP* se a ausência na edição 2018 significa o fim do sonho de conquistar a Ilha de Man, Rafael respondeu: “Não, o TT é o meu sonho. O TT é o meu projeto de vida. O TT, para mim, é a coisa mais importante que existe”. 

“Algumas pessoas falam: ‘Ah, seus filhos estão crescendo, você ficou com medo do TT’. Não. Eu sempre tive medo do TT, isso não vai mudar, mas é o que me fascina. Eu não vou mudar disso. Eu vou voltar para lá”, assegurou. “Eu acho que, eu tenho 34 hoje, até os 44 eu consigo andar lá”, ponderou. 

“Só que a Ilha de Man não é brincadeira. Com o orçamento que a gente tinha até então, era ir para fazer número, ir para aprender, só que as coisas estão mudando”, considerou. “Com certeza, no ano que vem eu estou de volta na Ilha de Man buscando um top-20. E aí seguir rumo ao pódio, se Deus quiser”.

O TT é mais assustador, mas Pikes intimida também, porque se der algo errado, não tem o que fazer

Enquanto o sonho do TT fica um pouco de lado em 2018, Rafael sabe que não terá vida fácil em Pikes Peak, especialmente por conta da presença de nomes importantes na categoria middleweight.

“O mais legal ― algumas pessoas podem ver como um problema, mas eu acho ótimo ― é que o cara mais rápido da montanha, o Chris Filmore, que ganhou no ano passado, vai correr este ano na minha categoria. Ele é o recordista, é o cara mais foda que existe na montanha”, elogiou. “E também o cara que tem mais vitórias lá, que é o Davey Durelle, recordista absoluto em número de vitórias de moto, também está na minha categoria, então, se eu ganhar desses caras, é muito bom. É difícil, mas se eu ganhar vai ser tipo… é o cara que ganhou dos caras”, ressaltou.

Em uma disputa que não tem versões similares em território nacional, Paschoalin conta até com o videogame como ferramenta para se preparar.

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“A preparação de decorar a pista e tudo, é como no TT. A diferença é que em Pikes é mais difícil decorar as 156 curvas do que na Ilha decorar as 256”, comparou. “Lá na Ilha de Man a gente tem várias referências, tem poste, tem uma cabine telefônica vermelha, tem um muro rosa, tem uma passarela… Em Pikes Peak, até a metade do caminho é pinheiro, todos iguais, e depois é céu, você não enxerga mais nada. Então é complicado”, detalhou. 

“A estrada é suja, não tem treino, então esse é um trabalho muito dedicado de vídeo on-board, de mapinhas, enfim. Eu separo a pista em vários mapas, anoto curva por curva, jogo videogame também no PlayStation, porque tem o circuito lá”, falou. “Tudo isso e mais o treino de moto aqui. Infelizmente, eu não posso fechar uma estrada, uma rodovia, uma serra, e treinar, porque isso é inviável, mas cada um faz o que pode”, seguiu.

Primeiro sul-americano a se aventurar na Subida de Pikes Peak, Paschoalin segue enxergando o TT da Ilha de Man como mais atemorizante.

“O TT é mais assustador, mas Pikes intimida também, porque se der algo errado, não tem o que fazer. Não tem margem para erro. Vai machucar muito na melhor das hipóteses”, comentou. “O TT é muito rápido. Eu acho que é assim: Pikes machuca e o TT apaga”, resumiu.

Rafael Paschoalin chegou perto da vitória em Pikes Peak no ano passado (Rafael Paschoalin (Foto: Larry Chen))

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Além da preparação para Pikes Peak e da participação do campeonato nacional de Superbike, Rafael deve voltar a atuar como coach na R3 Cup, uma categoria de base apoiada pela Yamaha.

“No ano passado eu já era o treinador, era o coach da molecada da R3, cuidei lá das dez crianças”, lembrou. “É um trabalho que eu amo, não é um trabalho por grana, isso é um trabalho que vale a pena, eu aprendo muito com eles, não são eles que aprendem comigo. E eu espero estar junto com eles neste ano”, seguiu. 

Como se tudo isso não fosse o suficiente, Rafael ainda prepara seu próprio centro de formação de pilotos.

“Eu estou montando um centro de treinamento, chama RP113 Riders Factory. Eu vou ter uma moto para andar num kartódromo, uma Yamaha MT-03, e vou ter também uma pista de flat-track, daquele oval de terra, em Itupeva, no complexo do Calango Cego. Lá vai ter um lago para andar de Jet-ski stand-up”, anunciou. “É um programa completo. Um piloto que faz um coach comigo vai ter chance de andar de motovelocidade, de flat-track e jet-ski stand-up. O cara vai ficar muito completo mesmo”, concluiu.

Colega nacional

Nesta terceira participação em Pikes Peak, Paschoalin perderá o título de único representante do Brasil. Desta vez, Leandro Rad também vai participar, competindo na categoria lightweight com uma Yamaha YZ.

Percurso de 19,99 km conta com 156 curvas (Subida de Pikes Peak (Foto: Larry Chen/PPIHC))

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