Lewis Hamilton tem talento para ser o multicampeão que é, mas seus títulos não tem o mesmo peso das conquistas de outros grandes nomes da F1

Pode até ser que Nico Rosberg, se campeão, seja tratado como “um dos piores campeões de todos os tempos”. Gostam de falar assim de Damon Hill, vencedor de 22 GPs na carreira, maior pontuador da temporada 1996. Imagino que, no longo prazo, as reações serão parecidas.

Não gosto muito dessa história de “pior campeão”. Concordo que há pilotos que são campeões devido a circunstâncias específicas, sejam elas de um campeonato ou de uma determinada época na história da F1. Até escrevi sobre isso aqui no GRANDE PREMIUM no início do ano. 

Mas tudo bem, entremos nessa leitura de que Rosberg não é piloto para ter no currículo um título da F1. Gostaria de propor, portanto, um outro olhar para a análise: a de que o Mundial de Pilotos de 2016 está fadado a ter um campeão que não é “merecedor”.

Ao meu ver, um tetra de Lewis Hamilton, neste momento, seria uma distorção histórica na F1.

Não se trata de questionar o talento de Hamilton: apenas o peso de suas conquistas (Lewis Hamilton no pódio em Silverstone (Foto: Carsten Horst))

Hamilton é um piloto talentosíssimo. Ninguém consegue colecionar números como os seus na F1 à toa. No GP do Japão, ele se tornou o terceiro piloto na história da categoria a subir 100 vezes ao pódio. Desde que estreou, em 2007, disputou 184 provas e venceu 49 (26% delas).

A questão é que as circunstâncias de uma época é que o levariam ao tetracampeonato: uma fase dominada pela Mercedes em que nenhuma outra equipe sequer tem chances razoáveis de vitória em condições normais — no máximo ameaçam e tiram da zona de conforto.

Vamos lá. Quem são os pilotos que alcançaram quatro títulos na F1?

  1. Juan Manuel Fangio, que ganhou cinco campeonatos por quatro equipes diferentes, um dos feitos mais impressionantes da história;
  2. Alain Prost, que passou 13 temporadas brigando cabeça a cabeça com os melhores pilotos de seu tempo e derrotou gente como Nelson Piquet, Nigel Mansell e Ayrton Senna;
  3. Michael Schumacher, que, tudo bem, há os argumentos de que não enfrentou adversários à altura, mas ainda assim travou bons duelos com campeões de diferentes épocas e participou da reconstrução da Ferrari;
  4. Sebastian Vettel, que se consagrou em quatro temporadas consecutivas na época em que a F1 mais teve campeões do grid — e seu companheiro de equipe sequer foi vice nestes anos.

 

Agora olhemos para as conquistas do Hamilton. Em 2008, ele derrotou Felipe Massa por um ponto em um ano em que pode-se tranquilamente argumentar que seu rival foi melhor. Então veio um jejum de cinco temporadas até que a Mercedes passou a dominar a F1 em 2014.

Se Hamilton conseguir a virada para cima de Rosberg nas quatro últimas provas deste ano, terá ganho quatro títulos contra adversários que nunca foram campeões da F1. Seriam conquistas com o mesmo peso das de Fangio, Prost, Schumacher e Vettel? Não consigo enxergar desta maneira.

E se Schumacher é questionado pela tal falta de adversários, Hamilton também merece tais ressalvas.

Alain Prost, para ser tetra, precisou derrotar Senna, Mansell e Piquet. Hamilton venceu títulos contra Massa e Rosberg (Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet (Foto: Williams))

Cinco pilotos encerraram suas carreiras como tricampeões: Jack Brabham, Jackie Stewart, Niki Lauda, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Hamilton fez mais do que eles na F1? Não, mas um quarto título passaria essa impressão. Seria uma distorção histórica. Querendo ou não, cada conquista coloca o cara em um patamar diferente, e com o passar do tempo, os números acabam falando mais alto do que as circunstâncias.

“Ah, mas vai falar que Rosberg campeão não seria uma distorção também?”. Sim, seria. Mas o alemão seria 1 de 17 pilotos com apenas um título do Mundial de Pilotos. Hamilton seria 1 de 5 a vencer o Mundial quatro vezes.

Hamilton é extremamente habilidoso, mas se é para ser reconhecido como um dos melhores de todos os tempos, é até melhor para ele que uma quarta conquista não venha em 2016. Quero vê-lo é em uma disputa cabeça a cabeça com Vettel ou até mesmo Fernando Alonso nos próximos anos. Tomara que o novo regulamento da F1 nos brinde com essa chance.

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Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

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