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Com 105 voltas no Texas, Alonso espera desafio com carro novo, mas se vê “muito mais preparado” para Indy 500

Fernando Alonso iniciou sua jornada para disputar sua segunda Indy 500 na última terça-feira (9) com 105 voltas no oval de Fort Worth, no Texas, abrindo os trabalhos com o novo carro da Indy. Suas impressões sobre o modelo são cautelosas, ressaltando a necessidade de se adaptar a tudo, desde o acerto, pedais, volante e até assento

Grande Prêmio / Redação GP, de Sumaré

Depois de quase dois anos, Fernando Alonso voltou a pilotar um carro da Indy na última terça-feira (9). O bicampeão mundial de F1 iniciou no Texas a preparação de pista para disputar pela segunda vez as 500 Milhas de Indianápolis, tendo o objetivo de vencer a lendária prova para conquistar a Tríplice Coroa do automobilismo — depois de conquistar o GP de Mônaco de F1 e as 24 Horas de Le Mans. 
 
Alonso completou 105 voltas no rápido oval de Fort Worth, no Texas, que tem características bem distintas de Indianápolis — como formato da pista e inclinação das curvas — e notou muitas diferenças no novo carro da Indy. Mesmo assim, com toda a experiência que teve na Indy 500 em 2017, Fernando se vê muito mais preparado em todos os sentidos para sua segunda jornada no ‘Brickyard’.
 
“Foi incrível. São somente as primeiras voltas no carro, e encaramos tudo com calma quanto à nossa velocidade. É incrível voltar a um oval com um acerto específico”, declarou o espanhol de 37 anos em entrevista coletiva pouco depois da sua sessão individual de voltas no Texas com o carro #66 da McLaren.
Fernando Alonso acelerou o novo carro da Indy pela primeira vez na última terça-feira (Foto: IndyCar)
Com base nas primeiras impressões no Texas, Fernando listou detalhes do chassi IR18, que é bem distinto do Dallara DW12 que guiou em 2017 em Indianápolis.
 
“Acho que, escutando a todos no ano passado, que vai ter menos downforce. Podem ser mais complicados de pilotar, especialmente atrás [de outro carro]. Hoje não tive problemas porque estou sozinho. Mas imagino que vai ser um desafio, especialmente neste ano que não estou com o entorno da Andretti. Estaremos sozinhos neste ano”, explicou.
 
“Este carro vira à esquerda, se autopilota um pouco. Então, mais uma vez, tenho uma impressão esquisita de tentar me acostumar, especialmente com muitas operações na curva, especialmente nas 3 e 4. É diferente de Indianápolis, mas espero que seja uma boa preparação para nós”, acrescentou Alonso.

 
“Para mim, obviamente, se trata simplesmente de ficar à vontade no carro. É um carro novo, uma nova equipe, de modo que, em termos de posição do assento, protetor de cabeça, pedais, preferências de volante, tudo é novo”, complementou.
 
Se para Alonso é tudo completamente novo a bordo de um carro diferente, o espanhol entende que os trabalhos para a McLaren também vão representar um grande desafio em Indianápolis.
 
“Para a equipe, acho que é muito importante configurar tudo como equipe, quem faz quem na equipe, também no pit-wall. A preparação é completamente nova para todos. Vou buscar resolver todos os problemas que sejam possíveis aqui em um teste aberto no dia 24 [em Indianápolis] e estar pronto para as 500 Milhas”, salientou.
 
Se é verdade que Alonso encarou as primeiras voltas a bordo do IR18 como um grande aprendizado, no sentido de ambiente, as 500 Milhas de Indianápolis já não representam uma grande novidade. De modo que chegar ao IMS neste ano com a experiência obtida há dois anos representa um trunfo muito importante para Alonso, que se sente “muito mais preparado” para sua segunda Indy 500.
 
“Ao menos conheço a corrida, a atmosfera das 500 Milhas, o desfile dos pilotos, conheço as voltas de formação... Sei que muitas coisas dessas tomam energia na primeira vez porque tudo é uma surpresa. Acho que agora posso poupar energia. Sei como entrar no ritmo de corrida, entrar na classificação com um pouco mais de energia e mais concentração”, disse.
 
Por outro lado, Alonso deixa claro que não se sente como um veterano da Indy 500. “Lido com essa corrida como se estivesse começando desde zero. Não quero dar nada como garantido. Quero rever todas as corridas anteriores, começar desde o zero com os engenheiros. Quero ir ao simulador, como fiz ao fazer a primeira largada e as paradas de boxes. Quero fazer a maior preparação possível”.
 
Outro trunfo de Alonso e da McLaren para lutar pela vitória em Indianápolis no próximo dia 26 de maio é a presença de Johnny Rutherford, que venceu a Indy 500 com a McLaren em 1974 e 1976, repetindo o que já fizera há dois anos, quando também acompanhou Alonso na sua estreia durante os treinos preparatórios para a prova.
 
“Ele sempre está nos ajudando em termos de segurança, isso é a prioridade, e busca me aconselhar sobre as curvas 3 e 4 e como me aproximar do muro da curva 2, porque parece que está muito longe, mas no fim das contas você se coloca muito perto quando termina a escalada. Esse tipo de coisa é, obviamente, muito bem-vinda, e tê-lo a bordo é sempre uma vantagem”, destacou.