Como um símbolo de uma nação, que lutou para popularizar o automobilismo em seu país, se endividou e hoje luta para não ser preso

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Nós, ocidentais que tomamos conhecimento do excêntrico bilionário Vijay Mallya quando ele decidiu investir na F1 e fundou a Force India em 2008, talvez não tenhamos noção da real magnitude dele em sua terra natal. Hoje, ele está foragido.

Mallya, 60 anos, nasceu em Calcutá em 18 de dezembro de 1955, em uma família abastada. Seu pai, Vittal Mallya, um brâmane, era o presidente da United Breweries, um conglomerado de bebidas alcoólicas. Aos 27 anos, com a morte do pai, ele herdou os negócios da família e transformou a empresa na maior do ramo na Índia, dominando mais da metade do mercado. A cerveja Kingfisher se tornou a principal marca do grupo. Em 2012, a Diageo assumiu o controle majoritário das ações, e Mallya deixou o posto de presidente em fevereiro deste ano.

O empresário, no entanto, não se tornou um ícone só por isso. Não é que ele chegou ao posto de homem mais rico da Índia, longe disso. Segundo a ‘Forbes’, em março de 2012, ele era o 45º na lista, com uma fortuna avaliada em US$ 1 bilhão. Seu estilo de vida é que chamou a atenção.

Em um país com uma rígida estrutura social e religiosa, Mallya representava o ‘bon vivant’. Promovia grandes eventos e festas, vivia cercado por belas mulheres — é tradição da Kingfisher um calendário com modelos, como faz a Pirelli — e era visto em atrações de grande interesse do público. Comprou um time de críquete e, mais tarde, a equipe de F1, a qual batizou com o nome do país.

Tornou-se um modelo para quem queria fugir dos padrões da sociedade indiana e ganhou o apelido de “King of Good Times”, ou “Rei dos Bons Tempos”, em um português bem claro.

A popularidade também o alçou à vida política. Ele é senador desde 2002, tendo sido reeleito em 2010 para um segundo mandato.

Vijay Mallya, outrora um exemplo de homem de sucesso, hoje enfrenta problemas gigantes com a justiça da Índia ((Foto: Getty Images))

Acontece que, em março de 2016, um mandado de prisão foi expedido em seu nome. Tarde demais. Ainda houve um outro, em abril, mas o magnata já estava vivendo em sua casa na Inglaterra, longe da jurisdição da justiça e da polícia indianas. Seu passaporte foi revogado, mas como era válido no desembarque no Reino Unido, a extradição não é tão simples assim.

O valor estimado da dívida é de R$ 4,5 bilhões. Sim, bilhões.

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A queda teve início em 2005, com a criação da companhia aérea Kingfisher, cujo nome podia ser visto nas carenagens dos carros de F1. Aliás, fazia todo o sentido uma empresa como a Kingfisher estampar sua marca em uma categoria que roda o mundo e é vista nos cinco continentes. 

Só que o lucro nunca veio, e, em 2012, a Kingfisher Airlines fechou as portas. A perda serviu para alavancar as dívidas de Mallya com um total de 17 bancos, sendo o principal deles o State Bank of India, estatal. Ainda é acusado de transferir boa parte de sua fortuna para contas bancárias em paraísos fiscais e de lavagem de dinheiro.

Mallya falou publicamente sobre o assunto na última semana, em entrevista ao ‘Financial Times’. Disse que está tentando entrar em acordo e que se for preso ou tiver o passaporte cassado, a efetividade da medida será zero, uma vez que assim as autoridades e os bancos não conseguirão dinheiro algum.

Ele defende que a quantia emprestada, na verdade, foi de R$ 2,5 bilhões, com os juros inflando o valor. Ele está tentando uma conciliação na casa de R$ 2,2 bilhões, mas não sem resistência, e, por isso, critica a imprensa e a preocupação do governo em não ceder para atender a um clamor popular.

“É preciso entender o ambiente na Índia atual. As mídias digitais estão exercendo um papel enorme não só em moldar a opinião pública, mas também para inflamar o governo”, disse. “Como banqueiros profissionais, eles gostariam de fechar um acordo e seguir em frente, mas por causa de como a minha imagem é retratada, eles estão relutantes em serem vistos me dando qualquer desconto. Isso vai atrair críticas na imprensa e inquéritos por agências reguladoras na Índia”, completou.

Mallya vai seguir no Reino Unido tocando seus negócios e tentando encontrar uma solução para a crise que vive em sua terra natal. Ao menos é o que ele diz.

Dentro das pistas, a fase da Force India não é boa. A equipe tenta dar a volta por cima com um pacotão de atualizações para o GP da Espanha, que historicamente não lhe é muito favorável (Sergio Pérez (Foto: Getty Images))

E como isso tudo afeta a Force India? Diante do público, a equipe diz que não. Acontece que Mallya não é o primeiro proprietário do time a enfrentar problemas do tipo. O ex-sócio Subrata Roy está preso desde 2014. Ele é o dono da Sahara, patrocinadora que está no nome da escuderia.

“Somos uma equipe de F1, então você sempre quer ter mais dinheiro. Mas nós definitivamente somos bancados em um nível onde podemos pagar nossas contas e estabelecer os cronogramas de desenvolvimento que temos planejado, e é disso que se trata”, garantiu o diretor-operacional Otmar Szafnauer em entrevista à revista ‘Autosport’ no mês de março. “Recentemente, assinamos um contrato de longo prazo com a Smirnoff, o que vai ajudar muito, e as verbas da FOM vão ajudar muito as finanças da equipe. Todos os outros patrocinadores estão expandindo, aumentando seu patrocínio ou renovando os acordos, então isso só vai ajudar.”

Basicamente, a posição do romeno indica que a equipe consegue funcionar independentemente da injeção direta de dinheiro por parte de Mallya nos negócios. Fato é que a equipe faz o seu pior início de temporada em anos. Foram só oito pontos marcados em quatro corridas. Nico Hülkenberg foi sétimo no GP da Austrália e Sergio Pérez terminou em nono no GP da Rússia. Houve um pouco de azar, é verdade, mas o desempenho está bem abaixo do esperado para um time que terminou 2015 vivendo um excelente momento.

Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

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