O modo como o público consome informação e entretenimento está mudando. O formato que a F1 vai adotar para seu treino classificatório a partir deste ano é um reflexo disso. É a emoção a cada instante

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Há quem diga que o Twitter mudou a F1. O microblog nasceu em 2006, cresceu muito em 2007 e, em 2008, tornou-se uma ferramenta usada mundialmente. Ele reflete o momento, o instante, e revolucionou a internet, principalmente o jornalismo nela feito. As informações passaram a circular muito mais rapidamente, de forma quase que instantânea.

Enquanto a popularidade da rede social caminhava para se tornar este fenômeno, a F1 vivia o maior escândalo de sua história: o caso de espionagem da McLaren. Junto dele, pegava fogo também a rivalidade entre Fernando Alonso e o lado inglês da equipe, representado por Lewis Hamilton.

O que acontecia: ele podia falar uma coisa em inglês, mas, na hora de dar uma entrevista em espanhol, o tom era diferente, e isso demorava alguns dias para respingar no noticiário mundial. Hoje, não mais.

Vem desde os anos 90 a reclamação de que os pilotos se tornaram “fantoches”, “domesticados”, ou outras definições do gênero, e não podem se expressar. Seja em eventos de patrocinadores, seja em entrevistas pós-corrida, o discurso é ensaiado, pasteurizado. Mas nos últimos anos, isso sem dúvida alguma se intensificou. Boa parte deles fala a mesma coisa em duas, três línguas — o próprio Alonso se transformou este cara.

Da mesma forma, a resposta do público também é instantânea. Não se espera para opinar, avaliar, analisar, julgar. Assim, o controle das equipes sobre os pilotos se tornou ainda maior.

Mas não é só o Twitter, é claro. A diversificação dos meios de comunicação, além das redes sociais, bem como sua abrangência cada vez maior, é que tem mudado a forma como se consome informação e entretenimento. São cada vez mais opções para o público — esportes na TV a cabo, filmes e séries nos serviços de streaming, programas, reality shows e cia. na TV aberta ou fechada, as próprias redes sociais…

Como prender esse público? A ideia que tiveram vai em busca justamente deste imediatismo, da noção de que é preciso haver emoção a cada instante, um fato novo a cada momento.

A monotonia imposta pela Mercedes de Lewis Hamilton e Nico Rosberg é um dos motivos que faz a F1 agir e revolucionar o treino classificatório. Vai dar certo? (Lewis Hamilton e Nico Rosberg: o novo formato dos treinos classificatórios seria capaz de tirá-los da primeira fila (AP))

Há 13 anos, a classificação deixou de ter 60 minutos de duração com cada piloto tendo direito a quatro tentativas — era só assistir o final para saber o que importava — para se transformar em uma volta lançada para cada piloto. Há dez anos, foi criado o formato de eliminação, que divide a sessão em três partes e propicia emoção a cada 20 minutos. Quem cai mais cedo? Quem passa ao Q3?

Hoje, isso não é o bastante. Observando as reações do povo no momento em que a notícia saiu, um consenso parecia ser que a novidade é “consertar o que não está quebrado”. Ao mesmo tempo, não houve nem uma aprovação, nem uma rejeição tão grandes. É algo tão diferente que só vendo para se saber como tudo correrá — e se ficará confuso ao ponto de o torcedor médio não entender. Será fundamental que o feed mundial da FOM faça um trabalho bastante didático nos gráficos da transmissão da TV.

Fato é que agora haverá emoção não a cada 20 minutos, mas, sim, a cada um minuto e meio. Este é o plano para 2016 aprovado na semana passada pela Comissão da F1 e sujeito apenas ao crivo do Conselho Mundial da FIA. A estreia deve ocorrer no GP da Espanha, uma vez que não há tempo hábil para que o sistema da cronometragem seja ajustado para o GP da Austrália, de acordo com a FOM. Não vai dar tempo para trocar de canal. O Twitter não terá só postagens a cada 20 minutos com os eliminados em cada fase do treino, ou com o resultado do Q3, mas a cada 90s com quem foi o último a não alcançar o “checkpoint”. Aquele que ficar em pé na dança da cadeira. Até que restem dois para o último minuto e meio, para a final deste grande mata-mata, e a briga pela pole.

Ainda não entendeu? A gente explica…

 

Q1
_16 minutos de duração
_Depois de sete minutos, o piloto mais lento será eliminado
_A cada 1min30s, um piloto será eliminado até o fim do Q1 
_Sete pilotos serão eliminados nesta fase, 15 passam para o Q2
 
Q2
_15 minutos de duração
_Depois de seis minutos, o piloto mais lento será eliminado
_A cada 1min30s, um piloto será eliminado até o fim do Q2 
_Sete pilotos serão eliminados, oito passam para o Q3
 
Q3
_14 minutos de duração
_Depois de cinco minutos, o piloto mais lento será eliminado
_A cada 1min30s, um piloto será eliminado até o fim do Q3
_Dois pilotos ficam no último 1min30s, quem terminar com o melhor tempo é o pole
(Gutierrez)

Dentro disso, qual será o próximo passo?
Daqui a dez anos, qual será a necessidade?

 

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Inovar — e renovar — é importante para qualquer campeonato, modalidade, empresa, pessoa. Ao mesmo tempo, como bem ressaltou Christian Horner, tem de haver um limite. “Você tem de respeitar a história do esporte. A sinuca ainda é uma mesa com seis buracos. O futebol ainda tem 22 jogadores e duas traves. Ok, a bola pode mudar, e talvez o tamanho das traves agora e depois, mas fundamentalmente a base é a mesma, e acho que o importante é nós mantermos o DNA dos GPs intacto”, argumentou o chefe da Red Bull.

300 km: essa distância não pode mudar — até porque, se resolverem mudar, vai ser com a ideia de encurtar a prova; isso mudaria a essência da F1 e do que é um GP, sem necessariamente gerar mais emoção. Tomem como exemplo os esportes americanos, cujas maiores audiências são da NFL, da NBA, da MLB, do futebol americano universitário e da Nascar; nunca que um destes eventos dura menos do que um GP de F1. Ou que o futebol tem muitas, mesmo, partidas modorretas que terminam em placares magros após 90 minutos.

É preciso encontrar formas de tornar esses 300 km, essa hora e meia de corrida, mais interessantes, e a mudança no formato da classificação pode colaborar. Por mais diferente que seja, respeita a história da F1: a regra será a mesma para todos, sem artificialidades. Algumas surpresas devem acontecer, pilotos de ponta podem largar mais atrás no grid, e isso faz toda a diferença na hora da corrida. Em 2015, houve mais de um exemplo de como a posição de pista consegue mudar o destino de uma prova. Pensar em grids invertidos e uso de lastro já é rasgar essa história.

Só essa mudança, não basta. Pode haver alguma emoção a mais, mas a categoria precisa mesmo é de um equilíbrio real entre as equipes, que não virá nem com as alterações no regulamento técnico, mas, sim, com o dinheiro sendo melhor distribuído pelo grid.

Agora, um ponto interessante nessa história toda, e em um momento em que a inércia dos dirigentes da F1 é bastante criticada, é ver a categoria reagindo a algo uma mudança de comportamento do público. Demorou? Sim. É uma medida unânime? Não — mas, até aí, nenhuma é. Mas muito se falou sobre redes sociais e gosto do público nos últimos tempos, e o novo formato vai de encontro a isso.

Fora da pista, a internet ainda será usada, em 2016, como uma ferramenta promocional para dar um prêmio oficial: o de melhor piloto da corrida. Durante cada GP, os fãs da categoria poderão votar em quem está se destacando mais, e o resultado será divulgado logo após a bandeirada. Mais um sinal de como a categoria enfim vai se rendendo à 'segunda tela'… Assistir à F1 com o computador ligado para conferir live timing ou comentar nas redes sociais já é a norma para muita gente.

Grids embaralhados sempre fazem bem para a F1, um exemplo foi o GP dos Estados Unidos deste ano. O que a categoria não pode fazer é chegar a este objetivo por meio de medidas artificiais (Grids embaralhados sempre fazem bem para a F1, um exemplo foi o GP dos Estados Unidos deste ano. O que a categoria não pode fazer é chegar a este objetivo por meio de medidas artificiais (Foto: Getty Images))

Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

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