Campeão da F-E, categoria que ajudou a criar, Lucas Di Grassi disse que título é o mais importante da carreira em melhor dia como piloto no esporte. O brasileiro conquistou a taça depois de uma rodada em que esteve perfeito em Montreal

FacebookTwitterLinkedInWhatsAppTelegramPinterestEmail

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “2258117790”;
google_ad_width = 300;
google_ad_height = 600;

A F-E coroou um novo campeão ao fim de sua terceira temporada de existência. Um piloto que acreditou desde o primeiro instante nos carros elétricos, que também foi o primeiro a testar um modelo do campeonato e o primeiro a vencer uma corrida da categoria. A verdade é que Lucas Di Grassi abraçou sem hesitar um projeto que, de início, era visto com desconfiança em um esporte tão apegado a tradições. Agora vive a recompensa. O brasileiro de 32 anos teve em Montreal “o melhor dia de sua carreira” no automobilismo para conquistar o título “mais importante” de sua trajetória até o momento. 

Só que a jornada até o Canadá foi longa. Mesmo tendo tido um início de vida na F-E dos mais fortes, Di Grassi bateu na trave nas duas decisões de título em que esteve envolvido, mas, no Canadá, quando uma chance real lhe surgiu à frente para chegar à taça não desperdiçou. E fez por merecer. Mesmo atrás no campeonato – o piloto chegou para a final com dez pontos a menos que o rival Sébastien Buemi -, Lucas tratou de se adaptar o mais rápido possível à pista e fez do sábado o ponto de partida para a busca do campeonato, abusando da oportunidade surgida com os erros e infortúnios do temperamental suíço.

Evidentemente, na ânsia de querer tudo, além do compromisso com a Toyota, atrapalhou Sébastien. O piloto, dono de seis vitórias em 12 etapas disputadas, poderia ter endurecido a disputa se não tivesse se ausentado da rodada de Nova York por conta do WEC. Não foi feliz nem lá, nem cá, já que na Alemanha sofreu com um problema na bomba de combustível logo nas voltas de apresentação e acabou na quarta colocação.

Já em Montreal, Buemi bateu durante o treino livre da manhã de sábado e teve de trocar a bateria do carro. Ainda que tivesse perdido dez posições, alinhado em 12º e chegado em quarto na primeira corrida, já teria perdido a enorme vantagem, ficando seis pontos atrás. Com a desclassificação por seu carro ter menos do que os 880 kg exigidos, veio o banho de água fria que praticamente pôs fim às chances de título: ficou 18 pontos atrás, largou em 14º e, como se não bastasse, ainda se viu envolvido em um toque na largada, caindo para último depois de parada nos boxes.

Di Grassi, por sua vez, foi tecnicamente perfeito na primeira corrida. Guiando o fino, o piloto cravou uma pole importantíssima e venceu sem dar chances a ninguém. No domingo – e auxiliado também pela desclassificação do adversário da prova anterior -, Lucas apenas tratou de “trazer o resultado para casa”. Em outra atuação cirúrgica, o agora campeão correu riscos calculados. E enfim pode soltar o grito do título. Pode deixar a emoção invadir o carro e, entre choro e alegria, agradeceu a todos que fizeram parte daquela história.

 

(F-E)

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “5708856992”;
google_ad_width = 336;
google_ad_height = 280;
//pagead2.googlesyndication.com/pagead/show_ads.js

“Estou muito feliz por ter conquistado esse título. Foi um trabalho árduo de três anos que agora vem como recompensa. Eu nunca deixei de acreditar”, diz ao GRANDE PREMIUM no paddock de Montreal após o triunfo. 

“Esse dia aqui começou há três anos, quando começamos a disputar a primeira temporada. Nós tivemos muitos bons resultados e chegamos a Londres lutando pelo campeonato, ainda que tenha sido desclassificado de uma corrida (Berlim). Na temporada 2, a situação foi a mesma, também fui desclassificado depois de vencer uma prova. E agora cheguei aqui como o azarão e dez pontos atrás. No sábado, fizemos um grande trabalho e hoje apenas administrei tudo para garantir o título, então estou realmente muito feliz pela equipe. Eles merecem muito depois de tudo o que houve. Essa temporada foi a mais difícil, tenho de dizer isso”, completa o brasileiro, acrescentando que Mahindra e Virgin DS fortaleceram a disputa com Renault e.Dams e Abt Audi. 

Mesmo competitivo diante de uma Renault e.dams que parecia imbatível, Di Grassi flertou com erros incomuns também, mas riu por último. Por isso, fez questão de lembrar da fratura no tornozelo que sofreu durante uma partida de futebol e que, inclusive, o deixou fora das 24 Horas de Le Mans. Mas o brasileiro disputou a F-E lesionado, se recusando a perder qualquer chance de somar pontos contra um forte Buemi, que vinha em uma campanha sólida e vitoriosa. “Corri em Berlim com fratura, então foi um momento bem difícil, doloroso”, fala.

“No fim das contas, você não pode se permitir cometer um único erro até a bandeirada. Você nunca sabe o que pode acontecer. Na F-E, a melhor defesa é o ataque” (Audi Sport)

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “2258117790”;
google_ad_width = 300;
google_ad_height = 600;
//pagead2.googlesyndication.com/pagead/show_ads.js

Só que a temporada também foi marcada por grandes atuações, como a corrida do México, que Lucas se recuperou de forma espetacular de um revés ainda no início da prova vencer. “Mas tivemos algumas situações de sorte como no México. E agora acho que podemos dizer que esse foi um ano muito, muito bom. Este campeonato significa muito para mim”, acrescenta aos jornalistas em Montreal.

“No fim das contas, você não pode se permitir cometer um único erro até a bandeirada. Você nunca sabe o que pode acontecer. Na F-E, a melhor defesa é o ataque. É um ditado que é muito certo aqui. Na corrida de hoje (domingo), nós tentamos não correr riscos, mas também atacamos quando foi possível. Esse era o objetivo de hoje.”

Após a conquista, Di Grassi contou que vai sair de férias e descansar. Mas a cabeça já está no próximo ano, especialmente devido à chegada da estrutura da Audi. A gigante alemã será equipe agora e os recursos disponíveis fazem Di Grassi acreditar em um campeonato ainda mais forte a partir de 2018. “Com a Audi chegando na próxima temporada, nós teremos mais recursos e acho que vai dar para melhorar muito. Nós lutamos muito nesses três anos com a Renault, que é uma equipe de fábrica, mas nós tínhamos uma estrutura bem diferente do que a Audi Sport pode fazer”, explica.

“Agora com a Audi chegando o carro deve realmente melhorar. Nós vamos ter uma equipe muito diferente e nós vamos ter de trabalhar muito para integrar o grupo. Mas isso não vai acontecer só conosco, porque o campeonato inteiro também será diferente com a chegada das montadoras nos próximos anos. Acho que a categoria tende a se tornar cada vez mais competitiva e forte a cada ano. Mas, de qualquer forma, já foi importante ter ticado esse quadrinho aí com a conquista do título”, diz.

“Eu sempre acreditei na F-E. É um campeonato novo ainda, só tem três anos se você pensar na idade que tem a Fe, por exemplo, mas só tem a crescer daqui para frente e melhorar. As montadoras estão chegando também. O grid tem hoje 20 pilotos muito bons, então é algo que só tem a crescer mesmo”, emenda.

Lucas de fato reverenciou a qualidade de seus concorrentes, que, segundo ele, tornaram o grid mais difícil. O piloto também afirmou que a saída do WEC (Mundial de Endurance) acabou o ajudando em focar o trabalho somente na F-E.  "Foi um grande benefício", garante. A Audi encerrou no ano passado o programa na categoria e também se concentra para entrar de cabeça no campeonato dos carros elétricos. 

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “5708856992”;
google_ad_width = 336;
google_ad_height = 280;

 

 

Lucas, por fim, falou sobre o Brasil e a etapa que o país vai receber em março do ano que vem. “Acho que o Brasil deveria estar no campeonato da F-E desde a primeira temporada. A primeira corrida que anunciaram era no Rio de Janeiro, mas acabou não acontecendo, agora estou realmente muito feliz que finalmente a gente vai correr em São Paulo”, concluiu ao GRANDE PREMIUM. 

Como gosta de dizer, Di Grassi, hoje com 32 anos, ajudou a abrir a fábrica e foi o primeiro empregado da F-E. Em 2012, dois anos antes da estreia da categoria e logo depois de ter deixado o grid da F1, o piloto apostou suas fichas em um projeto e foi verdadeiramente um embaixador do que estaria por vir. 

Inicialmente com alguns problemas, carros mais lentos, sem o ronco do motor, com kW ao invés de cavalos, em circuitos de rua e complicados, mas em franca evolução a cada ano. As duas primeiras temporadas ficaram aquém do esperado, é verdade, como o próprio Lucas avaliou. Mesmo assim, o título parecia ser mesmo questão de tempo. O presente chegou para quem primeiro viu o futuro. 

 

(AFP)

Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube

Saiba como ajudar