Brilhante, Newgarden resiste e garante improvável entretenimento em St. Pete

O quarto lugar no GP de Indianápolis 3 não botou fogo na disputa pelo título, mas fez Josef Newgarden adiar a decisão para a final em St. Pete e, principalmente, mostrou um piloto com sangue nos olhos, empilhando ultrapassagens com arrojo. Aconteça o que for na última prova, já merece aplausos

A temporada 2020 da Indy tem um nome desde a primeira corrida. Praticamente só se falou em Scott Dixon, o ano inteiro, afinal, o neozelandês sumiu na frente dos rivais após as três etapas iniciais do campeonato. Uma coisa segue igual, agora às vésperas da final: Scott é muito favorito ao título, mas a mudança que surgiu é na análise de seus rivais. Se o campeonato de Josef Newgarden já era bom, ficou ainda melhor com o que rolou na rodada dupla de Indianápolis.

É que Newgarden chegou ao IMS disposto a se defender do jeito que pudesse. 72 pontos atrás de Dixon, era inclusive provável que o campeonato acabasse na corrida 2 ou na 3 do GP de Indianápolis, a menos que Josef fizesse exatamente o que fez: venceu em uma, convenceu na outra.

Talvez a atuação de Josef neste sábado (3) tenha sido, inclusive, ainda mais impactante do que a de sexta-feira. Sim, a corrida 2 teve uma vitória, ritmo forte, estratégia correta, gerenciamento de pneus, mas a terceira prova foi mais cheia de brilho. O quarto lugar tem sabor agridoce porque não cortou tanto a distância para o oitavo colocado Dixon, foi de 40 para 32 pontos, mas o jeito que ele foi conquistado que impressionou.

Scott Dixon tem 32 pontos para Josef Newgarden (Foto: Indycar)

Diferentemente da sexta-feira, quando Newgarden se classificou bem, em segundo, a corrida 3 foi de superação. Em nono no grid, Josef caiu para 11º na largada e, a partir dali, colocou a faca entre os dentes e foi para cima. Foram sete ultrapassagens decisivas, além de outras em carros de estratégias diferentes. O melhor: foi na base do arrojo, na agressividade, subindo na grama, fechando porta. Foi um Newgarden que a gente não via, talvez, desde os tempos de Carpenter.

Aqui não é nenhuma crítica ao novo estilo do piloto americano, longe disso, afinal, foi esse novo Newgarden que faturou, com toda justiça, dois títulos da Indy nos últimos três anos, mas talvez seja uma versão mais divertida, um piloto mais vistoso. Entretenimento garantido em duas das grandes corridas dos últimos tempos. E é entretenimento que podemos esperar também na final, em St. Pete.

“Ficamos um pouco abaixo de onde deveríamos estar. Se fosse um dia como ontem, eu estaria em ótima forma. Foi medíocre. Não consegui largar bem o suficiente depois da classificação, e isso nos prejudicou. Acho que forcei um pouco e precisei trabalhar muito. Se eu tivesse uma classificação limpa, poderia ter um dia melhor. Acho que temos uma chance, mas esperava estar um pouco mais próximo”, disse Newgarden.

Disputa do título fica para St. Pete (Foto: Indycar)

Por mais difícil que seja imaginar Dixon repetindo as não mais que medianíssimas performances recentes, há um fiozinho de esperança para Newgarden, mesmo que, em 2020, sem a pontuação dobrada na etapa derradeira. E é nisso que ele precisa se agarrar para divertir os fãs da categoria com mais uma atuação inspirada. Para quem acreditava em uma prova protocolar, St. Pete acaba recebendo uma final de fato.

“Definitivamente, os últimos fins de semana em Mid-Ohio e Indianápolis foram difíceis. Ainda estou bravo comigo mesmo pelo erro em Mid-Ohio e por deixar aqueles pontos escaparem. Como sempre, o título é decidido na última corrida, mesmo sem a pontuação dobrada, como vimos antes”, citou Dixon.

Aconteça o que acontecer, mesmo que não consiga operar o milagre de tirar uma vantagem que até outro dia era de 117 pontos, Newgarden já vai ter caído de pé. No fim, em um ano que foi praticamente todo de Dixon, Josef conseguiu seu protagonismo e, muito mais do que as três vitórias, mostrou que a chama do piloto destemido continua bem acesa. Sorte de quem gosta de um bom espetáculo.

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