Depois de duas temporadas e meia na F1, Esteban Ocon já é reconhecido como um dos mais brilhantes talentos jovens do Mundial. Entretanto, enquanto vê companheiros em situação parecida crescendo, vai ficar fora do grid em 2019

A F1 perde um dos seus jovens pilotos mais impressionantes para a temporada 2019. Esteban Ocon foi vítima do mercado: quando as dificuldades financeiras se provaram grandes demais para a Force India e a solução que se apresentou foi um consórcio liderado por Lawrence Stroll, o castelo de cartas que representava o grid do ano que vem começou a cair. Ocon foi quem acabou em pé olhando para todos os rivais acomodados nas cadeiras das danças. 

Não havia motivo para que a Force India se livrasse de Ocon, ao menos não um motivo natural ou esportivo. Só que a compra do Stroll Sr. deixou claro que uma das vagas seria de seu filho Lance, apesar de duas temporadas que não convenceram na Williams. Sergio Pérez, mais experiente e credor da Force India, não seria largado à míngua.

A outra oportunidade forte de Ocon era na Renault, que sempre quis contar com ele. Mas a equipe francesa conseguiu costurar um acordo com Daniel Ricciardo para pareá-lo com Nico Hülkenberg.

Apesar de 136 pontos nos últimos dois anos, Ocon ficou com uma chance final mas que nunca pareceu provável: a Williams, que já tinha acertado com outro jovem ligado à Mercedes, George Russell. Atrás também de financiamento, escolheu Robert Kubica.

Se a Mercedes faz juras de amor a todo tempo, não vê em Ocon alguém pronto para assumir um dos postos da equipe principal imediatamente. Ou, o que também é uma possibilidade, foi pega de surpresa pelo mercado quando já havia renovado o contrato de Valtteri Bottas. De qualquer forma, ainda que Ocon tenha sido confirmado como piloto reserva e seja o provável titular ao lado de Lewis Hamilton em 2020, o Mundial perde um de seus talentos mais promissores pelos próximos 12 meses.

O GRANDE PREMIUM compara o desempenho de Ocon ao lado dos seus companheiros de equipe até agora, em dois anos e meio de F1.

Esteban Ocon pela Manor em 2016 (Esteban Ocon (Foto: Manor))

 

TEMPORADA 2016

A Manor abriu a temporada 2016 com Pascal Wehrlein lá colocado pela Mercedes após ser ser campeão do DTM e Rio Haryanto, bancado pelo dinheiro do petróleo indonésio por algumas corridas na temporada. A aventura de Haryanto acabou durante até o meio do ano, no GP da Hungria. Com a saída do asiático, a Mercedes viu a oportunidade de encaixar mais um de seus pilotos. 

Ocon chegou então após as férias de verão na Europa. A Manor tinha, até ali, um ponto: marcado por Wehrlein com o décimo lugar no GP da Inglaterra. Mesmo com a talentosa dupla, a equipe nanica não voltou ao top-10 durante a temporada.

Mas a despeito de colocações, Ocon se mostrou superior ao já mais experiente Wehrlein. Entre os dois, a melhor colocação foi de Ocon: um 12º posto no GP do Brasil. Depois, um 13º: também de Ocon, em Abu Dhabi. Foi na prova dos Emirados Árabes que Wehrlein alcançou seu melhor posto naquela segunda parte do ano: 14º lugar. 

Ao todo, Ocon anotou um 12º, um 13º, foi duas vezes 16º, três vezes 18º e 21º em outras duas oportunidades. Terminou todas as nove corridas. Wehrlein, logo de cara, abandonou três etapas. Fez 12º posto, duas vezes foi 15º, além de 16º, 17º e 21º.

No fim do ano, estava claro que um dos dois seria promovido para a Force India enquanto Nico Hülkenberg partia para a Renault. Wehrlein era o favorito, mas foi Ocon o escolhido pela equipe rival. Citaram razões técnicas e de trato pessoal para a decisão que se provou desastrosa para a carreira de Pascal. 

 

(Esteban Ocon (Foto: Manor))

Ocon e Pérez (O segundo pelotão, liderado pelas Force India de Pérez e Ocon (Foto: Force India))
 

TEMPORADA 2017

Ocon recebeu uma promoção chegando à sólida Force India, mas a tarefa era complicada: medir forças com um Sergio Pérez não apenas na melhor fase da carreira, mas que conhecia a equipe desde 2014. Mas os dois tiveram duelos marcantes durante a temporada. Encontraram-se na pista algumas vezes, o que causou até mal-estar dentro do time. Perto do fim do ano, os dois se entenderam, mas a rivalidade era real.

Ocon pontuou em impressionantes 18 das 20 corridas do ano, incluindo uma sequência de 12 provas seguidas entre os GPs do Canadá e do México. Foram 87 pontos ao todo, com duas quintas colocações, na Espanha e no México, como os melhores resultados daquele ano. 

Pérez, por sua vez, anotou top-10 em 17 das corridas e chegou a ligeiramente superiores 100 pontos, com um quarto posto na Espanha como a melhor etapa do ano. 

No campeonato, ficaram colados: Pérez foi sétimo e Ocon ficou com o oitavo posto.

 

(Divulgação/Force India)

 

TEMPORADA 2018

Já no ano que chega ao fim, Ocon e Pérez foram mantidos como dupla para uma Force India que tentava sobreviver financeiramente embora apresentasse ainda bons resultados esportivos, mas, claro, afetados pela crise e pela melhora de Renault e Haas. 

Os dois voltaram a duelar na pista em várias oportunidades, mas agora mais comportados e sem animosidades fora dos traçados. Ocon foi aos pontos em dez das 21 corridas do campeonato, números em queda fruto também de um começo ruim de temporada – fez ponto em apenas uma das primeiras cinco corridas, mas em nove das 16 finais. Ao todo, anotou 49 tentos. Os melhores resultados foram quatro sextos lugares: Mônaco, Áustria, Bélgica e Itália.

Pérez terminou 12 corridas no top-10 ao longo do ano e cravou 62 pontos. Conseguiu levar a Force India ao pódio, com o terceiro posto do GP do Azerbaijão.

Pérez terminou com a 8ª colocação no campeonato contra a 12º de Esteban.

 

(AFP)

É verdade que Ocon sofreu e foi derrotado por pouco para Pérez nos dois anos na Force India, mas é difícil traçar um paralelo com Verstappen ou Charles Leclerc. Max perdeu na disputa direta com Ricciardo em 2017 e ganhou, é verdade, em 2018, mas com o australiano tendo sofrido uma quantidade acachapante de problemas mecânicos e eletrônicos. Leclerc não encarou pela frente um piloto com esse gabarito.

Pérez é maduro, experiente e vive a melhor fase da carreira. É provavelmente o melhor piloto da F1 consolidado atualmente fora das equipes de fábrica. Vencê-lo é muito complicado. Mais que os pontos, Ocon foi aprovado no teste da visão que permitiu que se intrometesse entre as equipes maiores em vários momentos. Até na batida recente com Max Verstappen, que liderava a corrida no Brasil. Ocon foi capaz de, com a Force India, ultrapassar o líder da corrida para tirar uma volta a menos.

Apenas algo muito estranho impede que Ocon volte ao grid em 2020, muito provavelmente na Mercedes. Mas será um ano perdido para o público em relação ao talento do jovem francês de 22 anos de idade.

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