"A F1 precisa é fazer dos pilotos estrelas, super-heróis. Os pilotos devem ser mais importantes que o carro"

 

A Pirelli é uma parte importante do que diz respeito ao novo regulamento da F1, que está previsto para entrar em vigor em 2017. As novas regras têm por definição a intenção de melhorar o espetáculo e recuperar a popularidade que o maior dos campeonatos vem perdendo ano após ano. A ideia é tornar a categoria mais difícil, mas, ao mesmo tempo, mais semelhante às disputas que encantaram gerações de fãs no passado. Por isso, o projeto dos carros parte para uma drástica alteração aerodinâmica, prioriza o downforce e a aderência mecânica, como forma de complicar a vida dos pilotos e também de tornar os bólidos mais velozes, elevando os competidores e fazendo deles seres especiais.  

E a fornecedora única de pneus da F1 fez a sua parte ao preparar pneus mais largos. Como forma de analisar os impactos e reduzir eventuais problemas para a próxima temporada, a fabricante conduziu testes ao longo do ano, tendo a ajuda das três principais equipes do grid: Mercedes, Red Bull e Ferrari. O trio produziu carros híbridos para as atividades e disponibilizou seus pilotos titulares durante os trabalhos. A empresa de Milão tentou ainda simular as condições de downforce e de piso molhado. 

Por conta de todo o esforço com relação ao campeonato que vem, a Pirelli também chegou a abrir mão da atual temporada, mas se disse feliz com a introdução do composto ultramacio, além da regra que permitiu a escolha de três tipos de pneus para os finais de semana de corrida. No geral, a fábrica italiana entende que 2016 foi um ano positivo, mas que toda a sua atenção está agora voltada para o futuro.

O GRANDE PREMIUM conversou com exclusividade com o diretor de competições da marca, o inglês Paul Hembery, em Interlagos, durante o GP do Brasil.  Simpático, o dirigente de 50 anos falou bastante sobre o novo regulamento da F1, as questões técnicas e financeiras que envolvem a empreitada no Mundial, além de apresentar uma visão bem particular do campeonato que acompanha desde 2011. O britânico, entre um gole e outro no chá com leite em uma fria tarde, acha que o melhor caminho para a maior das categorias não está na parte técnica, mas, sim, na parte humana. “Precisamos de super-heróis”. 

“O grande destaque de 2016 foi a introdução de um terceiro composto por fim de semana de GP” (Pneus ultramacios foram introduzidos neste ano na F1 (Foto: Pirelli))

Antes, 2016

A FIA acertou ao introduzir a escolha dos compostos. “Acho que, do nosso ponto de vista, foi uma temporada longa, mas muito positiva. Acho que o destaque realmente foi a introdução de um terceiro composto de pneus. Isso foi realmente positivo e permitiu às equipes escolherem ou terem opções diferentes de estratégias para os treinos e a corrida em si. Acho que, particularmente na corrida, essa mudança teve um impacto maior. Ou seja, se há um safety-car, se a equipe enfrenta algum problema ou se chove, a chance de mudar de compostos durante a corrida permitiu também para muita gente optar por táticas diferentes e aproveitar as oportunidades”, diz Hembery.

Só que a ‘cabeça’ estava em outra. Desde que a F1 começou a pensar em uma mudança nas regras em 2017, a Pirelli tratou de reivindicar dias de testes, alegando que, só assim, poderia fazer um trabalho decente e que atendesse às exigências de um carro totalmente novo, em termos de dimensão e performance. Tanto bateu o pé que conseguiu. Não era o cenário ideal, mas a fabricante conseguiu convencer os times de ponta e realizou as atividades que queria.

“Para falar a verdade, desde a primeira corrida do ano, estamos pensando no grande trabalho que temos para o próximo ano, porque não é simplesmente uma mudança no tamanho dos pneus, em deixar maiores, é um grande investimento industrial, porque temos de mudar todo o processo de fabricação dos pneus. E nós também só conseguimos testar em carros híbridos, o que nos permitiu adaptar os pneus, mas a performance foi realmente bastante lenta. Muito lenta mesmo. Então, nós ainda temos algumas questões envolvendo os compostos e que só poderão respondidas no ano que vem”, admite.

“Nós ainda vamos ver os cinco compostos, mas eles serão bem diferentes em termos de design na comparação com este ano. Talvez o ultramacio obedeça uma concepção mais semelhante à deste ano. Na verdade, será uma enorme mudança.”

Hembery ainda ressaltou a importância da participação das principais equipes nos testes. “Só tivemos essas três equipes com capacidade para fazer os testes. E temos de agradecê-las também, porque também gastaram muito dinheiro na produção dos carros. Não é ideal, como já disse, mas é melhor que nada. Acho que o ponto chave para nós será, sem dúvida, os testes do ano que vem, os treinos durante a temporada, quando vamos testar com os carros reais, dentro da nova regulamentação. E aí acho que teremos condições de fazer um grande progresso em diversas áreas.”

Apesar de, em princípio, o desempenho tenha se mostrado mais lento, o dirigente entende que ainda há o que fazer, mas que todas as respostas devem vir somente quando a F1 estrear de vez – e em corrida – o novo regulamento. “Nós teremos um teste em Bahrein, logo depois da corrida, então teremos de esperar três provas ainda para ver o que teremos de fazer a mais. Mas não acho que teremos uma oportunidade de achar todas as soluções. Não é perfeito, mas nós temos de nos comprometer com isso como todo mundo.”

“Os carros de F1 deveriam ser mais extremos, mais agressivos” (Pneus de 2015 x Pneus de 2017 (Foto: Pirelli))
Questionado se os testes poderiam gerar alguma vantagem às equipes que testaram antes para 2017, Hembery negou. “Isso não é real. Em muitos aspectos, não é real, principalmente porque as equipes não sabem o que está sendo testado e nem sabem o que tem de fazer para encontrar um acerto ou uma solução. E é claro que, se a gente não testa, não há como fornecer pneus à F1. E essa é uma sugestão que não se pode aceitar. Na verdade, você precisa olhar o esporte como um todo e deixar de lado qualquer interesse particular”, declara.

O inglês acha também que a F1 está tomando um caminho correto em mudar as regras. Para o diretor da Pirelli, o Mundial precisa reagir e atrair fãs, deixar as disputas mais apertadas e tornar o esporte mais fácil de ser compreendido. Hembery entende que o regulamento de 2017 vai fazer os “carros terem cara de carros de F1 de verdade”.

“Acho que os carros realmente parecem mais bonitos. Melhores. Quando os vir de fato com os pneus mais largos, vão parecer mesmo carros de F1. No momento [conceito atual], os pneus são muito pequenos para a performance dos carros. Na verdade, é uma coisa estranha de se dizer, eu sei, mas parecem realmente muito pequenos. Os carros de F1 deveriam ser mais extremos. Então, acho que os carros agora vão parecer mais com esse ideal, serão muito mais agressivos, extremos”, explica.

“Do meu ponto de vista, provavelmente é um bom caminho esse que a F1 está tomando para 2017, sim. Acho que teremos de ver agora o impacto real da parte aerodinâmica. Se todos conseguirem fazer o trabalho – nós e tudo que se refere à aerodinâmica –, aí a grande questão é saber se vamos ter mais ultrapassagens e se as corridas serão realmente mais disputadas.”

O britânico, entretanto, não espera uma mudança extrema na hierarquia de forças da F1. “A Mercedes vai continuar muito forte, isso é uma certeza. A Red Bull também. Eles estão muito confiantes, especialmente depois da evolução apresentada neste ano. A McLaren também deu passos importantes e vê nessa mudança de regulamento uma chance de voltar a ser competitiva e a brigar, ao menos, pelo pódio. A Ferrari também está trabalhando muito seriamente no carro do ano que vem. Também acredito na Renault, que pode dar um salto, é uma equipe de fábrica. Nunca se sabe também, porque sempre vai haver alguém que vai dar um salto de qualidade, que vai acertar. E é sempre interessante ver quem será.”
(Daniel Ricciardo durante os testes em Abu Dhabi (Foto: Pirelli))

“Os pilotos devem ser mais importantes que os carros” (Paul Hembery e Bernie Ecclestone (Foto: Pirelli))

Só que, acima de tudo, Hembery acredita que a F1 deveria apostar mesmo nos pilotos. Que todo o esforço para atrair público e deixar a competição mais acirrada deve estar em promover os astros do espetáculo. “Os pilotos devem ser mais importantes que os carros”. 

“Acho que o que a F1 precisa é fazer dos pilotos estrelas”, reitera. “No passado, existia um desafio técnico extremo. O público e os novos mercados querem o entretenimento, e isso vem de disputas mais acirradas na pista, batalhas mesmo. E isso acontece muito pouco na F1 nos dias de hoje. Por exemplo, as últimas voltas do GP do México foram incríveis, todo mundo ficou falando sobre isso depois. Mas nós precisamos de 60 voltas como essas e não pequenos incidentes. Então, qualquer mudança que precise ser feita tem de deixar os carros mais próximos em termos de performance, para que os pilotos façam a diferença também, não só o carro”, completa.

“Então, a F1 precisa repensar a forma como atinge seu público. Há muitos aspectos atraentes na F1, mas há pontos que precisam ser melhorados. Nós precisamos voltar nos aproximar dos fãs e deixar que os pilotos voltem a ser reis. Nós precisamos que os pilotos sejam astros novamente. E nós temos alguns super-heróis, sim. Lewis Hamilton, que hoje provavelmente tem uma imagem grande fora do esporte também. Mas há Daniel Ricciardo, que é um cara muito positivo. Max Verstappen também, jovem e muito bom. Mas acho que o segredo é tornar o carro menos importante que o piloto”, fala.

Mas o esporte precisa ser mais fácil de se consumir também, de acordo com o inglês. “Se você perguntar aos fãs, vai ver que eles não entendem o esporte como um todo. Alguns nunca ouviram falar em incríveis pilotos como Ayrton Senna e Michael Schumacher. E aí ele olha o grid atual e também não entende porque, por exemplo, um grande campeão como nós sabemos, talvez um dos melhores de todos os tempos, Fernando Alonso, não esteja brigando por pódios e vitórias. Acho que deveríamos ter no domingo apenas os melhores vencendo.”

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