Max Verstappen o melhor do dia no GP dos Estados Unidos? Não mesmo. Lewis Hamilton e Fernando Alonso mereceram mais

Fazia tempo que Lewis Hamilton não completava um fim de semana tão bom. Por problemas dele ou do carro, o inglês não conseguia pole e vitória desde o GP da Hungria, em julho. Foi há três meses, sete corridas atrás.

Em Austin, Hamilton mostrou o porquê de ter vencido no Circuito das Américas pelo terceiro ano consecutivo. Nos últimos dois anos, porém, a pole tinha ficado com Nico Rosberg.

No sábado, Hamilton foi o único no Q3 a virar abaixo de 1min35s — 58ª pole da carreira. No domingo, só perdeu a ponta por três voltas para um Sebastian Vettel que vinha em estratégia diferente antes de vencer pela 50ª vez na F1 — apenas o terceiro piloto na história a alcançar a marca.

Ele fez o que precisava fazer. Rosberg também. Como o alemão é campeão se chegar só em segundo, com direito até mesmo a um terceiro lugar aí no meio, até o fim do ano, o segundo lugar não foi motivo de frustração. Sair cantando ‘Living on a Prayer’ no karaokê depois da corrida foi uma boa mostra de como ele estava tranquilo.

A corrida não foi das melhores, também não foi das piores. Max Verstappen chamou a atenção, mas também estragou a própria corrida antes de abandonar. Ainda assim foi escolhido ‘Piloto do Dia’. Hein? Pois é. Ficou até mesmo a impressão de que foi votado por ter dito pelo rádio que “não estava correndo para chegar em quarto”. Era melhor ter chegado em quarto.

Vamos olhar, então, para o fim de semana de cada piloto no GP dos Estados Unidos:

Hamilton venceu, mas Rosberg tem o regulamento embaixo do braço (Nico Rosberg e Lewis Hamilton (Foto: Mercedes))

1 — Lewis Hamilton (Mercedes) — 9,5

Pole, vitória tranquila, mas fundamental. A Hamilton, daqui até o fim do ano, apenas a vitória interessa. Ele precisa deixar Rosberg para trás já aos sábados, para tirá-lo da zona de conforto. Missão cumprida no GP dos EUA.

2 — Nico Rosberg (Mercedes) — 7,5

A largada foi um exemplo do que é deixar Rosberg desconfortável. Com a vantagem que tem, o alemão não quer jogar pontos fora, e na apertada primeira curva em Austin, ele caiu para terceiro. Foi a cautela, o medo de se envolver em um toque. Depois, a estratégia — e um pouco de sorte — lhe permitiu recuperar o segundo posto.

3 — Daniel Ricciardo (Red Bull) — 8,0

Poderia ter sido segundo se o safety-car virtual não tivesse acontecido “fora de hora”. Rosberg conseguiu fazer seu pit ali e ganhou tempo. Apesar disso, Ricciardo ainda conseguiu atacá-lo no final.

Daniel Ricciardo chamou a atenção mais no pódio do que na pista (Daniel Ricciardo com Gerard Butler (Foto: Red Bull))

4 — Sebastian Vettel (Ferrari) — 7,0

Vettel chegou a liderar e terminou em quarto, mas não foi um grande fim de semana. Outra vez se viu superado por Räikkönen na classificação e estava atrás até o finlandês abandonar.

5 — Fernando Alonso (McLaren) — 9,5

Alonso está passando um recado neste segundo semestre: quando o carro melhorar, ele vai incomodar. Ele largou em 12º em Austin, chegou a reclamar no início da corrida, mas foi ao ataque. Alcançou Massa e Sainz no final com boas manobras e obteve seu melhor resultado no ano.

6 — Carlos Sainz (Toro Rosso) — 9,0

Outro que teve seu melhor resultado do ano, igualando o GP da Espanha — e também o melhor da carreira. Alonso o seguiu por mais de 40 voltas antes de passá-lo, e disse que o compatriota “não cometeu nenhum erro”.

7 — Felipe Massa (Williams) — 7,0

Essa foi uma das melhores provas de Massa no segundo semestre, de longe. O resultado foi o melhor desde o GP da Rússia. Faltou foi ação para passar Sainz. A falta de agressividade resultou no lance com Alonso, que lhe rendeu um pneu furado e o limitou ao sétimo lugar.

8 — Sergio Pérez (Force India) — 7,0

O oitavo posto foi uma boa recuperação para o mexicano, que tinha ficado fora do Q3 e, de quebra, atingido por Kvyat. Salvar quatro pontinhos disso foi um feito e tanto.

9 — Jenson Button (McLaren) — 6,0

Button fez uma classificação péssima, mas salvou seu fim de semana nos primeiros quilômetros do GP dos Estados Unidos ao ganhar oito posições na primeira volta. Depois passou Gutiérrez para encarar uma prova bem desinteressante até a bandeirada.

10 — Romain Grosjean" target="_blank">Romain Grosjean (Haas) — 5,5

Eu esperava mais da Haas no fim de semana, mas Grosjean só se classificou em 17º e passou a maior parte da prova fora dos pontos. Só subiu para o décimo lugar após o abandono de Räikkönen. Ainda assim, cada ponto vale para a Haas, e esse foi em casa.

Fernando Alonso de novo levou uma nota alta aqui no Ranking GP

11 — Daniil Kvyat (Toro Rosso) — 4,0

Uma vez mais, um erro estragou as chances de um bom resultado. Kvyat recebeu uma punição de dez segundos pela batida em Pérez na primeira volta. Sem o incidente e a penalidade, poderia ter pontuado.

12 — Kevin Magnussen (Renault) — 5,0

Magnussen levou a melhor em uma disputa com Palmer no domingo, embora tenha largado atrás do colega de time. O trunfo foi o uso dos supermacios no fim da prova para ultrapassar o inglês.

13 — Jolyon Palmer (Renault) — 4,5

Perdeu essa batalha interna dos “dispensados” para Magnussen. E até dava para notar, durante a prova, como o inglês necessitava ficar à frente do dinamarquês para mostrar serviço. Não deu.

14 — Marcus Ericsson (Sauber) — 4,5

Ericsson fez uma parada tendo largado com os pneus macios e terminando com os médios. O 14º lugar também tem a ver com as quebras de carros melhores.

15 — Felipe Nasr (Sauber) — 3,5

Fez o inverso de Ericsson na tentativa de se recuperar de uma classificação ruim — saiu só em 21º. Seu desempenho sumiu de sexta para sábado, com o brasileiro reclamando que o carro estava completamente diferente depois do primeiro dia. Essa Sauber…

16 — Valtteri Bottas (Williams) — 4,5

Tudo ficou comprometido para Bottas depois que ele largou mal e se enroscou com Hülkenberg. Ele seguiu na prova, mas com o carro bastante danificado, e nem esboçou reação.

(Largada (Foto: Red Bull))

17 — Pascal Wehrlein (Manor) — 3,5

Desta vez, foi Wehrlein quem venceu a batalha interna da Manor. Ele largou em 20º e terminou mais de 30s à frente do Ocon, conseguindo executar uma tática de duas paradas.

18 — Esteban Ocon (Manor) — 3,0

O grande momento de Ocon foi a largada, ganhando quatro posições. Depois, pouco a pouco, foi perdendo essas posições ganhas para novamente cruzar a linha de chegada em último.

Kimi Räikkönen (Ferrari) — 7,5

Räikkönen não só bateu Vettel na classificação como estava à frente na corrida. Abandonou porque a Ferrari deixou sua roda solta no pit-stop.

Max Verstappen (Red Bull) — 6,5

Verstappen largou mal, quase complicou a estratégia da Red Bull porque “não queria chegar em quarto” e ainda entrou no box na hora errada, sem ser chamado. Piloto do dia? Não mesmo. Mas poderia ter somado uns bons pontinhos se o carro não tivesse quebrado.

Esteban Gutiérrez (Haas) — 5,0

Outra vez a Haas viu um de seus carros parar por causa de problemas nos freios. Assim fica complicado… Gutiérrez nem estava tão mal dessa vez.

Nico Hülkenberg (Force India) — sem nota

Começando a se despedir da Force India, Nico até fez sua parte e se classificou em sétimo (o melhor fora do G3). Mas aí se envolveu no toque na largada e o domingo terminou.

Wehrlein levou a melhor na briga da Manor (Manor (Foto: Pirelli))
GP DOS ESTADOS UNIDOS — 5,5

 

Não foi das melhores, não foi das piores. Hamilton disparou e não houve briga pela vitória. Atrás dele, sim, deu graça para saber quem seriam os dois últimos no pódio. Mas esse Circuito das Américas… Muita imponência para pouca corrida boa até agora.

Melhor corrida:
GP da Espanha — 9,5

Pior corrida: 
GP da Europa — 2,0

Média: 6,72
(Largada (Foto: Red Bull))

Os melhores do ano

 

1 — Lewis Hamilton — 7,94
2 — Daniel Ricciardo — 7,89
3 — Nico Rosberg — 7,86
4 — Kimi Räikkönen — 7,44
5 — Max Verstappen — 7,17
6 — Sebastian Vettel — 7,03
7 — Sergio Pérez — 6,53
8 — Fernando Alonso — 6,38
9 — Valtteri Bottas — 6,28
10 — Nico Hülkenberg — 5,82
11 — Carlos Sainz — 5,81
12 — Felipe Massa — 5,67
13 — Jenson Button — 5,53
14 — Romain Grosjean — 5,50
15 — Esteban Gutiérrez — 4,69
16 — Kevin Magnussen — 4,39
17 — Pascal Wehrlein e Daniil Kvyat — 4,33
19 — Jolyon Palmer — 4,03
20 — Felipe Nasr — 3,97
21 — Marcus Ericsson — 3,67
22 — Esteban Ocon — 3,00
23 — Rio Haryanto — 2,83

Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

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