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Com título surpresa de Dixon, Indy vive temporada de extremos com 500 milhas eletrizantes e morte de Wilson

A temporada 2015 da Indy teve uma série de momentos marcantes. Com grandes disputas nas 500 Milhas de Indianápolis, de Pocono e de Fontana, além de um improvável título de Scott Dixon, o ano também deixou lembranças tristes como o grave acidente de James Hinchcliffe durante testes para a Indy 500 e, principalmente, a morte de Justin Wilson

Warm Up / GABRIEL CURTY, de São Paulo
A RETROSPECTIVA 2015 do GRANDE PRÊMIO começa com a Indy, categoria que viveu uma temporada de absurdo equilíbrio da primeira à última prova. Apesar de clara vantagem dos motores e kits Chevrolet sobre os Honda, a disputa foi dura o ano inteiro, com a decisão do campeonato tendo ficado para uma eletrizante etapa final em Sonoma.
 
Vice-campeão no fim das contas, Juan Pablo Montoya só foi perder a liderança da tabela de pontos justamente na prova final, sendo batido por um improvável Scott Dixon, que pouco tinha aparecido no ano. Graham Rahal, melhor da Honda e tranquilamente quem mais evoluiu enquanto piloto no ano, brigou até o fim, mas fechou em quarto, atrás também de um errático Will Power. Josef Newgarden foi outro que brilhou em 2015, dentro e fora das pistas, cada vez conquistando mais fãs nos EUA.
 
Entretanto, não foi apenas de grandes momentos nas pistas que a Indy viveu em 2015. Dois fatos marcaram muito negativamente a temporada da principal categoria de monopostos norte-americana: o primeiro e maior deles foi a morte de Justin Wilson. Um dos grandes nomes da Indy, o britânico foi acertado por um pedaço de carenagem de Sage Karam nas 500 Milhas de Pocono e não resistiu, causando grande comoção na reta final do campeonato.
 
O segundo e que veio antes mesmo da temporada começar aconteceu fora das pistas: Brasília, que estava no programa da categoria, não terminou suas reformas e teve de abrir mão da realização da abertura do campeonato, tornando improvável um retorno brasileiro ao calendário da Indy nos próximos anos.
 
O GP relembra nesta terça-feira (15) as 16 provas que consagraram Dixon tetracampeão da Indy, começando com a vitória de Montoya em São Petersburgo, passando pela incrível disputa entre o colombiano e Power nas 500 Milhas, a excepcional prova em Fontana, a morte de Wilson em Pocono e terminando com a vitória de Dixon e a conquista do título em Sonoma.
O campeão Dixon parecia bem feliz com sua taça de vinho (Foto: IndyCar)
Montoya fecha Power e começa 2015 com vitória em St. Pete
 
O GP de São Petersburgo, primeira prova da temporada 2015 da Indy com o cancelamento da etapa em Brasília, serviu para dar indícios daquilo que muitos imaginavam: era a Penske quem se destacava com certa sobra para os demais times.
Largando em quinto, Juan Pablo Montoya fez prova extremamente consciente e ainda deu uma bela fechada no companheiro de time Will Power para sair na frente em 2015.
 
Power, aliás, liderou boa parte da corrida, perdendo a dianteira para Montoya por culpa de um erro da Penske em sua última parada nos boxes. Entretanto, a primeira exibição de Power fora bastante convincente, indicando que um bicampeonato não era um sonho absurdo.
 
Após fechar 2014 em alta, tendo vencido sua primeira prova com as cores da Ganassi em Fontana, Tony Kanaan também iniciou 2015 com o pé direito, fechando a trinca da Chevrolet no pódio da Flórida. Helio Castroneves foi o quarto, seguido por Simon Pagenaud, o “pior” da Penske na corrida. 
 
A primeira corrida foi extremamente preocupante para a Honda, que claramente precisaria de condições extremas para bater a Chevrolet nas demais pistas de rua e circuitos mistos. Para os japoneses, apenas três no top-10 final: Ryan Hunter-Reay, Jack Hawksworth e Marco Andretti, em sétimo, oitavo e décimo, respectivamente.
Montoya celebra vitória em São Petersburgo (Foto: IndyCar)
Em ‘quase-GP’ de Luisiana, melhor para o sortudo Hinchcliffe
 
A segunda etapa da temporada 2015 da Indy foi para lá de bizarra. A começar pelo treino classificatório, que teve de ser cancelado por causa da chuva e, assim, fez com que a classificação do campeonato valesse como grid da prova de domingo. Melhor para Montoya.
 
A corrida em si também foi absurdamente tumultuada e comprometida por uma mistura sempre perigosa de pista molhada e alguns pilotos em dias “pouco inspirados”, digamos assim. No total, foram seis bandeiras amarelas e uma quantidade enorme de voltas realizadas com velocidade reduzida. Montoya, que pouco era ameaçado, puxou um vasto pelotão que optou pela estratégia segura, parando quando ainda restavam mais de dez voltas para o fim.
 
Entretanto, um novo acidente entre Hunter-Reay e Sébastien Bourdais beneficiou aqueles que acharam melhor ignorar a parada final e arriscar o combustível até o fim. Com tantas voltas de paralisação, vitória com um improvável James Hinchcliffe, de uma não menos surpreendente Schmidt Peterson (lembra a história de condições extremas para a Honda? Pois é).
 
Castroneves, que vinha em fim de semana bem fraco, ainda ficou em segundo, com James Jakes botando o outro carro da SPM no pódio em NOLA. Simona de Silvestro e o quarto carro da Andretti cruzaram logo atrás, na frente de Montoya, que fechou o top-5.
Hinchcliffe comemora vitória na Louisiana (Foto: IndyCar)
Dixon vence prova chata em Long Beach
 
A primeira vitória de Dixon na temporada 2015 veio em uma corrida bastante sonolenta. A terceira etapa da Indy, em Long Beach, teve pouquíssima ação na pista e foi decidida nos boxes, com o neozelandês superando Castroneves em bom trabalho da Ganassi.
 
Apesar de ter sido superado por Dixon, o piloto brasileiro não teve trabalho para segurar o segundo lugar. A boa briga da corrida foi pelo último lugar do pódio. Melhor para Montoya, que segurou Pagenaud, Kanaan e Bourdais, em um top-7 que só teve Chevrolet, com Newgarden fechando o grupo. 
Scott Dixon chegou na frente em Long Beach (Foto: IndyCar/John Cote)
Newgarden leva a melhor em disputa eletrizante com Rahal no Alabama
 
A quarta etapa da temporada 2015 da Indy foi espetacular. Sem a menor dúvida, a melhor prova em circuitos mistos e de rua do ano aconteceu no Alabama. A vitória ficou com o garoto de ouro da Indy, Newgarden. Largando bem, relargando melhor ainda e ditando o ritmo com grande condução, o piloto da CFH conseguiu bater Graham Rahal, que deu um verdadeiro show enfileirando ultrapassagens e começando a provar que estava transformado em 2015.
 
Dixon vinha em segundo até o fim, sendo superado por Rahal apenas na última volta. Aliás, o piloto da RLL quase conseguiu chegar em Newgarden, com os pneus bem mais inteiros. 
 
Aquela, aliás, foi a melhor corrida da Honda no ano até o momento, com cinco pilotos figurando no top-10 final. Enquanto isso, Montoya foi só 14º, mas manteve a liderança da classificação.
Josef Newgarden venceu a prova no Alabama (Foto: IndyCar)
Power dá sinal de vida em 2015 e vence GP de Indianápolis
 
O GP de Indianápolis foi marcado por um acidente generalizado logo na primeira curva que envolveu, entre outros: Castroneves, Dixon, Newgarden, Stefano Coletti e Hinchcliffe.
 
De resto, uma prova que não foi das mais marcantes e viu um domínio completo de Power, que vencia pela primeira vez no ano e começava a mostrar que estava vivo em 2015.
 
Rahal manteve a excelente forma e buscou o segundo pódio consecutivo, novamente na segunda posição. Montoya, em mais uma atuação para lá de segura, chegou em terceiro.
A comemoração de Power com a vitória em Indianápolis (Foto: AP)
Montoya volta a vencer Indy 500 após 15 anos
 
Se as equipes menores estavam com bom desempenho na temporada até então, as 500 Milhas de Indianápolis serviram como balde de água fria. Os apostadores mais conservadores decerto se deram bem, já que Penske e Ganassi dominaram totalmente a prova.
 
Em uma disputa espetacular com o companheiro de time Power, Montoya – que em determinado momento da corrida foi 28º colocado – conseguiu não apenas ampliar sua vantagem na classificação geral, mas também voltar a vencer a prova mais tradicional do calendário 15 anos após seu primeiro triunfo. Definitivamente, o colombiano estava de volta.
 
Pole, Dixon foi quem mais liderou durante a prova, mas acabou superado não apenas pela dupla da Penske, mas também pelo surpreendente companheiro de Ganassi Charlie Kimball, que brilhou intensamente naquela tarde.
 
Rahal deu nova mostra de que seria a grande surpresa do ano e fechou em quinto, repetindo o feito de ser o melhor da Honda. Muito consistente no ano, Marco Andretti foi o sexto.
 
As 500 Milhas, aliás, vira um acidente feio com Sebastián Saavedra, atropelamento de mecânico da Dale Coyne e batida de Kanaan. Porém, nada que fosse comparado com o que foi visto nos dias que antecederam a prova.
 
Hinchcliffe sofreu um acidente horrível, tendo a coxa perfurada e perdendo muito sangue, o que o fez ficar de fora de todo o restante da temporada 2015. 
 
Antes disso, três capotamentos aterrorizaram e colocaram em xeque os kits aerodinâmicos. Ed Carpenter, Newgarden e Castroneves, em dias diferentes, viram o mundo de cabeça para baixo.
 
No fim das contas, ainda que Saavedra tenha demorado certo tempo para se recuperar, a corrida surpreendeu positivamente por não ter capotamentos em série, como temiam todos da categoria.
Montoya comemora a vitória nas 500 milhas de Indianápolis (Foto: AP)
Muñoz vence 1ª na Indy com show da Andretti na chuvosa Detroit
 
A primeira vitória da carreira de Carlos Muñoz na Indy veio na corrida 1 em Detroit. O colombiano, é bom que se diga, fez excelente pilotagem na chuva, mas o triunfo só veio por conta de uma estratégia fenomenal adotada pela Andretti.
 
Tão bem trabalhou o time naquela tarde para conseguir a primeira vitória em 2015 que Marco Andretti, que já vinha em bom ano, completou a dobradinha do time empurrado pelos motores Honda. 
 
A Penske sofria bastante naquele começo de fim de semana, mas, mesmo assim, ainda encaixou Pagenaud na terceira colocação também acertando na estratégia da prova que teve apenas 47 voltas, já que a chuva e raios forçaram a interrupção.
Carlos Muñoz comemora sua primeira vitória na Indy em Detroit (Foto: Chris Jones/Indycar)
Bourdais completa festa das zebras vencendo corrida 2 em Detroit
 
A sorte parecia estar novamente sorrindo para Montoya quando outra vez por conta da chuva, a classificação foi cancelada, o que fez com que o colombiano fosse pole na prova do domingo. Entretanto, foi a pista secar para os pilotos se enroscarem e, após uma série de paralisações, novamente prevaleceu a estratégia. Dessa vez, quem se deu melhor foi Bourdais, levando a KV ao lugar mais alto do pódio.
 
Pódio esse que foi completado por Takuma Sato e Rahal, que travaram uma disputa bastante ríspida nas voltas finais atrás do segundo lugar. Melhor para o japonês, que se defendeu de forma até polêmica, espremendo o americano contra o muro algumas vezes.
 
Quatro nomes surpreenderam e também figuraram no top-10. O grande nome da prova foi Tristan Vautier, que levou a tenebrosa Dale Coyne ao quarto lugar. Conor Daly também foi bem e colocou a SPM em sexto, enquanto Hawksworth foi sétimo com a Foyt e Gabby Chaves fechou em nono com a Bryan Herta.
 
Aquela foi a prova com maior presença de carros da Honda no top-10: oito. Apenas o vencedor Bourdais e o décimo colocado – e ainda líder do campeonato – Montoya estragaram a festa.
Bourdais comemorou muito a vitória na corrida 2 em Detroit(Foto: IndyCar)
Dixon vence 2ª no ano em decepcionante GP do Texas
 
O GP do Texas é sempre uma das provas mais aguardadas do calendário da Indy. Neste ano, no entanto, o belíssimo oval texano foi palco de uma prova modorrenta, vencida por Dixon. Aquela era a segunda vitória do neozelandês no ano, se credenciando como um dos candidatos ao título, diminuindo a diferença para Montoya na tabela de pontos.
 
Kanaan, em sua melhor performance em 2015, completou a dobradinha da Ganassi, seguido de perto pelo compatriota Castroneves e o regularíssimo Montoya. Marco Andretti foi o último a terminar na mesma volta do vencedor, algo que repetiria em todas as outras provas da temporada até Pocono, sendo o único a atingir o feito em 2015.
Dixon comemora vitória no Texas (Foto: IndyCar)
Sorte sorri para CFH e equipe consegue 1-2 com Newgarden e Filippi em Toronto
 
A CFH teve a primeira dobradinha de sua história na tarde de Toronto. E foi com extrema sorte de ter seus carros nos boxes justamente na hora da bandeira amarela, o que jogou Newgarden e Luca Filippi para os dois primeiros lugares.
 
A Penske teve mais um fim de semana meia-boca, mas ao menos acertou ao fazer Castroneves ter um stint mais longo antes da última parada, o que colocou o brasileiro em terceiro ao fim da corrida.
 
Power ficou com o quarto lugar, enquanto Bourdais, que havia vencido no Canadá em 2014, brilhou muito e deixou muita gente para trás, para assegurar um bom quinto lugar.
Josef Newgarden vibrou muito na dobradinha da CFH em Toronto (Foto: IndyCar)
Rahal quebra jejum em corrida espetacular e polêmica em Fontana
 
As 500 Milhas de Fontana viram uma corrida épica em 2015. Absurdamente marcante em vários aspectos. Antes mesmo da bandeira verde, deixou uma impressão péssima, com o intenso calor na tarde californiana afastando completamente o público. 
 
Na pista, porém, a coisa foi animadíssima. Fontana registrou, neste ano, o recorde de ultrapassagens em uma corrida da Indy em toda sua história, foram 80 ao todo.
 
Além disso, também presenciou a quebra de um jejum gigantesco de Rahal: Após 124 corridas (isso mesmo, cento e vinte e quatro), o americano finalmente voltou a cruzar a linha final antes de todo mundo, vencendo com extrema justiça após fazer várias ultrapassagens bem arrojadas.
 
Tão arrojadas foram as ultrapassagens de Rahal que o americano foi um dos mais criticados pelos colegas após a prova. Para muitos, como Castroneves, as 500 Milhas de Fontana foram excessivamente perigosas, cheia de lances polêmicos e pilotos se espremendo até na grama.
 
No fim, 14 pilotos cruzaram a linha final na mesma volta, com a indefinição tendo permanecido até os metros finais. Andretti, que muito pressionou Rahal nos giros finais após um pit-stop com quatro voltas para o fim, ainda perdeu posição para Kanaan, cruzando em terceiro.  
 
Sage Karam é outro que merece destaque, tendo sonhado bom tempo com a vitória e fechando em quinto, atrás do cada vez mais líder Montoya.
Graham Rahal era só sorrisos com a vitória em Fontana (Foto: Chris Owens/IndyCar)
KV acerta em cheio na estratégia e Bourdais vence em Milwaukee
 
A corrida em Milwaukee não foi tão boa quanto a de Fontana, é verdade, mas o vencedor foi tão improvável quanto. Na base de uma estratégia certeira, a KV empurrou novamente Bourdais para o lugar mais alto do pódio.
 
A estratégia foi o grande fator da prova que viu Castroneves sair do último lugar para a segunda posição, atrás somente do francês. E Rahal, hein? Mais um pódio, terceiro lugar no oval de Wisconsin e a ótima fase mantida. 
 
Montoya, porém, parecia que seria campeão. Até em um fim de semana todo complicado, o colombiano arrumou um quarto lugar, seguido pelo pole da corrida Newgarden.
 
Após a 12ª de 16 provas, Montoya liderava com 439 pontos, contra 385 de Dixon, 370 de Rahal e Castroneves e 369 de Power.
Sébastien Bourdais venceu em Milwaukee (Foto: IndyCar)
Na terra da Andretti, melhor para Hunter-Reay
 
O domínio da Andretti em Iowa é uma coisa impressionante. Em 2015, mais uma vez, a vitória ficou com o time, dessa vez com um improvável Hunter-Reay, que fazia um ano para lá de apagado. 
 
Newgarden, que fazia excelente prova e comandava o pelotão, foi perder a liderança mais uma vez nos boxes, mas ainda conseguiu cruzar a linha final em segundo.
 
Karam fez outra excelente atuação em oval e colocou a Ganassi no terceiro posto. O quarto foi Rahal, cada vez mais forte tentando a aproximação dos ponteiros do campeonato. Muñoz, que fez grande corrida, perdeu performance no fim e foi quinto.
 
Montoya bateu, o que fez com que o campeonato desse uma pequena embolada com três provas para o final. A classificação apontava: Montoya com 445, Rahal com 403, Dixon com 397, Castroneves com 391 e Power com 390.
Hunter-Reay não escapou da zoeira dos mecânicos no Victory Lane de Iowa (Foto: AP)
Bandeira amarela no fim em Mid-Ohio coloca Rahal no páreo pelo título
 
Se ainda existia alguma dúvida de que Rahal tinha ótimas chances de título, ela foi sanada em Mid-Ohio. Na etapa de casa – em que correu com um capacete em homenagem ao time de futebol americano da universidade do estado –, o americano contou com uma bandeira amarela quando já havia feito seu último pit-stop, sendo catapultado para o primeiro lugar mesmo sem ter sido brilhante.
 
Quem deu muito trabalho foi Justin Wilson. O britânico tinha um carro bem acertado e também havia sido beneficiado pela paralisação. Pelo concorrente também ser da Honda e brigar até ali pelo caneco, o gigante inglês achou melhor não forçar a barra e se contentar com aquele que seria o último pódio de sua vida.
 
Pagenaud, apagadão como em quase todo o ano, ainda conseguiu ir ao pódio, diminuindo um pouco o fiasco que foi seu ano de estreia pela Penske.
 
Quem reclamou muito do incidente com Karam que causou a bandeira amarela final foi Montoya. Também pudera: quando o ocorrido aconteceu, Dixon já havia parado, enquanto o colombiano estava na pista, na liderança. Dixon chegou em quarto, Montoya foi 11º.
 
Após a 14ª prova, Montoya vinha com 465 pontos, nove a mais que Rahal, 34 a mais que Dixon, 58 a mais que Castroneves e 59 a mais que Power.
Graham Rahal venceu a corrida em casa em Mid-Ohio (Foto: IndyCar)
Wilson sofre acidente fatal em Pocono. Hunter-Reay brilha e vence a 2ª
 
A prova no oval de Pocono tinha tudo para ser lembrada como uma das melhores da temporada 2015 da Indy. Com excelentes disputas, uma grande vitória de Hunter-Reay, uma atuação espetacular de Chaves e até uma linha de sete carros, a corrida foi para lá de movimentada. Infelizmente, porém, a corrida será eternamente lembrada pelo acidente que matou Justin Wilson.
 
Com 21 voltas para o final da corrida, Karam foi para o muro. No acidente, um grande pedaço do bico de seu carro voou e acertou em cheio a cabeça de Wilson. O inglês não resistiu ao impacto, morrendo no dia seguinte.

A corrida, apesar de toda preocupação que cercava o incidente com Wilson, continuou, enquanto as notícias sobre o estado de saúde do veterano britânico não surgiam.
 
Na prova, a vitória de Hunter-Reay veio somente na última relargada, com o americano superando os surpreendentes Sato e Chaves. Chaves, aliás, era possivelmente o melhor da corrida, levando um péssimo carro quase a uma vitória heroica. Quando era segundo, seu motor estourou, três voltas antes do fim.
 
Assim, Newgarden foi para a segunda colocação, dando novas mostras de seu talento absurdo. Cautelosíssimo, Montoya cruzava a linha de chegada em terceiro e praticamente sacramentava o título.
 
Tudo isso porque Rahal – que disputava ponto a ponto – foi acertado por Vautier e foi parar no muro, abandonando a corrida. Dixon também não foi nada bem: chegou em nono dentre os dez que fecharam a corrida.
 
Hunter-Reay comemorou o resultado, mas Michael Andretti não conseguia esboçar qualquer tipo de reação, claramente preocupado com o estado de Wilson e a falta de maiores informações. 
 
O campeonato tinha ficado com Montoya tendo 500 pontos, Rahal aparecendo com 466, Dixon com 453, Power com 439, Castroneves com 423 e Newgarden com 413, todos com chances matemáticas de título na decisão em Sonoma.
Ryan Hunter-Reay vence as 500 Milhas de Pocono (Foto: AP)
Dixon tem atuação de gala, vence em Sonoma e conquista título de 2015
 
O clima para a última corrida da temporada 2015 da Indy era terrível. Logo após a morte de Wilson, os pilotos iam para Sonoma decidir o grande campeão.
 
A aposta óbvia era Montoya, que havia simplesmente liderado o campeonato inteiro. Se alguém tivesse de tirar o título do colombiano, possivelmente seria Rahal, a grata surpresa de 2015. Mas, no fim, toda a experiência e o espírito vencedor de Dixon falaram mais alto e o neozelandês assegurou mais um título para a Ganassi, com os mesmos 556 pontos do colombiano.
 
Grande campeão, Dixon fez tudo de maneira perfeita. Além de ter um carro impecável na pista californiana, fugiu de qualquer tipo de confusão e venceu de forma muito convincente.
 
Montoya, que tinha tudo para ser campeão, teve um dia difícil. Após acidente com o companheiro Power, perdeu uma série de posições. Nem mesmo a boa recuperação fez com que Montoya superasse o sexto lugar, ficando a uma posição do título.
 
Rahal, coitado, teve uma charrete em suas mãos. A RLL errou feio no carro para a prova final e o americano não teve a menor chance de brigar por qualquer coisa em Sonoma, ficando ainda atrás de Power na classificação do campeonato, em quarto.
 
Hunter-Reay coroou o excelente último quarto de temporada com um segundo lugar, enquanto Kimball e Kanaan brilharam como escudeiros de Dixon e cruzaram a linha final em terceiro e quarto. Ryan Briscoe foi quem evitou o caneco de Montoya, em um excepcional quinto lugar com a SPM.

Pigot, Urrutia e Jamin vencem categorias inferiores

Spencer Pigot foi o grande nome das categorias inferiores da Indy. Na Lights, o piloto salvou a pele dos EUA em 2015 e faturou o caneco, em grande disputa com Jack Harvey, "bivice-campeão".

Na Pro Mazda, não teve para ninguém. O uruguaio Santiago Urrutia deu um show do começo ao fim e mostrou ser um nome a se observar no automobilismo sul-americano.

Na USF2000, por fim, o francês Nico Jamin triturou a concorrência, também se mostrando bastante promissor. Victor Franzoni foi o único brasileiro nessas classes, parte do ano na USF2000, parte do ano na Pro Mazda, em ambas com desempenho bem satisfatório.