Os dois últimos anos da parceria com a Red Bull suscitaram na Renault a necessidade de levantar seu nome. Para isso, restou voltar à baila como equipe de fábrica cinco anos após deixar a condição em 2011

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O retorno da Renault à F1 como equipe de fábrica começou há dois anos, quando a F1 inaugurou o novo regulamento com as unidades de força e o motor V6 turbo. O trabalho impecável da marca francesa junto aos parceiros da Red Bull, com quatro títulos seguidos de Pilotos e Construtores, então precisaria ser reconstruído em novo desenho. Isso nunca aconteceu — ao menos não com êxito.

Desde o início de 2014 era claro que a Renault não teria a vantagem de antes. De passagem, a Mercedes tomou frente e foi-se embora vendo a unidade de força da rival apenas pelo retrovisor. Obviamente, a Red Bull, extremamente mal acostumada, não gostou. Mesmo assim foram três vitórias no ano, todas com Daniel Ricciardo, que ainda mostravam o time como a segunda força de um grid que tinha um motor Ferrari bastante desencontrado numa fábrica em erupção.

Em meio à relação vulcânica de Luca di Montezemolo, Stefano Domenicali e Fernando Alonso no final do ano os três estariam fora —, os novos ares da Ferrari apontaram para Sebastian Vettel. E assim, do dia para a noite e com um ano de contrato vigente, Sebastian decidiu sair. O 2014 que preocupava para Red Bull e Renault não foi, porém, sombra de um 2015 onde os motores franceses estiveram a um universo de distância de Mercedes e Ferrari.

Longe das equipes de fábrica rivais e da Williams, a Red Bull começou a chiar. Publicamente culpou a unidade de força repetidamente até minar completa e irreversivelmente a relação entre as duas. Após decidir deixar a marca dos energéticos como equipe oficial, a Renault teve uma decisão a tomar: sair da F1 ou retornar como equipe de fábrica. A crise financeira da Lotus exatamente a antiga Renault tornou tudo mais fácil. A fábrica assumiu as dívidas espadaúdas da sucessora/antecessora e voltou.

Agora em amarelo, a Renault tenta resgatar os tempos de glória (Renault)

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A decisão teve em base salvar o nome. A Renault entendeu que seu ‘brand’ quase não apareceu nas vitórias e foi gritado aos quatro ventos nas derrotas, sendo achincalhado durante um ano inteiro. É fácil esquecer que há dois anos os franceses eram tetracampeões mundiais. Então é para isso que a Renault fica: para ter sua marca atrelada às conquistas e a capacidade de administrar tecnologia de ponta de forma vencedora.

A partir do momento que firmou o acordo, a Renault se manteve longe de garantir a honra dos contratos que a Lotus firmara. Tentou despistar, ficar quieta, mas no fim das contas não teve muito o que fazer. Se livrou de Pastor Maldonado e do dinheiro jorrado pela petroleira venezuelano PDVSA. O orçamento de uma montadora grande com os bônus graúdos da F1 faz com que o dinheiro sul-americano não seja tão necessário.

Sem grandes nomes na mesa e com Romain Grosjean na Haas, a Renault optou por honrar o acordo com Palmer e manter um piloto com conhecimento da casa – ele foi o reserva de Enstone em 2015. O outro contratado foi Kevin Magnussen, agora livre das amarras impostas por uma McLaren que só fez atrasar sua carreira – muito embora o chefe Frédéric Vasseur tenha dito com todas as letras que queria mesmo Stoffel Vandoorne, reserva da mesma McLaren e atual campeão da GP2. Deu aos dois contratos de apenas um ano de duração – é para ir ou rachar, diria o famoso ditado.

Aliás, Vasseur é uma parte fundamental do programa. Para voltar ao topo, a Renault apostou em nomes conhecidos. Vasseur nunca esteve na F1, é verdade, assim como Christian Horner nunca havia estado na F1 antes de coordenar o vitorioso projeto da Red Bull. A comparação é boa: assim como Horner tinha seu time nas categorias-satélite, a Arden, Vasseur tem a ART. Veterano do automobilismo é experiente o bastante para saber o que fazer mesmo sem tanta vivência na F1.

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Junto a Vasseur, Bob Bell também foi anunciado. Diretor-técnico da Mercedes entre 2011 e 2014, Bell também foi parte importante no projeto renascido da Manor como consultor em 2015. Ele chega a Viry-Châtillon também como diretor-técnico numa equipe que tem Cyril Abiteboul como diretor de gerenciamento, Nick Chester é o diretor dos chassis e Rémi Taffin, dos motores.

Quem também volta é a cor amarela. Depois de despistar com um layout preto logo no início do ano e andar com ele na pré-temporada, a Renault enfim apresentou a pintura real. É a Renault querendo voltar com sua cara mais clássica.

São três anos. A Renault tem um projeto de três anos para mostrar que pode voltar a brigar por vitórias e títulos. Caso não consiga mostrar que pode emular as glórias recentes de Fernando Alonso em 2005 e 2006, a F1 tem boas chances de perder uma de suas fábricas mais leais. Mas todo mundo na França e em Enstone sabe que a classe média é a realidade – na melhor das hipóteses – em 2016.

Kevin Magnussen e Jolyon Palmer tiveram de se submeter a isso no lançamento do layout (Renault)

Guia F1 2016, parte 1

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