Ron Dennis foi um cara que transformou não só a McLaren, mas a F1. 35 anos depois, está sendo convidado a se retirar de sua própria empresa

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Falamos muito de Bernie Ecclestone como o cara que transformou a F1. Ainda no comando da categoria, o britânico fez a categoria se tornar um negócio multimilionário com presença no mundo todo. Mas dentro dessa transformação, há mais gente que contribuiu para que o Mundial virasse o que é hoje, e o mais importante desses caras foi convidado a se retirar do comando de sua equipe nesta semana.

Ron Dennis foi o melhor chefe de equipe que passou pela F1. Colin Chapman era o inventor, inovador, dominou uma época do campeonato. Claro, há Enzo Ferrari, que pode ter sido maior que Dennis, mas não melhor.

Como, então, que esse tal “melhor chefe de equipe de todos os tempos” chegou ao ponto de ser demitido da empresa em que possui 25% das ações? A resposta para o sucesso e a derrocada podem estar nas mesmas coisas. Na mesma toada em que colecionou títulos, Dennis conquistou inimigos — dentro e fora de sua própria casa.

 

Ron Dennis mandou na McLaren por 35 anos. Sai “demitido” de sua própria empresa (Ron Dennis (Foto: McLaren))

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Após obter sucesso com a Project Four nas categorias de base, Dennis foi visto por John Hogan, chefe de patrocínios da Philip Morris, como o cara para assumir à McLaren. Àquela altura, a Marlboro estava insatisfeita com a gestão de Teddy Mayer. O time havia sido campeão com Emerson Fittipaldi e James Hunt, mas estava sem futuro. Dennis chegou em 1980 e assumiu de vez o comando em 1981 para mudar essa história.

Meticuloso, estrategista, inteligente, conhecia o mundo das corridas e dos negócios, ele botou ordem na casa. E um passo fundamental foi tirar da Williams os investimentos da família Ojjeh e levá-los para a McLaren. Mansour Ojjeh chegou para ser seu sócio e bancou a entrada do time na era dos motores turbo, com os TAG-Porsche. Ojjeh hoje é dono de 25% das ações, assim como Dennis, e os outros 50% são do grupo de investimentos Mumtalakat, que pertence ao governo do Bahrein.

Com este apoio de Ojjeh, Dennis fez da McLaren a maior equipe da F1. A garagista que surgira nos anos 60 com o neozelandês Bruce McLaren, um aventureiro piloto que começou a construir seus próprios carros, chegou a ser a maior vencedora do Mundial — antes da retomada da Ferrari com Michael Schumacher nos anos 2000. Mas se levarmos em conta os números da McLaren nos últimos 35 anos, ninguém venceu tantos campeonatos ou corridas: 17 títulos, contando Pilotos e Construtores, e 158 vitórias. 

A equipe de corridas McLaren se tornou o 'Grupo McLaren', que emprega mais de cinco mil pessoas e movimenta mais de R$ 3 bilhões por ano. Sim, bilhões.

Como Dennis transformou a F1? Seu profissionalismo e seu cuidado com os detalhes obrigaram as demais equipes a correrem atrás. Nas oito temporadas entre 1984 e 1991, a McLaren só se viu sem uma taça nas mãos ao final do campeonato em 1987. Para 1988, já tinha tirado da Williams o motor Honda que lhe permitiu dominar a F1 nos anos seguintes.

Com os investimentos em tecnologia e a reestruturação que realizou, acabou com a era das garagistas. Equipes menores não teriam mais vez. Adeus, Lotus, Brabham, Ligier e cia. Só venceu quem soube se reinventar, como foi com a Williams e com a Ferrari, anos mais tarde.

Mas nem tudo foram flores. O jeitão linha-dura e muitas vezes arrogante significou que Dennis fez até os amigos virarem inimigos. Alain Prost pode ser um bom exemplo. O francês estava quase se tornando sócio da McLaren quando saiu brigado com tudo e todos em 1989. Ayrton Senna até que deixou o time “em paz” no final de 1993, mas não depois de muitos conflitos ao longo dos 24 meses anteriores. As saídas dos projetistas Gordon Murray e Adrian Newey também não foram pacíficas. Tampouco, mais recentemente, as de Fernando Alonso e Lewis Hamilton.

Fora dos seus domínios, era ainda pior. De certo modo, a rixa com Max Mosley foi o início do fim. A multa de US$ 100 milhões pelo escândalo de espionagem em 2007, além de toda a exposição negativa, virou o jogo. Hamilton até foi campeão em 2008, mas o ‘Spygate’ — e o modo como Dennis tocou toda aquela situação — estremeceu a relação com a Mercedes, que vendeu sua participação na equipe para criar seu próprio time em 2010. Hoje, domina a F1 enquanto a McLaren ainda sofre para fazer dar frutos a nova parceria com a Honda. O mesmo caso foi o que provocou o afastamento de Dennis do dia-a-dia da equipe, abrindo caminho para Martin Whitmarsh.

Agora é a desavença com seu sócio de longa data que o coloca para fora. Enquanto alinhados, Dennis e Ojjeh tinham tanto poder quanto os barenitas. Quando se deu o rompimento? Ainda é incerto, mas há quem diga que o golpe dado por Dennis em 2014, demitindo Whitmarsh para retomar o comando enquanto Ojjeh estava em uma delicada luta contra o câncer. Pouco antes, já havia rolado um atrito porque o britânico queria que a F1 se mantivesse distante do Bahrein durante a crise política que tomava conta do país, o que, rá, que surpresa, não era a visão da família que possui 50% das ações.

(Ron Dennis (Foto: McLaren))

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Quando Dennis retomou o comando, veio a informação de que ele trabalharia para comprar as partes do Mumtalakat e de Ojjeh para reassumir de vez a McLaren. Três anos se passaram, e nada. Eis que ele se tornou vítima de um golpe.

"Estou desapontado com a decisão dos principais acionistas da McLaren, que me forçaram a assumir uma licença remunerada, apesar das fortes advertências do restante da equipe sobre potenciais consequências dessas ações no negócio. Os motivos foram ilegítimos. O meu estilo de gestão é o mesmo que sempre foi e é aquele que permitiu à McLaren se tornar o que ela é hoje, uma equipe que venceu 20 campeonatos de F1 e que cresce em um negócio de £ 850 milhões (R$ 3,6 bilhões) por ano. Durante esse tempo, trabalhei de perto com uma série de colegas talentosos e que nos colocaram na vanguarda da tecnologia. E a eles sempre serei extremamente grato", disse Dennis.

Nessa história de o modelo de gestão ser o mesmo, é possível argumentar que 16 dos 17 títulos chefiados por Dennis vieram entre 1981 e 1999, e apenas um nas últimas 17 temporadas da F1. Dá também para olhar para o carro e notar a ausência de um patrocinador principal, pois Ron não aceita baixar o preço do que considera um ‘patrocínio-máster’. Parou no tempo? Talvez. Tudo isso faz parte do processo que culminou em sua saída.

Ron Dennis não pode deixar a F1 sem ser reverenciado, e é triste que seja desta forma. Ao mesmo tempo, não chega a ser uma surpresa. Fruto do que ele plantou durante anos, e parte do ambiente que o próprio um dia chamou de “Piranha Club”.

Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

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