Ser ‘segundo piloto’ não é o que alguém deseja, mas muitos ficaram marcados desta forma na F1. Quem se saiu melhor exercendo este papel?

Os resultados de Nico Rosberg e Lewis Hamilton no GP da Austrália fizeram os pilotos da Mercedes alcançarem uma marca importante na história da F1: eles igualaram o recorde de dobradinhas de uma dupla na história do Mundial. Esta foi a 24ª vez que o alemão e o inglês terminaram um GP nas duas primeiras posições.

Hamilton e Rosberg agora se equiparam a Michael Schumacher e Rubens Barrichello, companheiros de Ferrari por seis campeonatos entre 2000 e 2005.

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Historicamente, sempre se falou em ‘primeiro’ e ‘segundo’ pilotos. Recentemente, um pouco menos, com as equipes tendo mais pudor na hora de claramente favorecer um em detrimento de outro. Paga-se caro pelo salário de um piloto para atrair a ira dos fãs que ele carrega consigo.

Mesmo assim, a Ferrari deixou claro tanto com Schumacher-Barrichello como com Fernando Alonso-Felipe Massa que tinha sua preferência. Falando em Alonso, foi claríssima a preferência pelo espanhol nas passagens pela Renault. A Red Bull sempre tentou disfarçar e é justo dizer que Mark Webber pôde brigar pelo título, mas Sebastian Vettel sempre foi o queridinho, e por aí vai.

Indo mais além, podemos falar de Schumacher na Benetton ou com Irvine na Ferrari, Ayrton Senna e Gerhard Berger na McLaren e o veto a Derek Warwick nos tempos de Lotus, Nelson Piquet na Brabham…

Schumacher e Barrichello eram os colegas de time recordistas em dobradinhas (Rubens Barrichello e Michael Schumacher fizeram 24 dobradinhas como companheiros de equipe na Ferrari (Foto: Bridgestone))

Natural que os ‘segundões’ tenham ficado marcados ou pelo fato de serem abertamente deixados de lado pela equipe, ou por simplesmente não conseguirem acompanhar o ritmo de seus companheiros.

Hoje, dá para dizer que Rosberg está a caminho de ser mais um destes escudeiros, mas se formos analisar os números de duplas do presente e do passado, qual destes pilotos conseguiu produzir mais? Qual foi mais útil para as pretensões da equipe e qual quase comprometeu?

Pois aqui estão as estatísticas:

Renault — Alonso e Fisichella

 

Decidi começar com esta dupla porque foi a partir dela que me veio à cabeça a ideia da pauta. Fisichella esperava brigar pelo título nas duas grandes temporadas da Renault, mas foi colocado no bolso por Alonso. Venceu duas corridas, e aqui vem o mais impressionante: só fez UMA dobradinha com o espanhol — vencendo na Malásia com Alonso em segundo em 2006. Nos anos do bi, Fernando faturou 14 GPs.

Fisichella, para falar a verdade, é um ótimo exemplo de segundo piloto que quase compromete as chances de sucesso do time. Ele foi somente quinto em 2005 e quarto em 2006. Nos dois anos, ficou atrás dos dois pilotos da equipe que desafiou a Renault pelo Mundial de Construtores (McLaren e Ferrari, respectivamente).

Aliás, algo que surpreende: a Renault, em toda a sua história como equipe de fábrica na F1, só fez duas dobradinhas, essa de 2006 e a do GP da França de 1982, com René Arnoux e Alain Prost. Até a Brawn GP tem mais.

Ferrari — Schumacher e Barrichello

 

No período em que Schumacher e Barrichello foram companheiros, a Ferrari ganhou cinco de seis títulos do Mundial de Construtores. Foram 58 vitórias, o equivalente a 55% das corridas, e um total de 24 dobradinhas. Destas, cinco em vitórias de Barrichello e 19 com Schumi no alto do pódio.

Barrichello também foi vice-campeão duas vezes e só em 2000 ficou atrás dos dois pilotos da principal adversária.

A contribuição é ainda mais notável ao se levar em conta que seu antecessor, Eddie Irvine, possibilitou à Ferrari comemorar somente cinco dobradinhas entre 1996 e 1999.
(Rubens Barrichello sendo abraçado por Michael Schumacher no pódio do GP da Áustria de 2002 (Foto: Bridgestone))

Mercedes — Hamilton e Rosberg

 

Se Rosberg conseguir um título, é claro que se afastará do rótulo de segundo piloto, de escudeiro. Até lá, os números mostram que seu status é este, embora seu aproveitamento seja melhor que o de Barrichello na comparação entre as dinastias da Mercedes e da Ferrari.

Desde que se tornaram colegas de Mercedes em 2013, Hamilton e Rosberg venceram 36 GPs, 62% das provas realizadas. Só 12 não foram dobradinhas, o que é impressionante. E, nos 1-2, vantagem para Lewis: 16 a 8. 

Neste período, já foram 14 vitórias para Rosberg, além de dois vices.

O fator carro

 

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Sim, é verdade que os carros imensamente superiores de Mercedes e Ferrari nessas épocas dão uma 'bombada' nos números. Mas, como vamos ver com os números que mostrarei a seguir, ficará claro como Rosberg e Barrichello foram extremamente úteis para suas equipes.

Muitas vezes, sim, trabalhar para apenas um piloto faz com que a equipe chegue mais longe do que poderia. Foi o argumento que Senna usou contra Warwick na Lotus: não acreditava que o time inglês seria capaz de ser competitivo em um altíssimo nível oferecendo condições iguais para dois pilotos. Por outro lado, como vamos ver em alguns dos exemplos a seguir, isso pode é colocar tudo por água abaixo. Ok, que o segundo piloto não tenha a chance de brigar pela taça, mas se ele for ao menos capaz de tirar pontos rivais, já é uma ajuda e tanto.

E se for para indicar o ano em que essa ajuda foi mais importante, provavelmente se trata de 2015. No fundo, Schumacher não seria ameaçado nos anos dos vices de Barrichello — ninguém de outra equipe teve uma constância de resultados boa o bastante para fazê-lo erguer as sobrancelhas. No ano passado, Vettel teve tal frequência, tanto que chegou a estar à frente de Rosberg nos pontos no segundo semestre. Tivesse o alemão bobeado um pouco mais, a Ferrari teria marcado mais tentos e ameaçado até mais tarde.

Em 2008, a McLaren foi contra sua filosofia e pôs ordem na tumultuada casa contratando Heikki Kovalainen. Hamilton foi o campeão, mas o finlandês não somou pontos o bastante para contribuir com o título de Construtores.

Mais casos da McLaren

 

Em termos de resultados, Gerhard Berger não conseguiu ajudar tanto Senna em 1990. O bi foi conquistado em uma ferrenha disputa com Prost até o fim do campeonato e ambos passaram da casa dos 70 pontos. Berger, por outro lado, terminou empatado com Nelson Piquet com 43 pontos, pouco mais da metade.

Senna e Berger andaram juntos por três anos e tiveram apenas três dobradinhas. Todas seriam com vitória do brasileiro, não tivesse ele deixado o austríaco vencer o GP do Japão em 1991. Nestes três campeonatos, Senna ganhou 16 provas; Berger, três. E quase que essa disparidade compromete os títulos de Construtores em 1990 e 1991.

Caso parecido envolveu Mika Häkkinen e David Coulthard. Não havia, inicialmente, uma clara preferência, mas os resultados trataram de criá-la. Eles andaram juntos de 1996 a 2001: 20 vitórias de Häkkinen e só dez de Coulthard. Em termos de dobradinhas, foram 13, com apenas três vindo em vitórias do escocês.

Coulthard só fez mais pontos em 1997 e 2001, e em 1999, seu quarto lugar no campeonato significou que, apesar do título de Pilotos, a McLaren não foi capaz de faturar também a taça de Construtores.

Apesar disso, a dupla McLariana que teve mais 1-2 foi outra, uma que não tinha um ‘primeiro’ e ‘segundo’ pilotos: Senna e Alain Prost. 14 dobradinhas em dois anos, 11 em vitórias de Senna.
(Senna e Berger fazem a festa no pódio do GP do Japão (Foto: Forix))

A Williams de Mansell e Patrese

Nigel Mansell conseguiu relegar Riccardo Patrese ao papel de coadjuvante em 1991 e 1992. A dupla formou oito dobradinhas, sendo seis delas em 1992. Das oito, Patrese só foi o vencedor na primeira, no GP do México de 1991. Ainda assim, o italiano ficou com o vice em 92 — 52 pontos atrás do Leão.

 

Piquet e a Brabham

Dentro da equipe de Bernie Ecclestone, Nelson Piquet nunca teve um rival à altura para desafiá-lo internamente. É por isso que, em suas seis temporadas e 13 vitórias no time, apenas uma veio em forma de dobradinha: a do GP do Canadá de 1982, com Patrese em segundo.

 

Red Bull — Vettel e Webber

Um dos casos mais emblemáticos desta década envolve a Red Bull, e os números sugerem que o australiano não foi um bom escudeiro para os rubro-taurinos. Pode ter contribuído com experiência e até vencido nove corridas ao longo de cinco temporadas, mas jamais ‘ajudou’ Vettel a ser campeão — Seb, aliás, ganhou 38.

Para começar, ele sequer foi vice, nem mesmo no ano em que brigou pelo caneco até a última etapa. Em 2012, chegou a ficar à frente após o GP da Inglaterra, sua segunda vitória no ano, mas terminou atrás de Alonso e dos dois pilotos da McLaren.

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Nas dobradinhas, 16 ao todo, Webber foi o primeiro colocado em três.

Mesmo assim, a Red Bull conseguiu pontos suficientes para ganhar quatro vezes o Mundial de Construtores. Em 2013, Webber poderia ter zerado que só o que Vettel fez já seria suficiente.

Para encerrar, já que falamos desta década, vale citar o desempenho de Felipe Massa ao lado de Alonso nos quatro anos juntos na Ferrari. Foram só duas dobradinhas, ambas em 2010, no Bahrein e na Alemanha, sendo que nenhuma vez ele terminou perto do colega no Mundial de Pilotos. 

Webber até brigou por um título, mas sequer chegou a ser vice do Mundial. Já Alonso ficou três vezes logo atrás de Vettel na tabela (Mark Webber até lutou por um título, mas jamais foi páreo para Sebastian Vettel (Foto: Ferrari))

Mais um recorde para HAM-ROS?

 

Se, no Bahrein, a Mercedes fizer mais um 1-2, Hamilton e Rosberg não serão apenas a dupla com o maior número de dobradinhas na história, mas também quebrarão o recorde de dobradinhas consecutivas. Será a sexta seguida — HAM/ROS no GP dos EUA de 2015 e ROS/HAM nas quatro provas disputadas desde então.

Eles já tiveram tal sequência entre os GPs da Malásia e de Mônaco de 2014, com quatro vitórias do britânico. Barrichello e Schumacher, também, entre os GPs da Hungria e do Japão de 2002, quando Rubens venceu três de cinco.

A Ferrari também teve cinco dobradinhas seguidas em 1952, sempre com Alberto Ascari vencendo. A terceira das cinco, porém, foi com Piero Taruffi em vez de Nino Farina na segunda posição.

Quem chegou mais em segundo lugar?

 

Michael Schumacher (43 vezes)
Fernando Alonso (37)
Alain Prost (35)
Kimi Räikkönen (30)
Rubens Barrichello (29)
David Coulthard (26)
Lewis Hamilton (26)
Ayrton Senna (23)
Niki Lauda (20)
Nelson Piquet (20)

 

Quem foi vice mais vezes?

 

Stirling Moss e Alain Prost, quatro vezes cada. Depois deles, Graham Hill, Nigel Mansell e Fernando Alonso, três.
(David Coulthard no pódio do GP da Alemanha de 2003 (Foto: McLaren))

Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

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