Indy

Dixon e Newgarden vencem, mas montanha-russa de Detroit favorece regularidade de Rossi

Em uma rodada dupla que dois dos maiores candidatos ao título venceram, foi um terceiro nome quem saiu do final de semana em vantagem. Mais regular que os rivais, Alexander Rossi mostrou amadurecimento e deixou o filme de 2018 para trás para seguir firme na luta pelo título

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo / GABRIEL CARVALHO, de Campinas
Detroit, 3 de junho de 2018. Sensação da primeira metade da temporada e grande astro da Indy 500, Alexander Rossi chegava na segunda corrida da Belle Isle como o grande nome da Indy e potencial campeão. Impulsionado por uma atuação de gala da última fila para quarto na maior prova do calendário e um pódio no sábado, o americano da Andretti partia para mais um grande resultado na segunda prova da rodada dupla.
 
A corrida foi se desenrolando e Ryan Hunter-Reay tinha controle absoluto das ações. A Rossi restava se conformar com mais um pódio, já que tinha uma liderança circunstancial, ainda precisando parar nos boxes enquanto o companheiro iria até o final. Só que Rossi queria brigar com Ryan mesmo assim, defender uma posição que sequer existia. E foi lutando uma luta imaginária que parou no muro.
 
Aquele resultado acabou, de certa forma, condicionando o final de campeonato de Rossi. Vice, ficou a sensação de que poderia ter jogado menos pontos no lixo e, certamente, a corrida 2 em Detroit é a mais lembrada da lista. O próprio piloto admitiu que precisava mudar um pouco sua abordagem, entender que um campeonato se faz com pontos e não com número de vitórias.
Alexander Rossi teve uma rodada dupla redentora em Detroit (Foto: Indycar)
Detroit, 2 de junho de 2019. Transformado, Rossi encerra um final de semana cheio de confusões na Belle Isle como maior pontuador. Não vence, mas mostra nas duas corridas que sabe a importância de cada ponto no campeonato, se conformando com o segundo e o quinto lugares.
 
A mudança de Alex é claríssima. Mesmo que ainda seja bem arrojado, que goste de disputas e faça ótimas manobras, sabe que tem hora para tudo e acompanhar Josef Newgarden na corrida 1 e fazer o mesmo com Ryan Hunter-Reay na segunda prova mostram bem isso.
 
No domingo, é bem verdade, teve bastante sorte de não ficar no muro com Newgarden e James Hinchcliffe, mas mostrou sabedoria na reta final da prova após boa recuperação. No fim, sem vitória na rodada dupla, foi o maior pontuador e agora é vice-líder do campeonato com apenas 15 pontos de desvantagem para o próprio Newgarden.
 
"Desperdiçamos muitas oportunidades neste final de semana, mas no final, o time fez um bom trabalho e capitalizamos sobre os caras na nossa frente que tiveram problemas. A vitória continua a escapar aqui, mas nós tivemos um bom carro e rápido, acho que isso é bom o suficiente", reconheceu Rossi.
Josef Newgarden bateu na corrida 2 (Foto: Indycar)
E é impressionante como a roda gira rápido na Indy. O que vimos nas duas corridas das ruas da Belle Isle foi uma verdadeira montanha-russa em que praticamente o grid inteiro se envolveu em pelo menos um incidente com maior ou menor prejuízo.
 
Foi justamente o que aconteceu com Newgarden, que estava sendo brilhante até se enroscar com Hinch e Rossi em uma precipitação que não custou só a vitória, mas virou um 19º lugar. Dá para dizer que lembrou muito o que fez o rival da Andretti em 2018, mesmo que estivesse brigado, de fato, por algo.
 
Se no sábado pintava como grande favorito ao título, no domingo é só um dos quatro principais candidatos ao caneco. Josef pegou a montanha-russa e foi do topo ao solo em 24 horas.
 
"Hinchcliffe me tocou, tive de reduzir e ficamos naquela situação com o Rossi atrás de nós. Não posso culpar ninguém, é minha culpa por isso ter acontecido. Achei que o Hinchcliffe não estaria pressionado, e fiquei preso, ainda é minha culpa, deveria ter tomado uma decisão melhor. Claro, não é legal o que fiz, e isso é culpa minha. Me sinto mal e machuca no momento. Peço desculpas ao time, tivemos um bom dia ontem e achei que hoje seria o mesmo. Achei que estávamos bem, mas peguei um pouco de brita, o traçado estava muito limpo e assim que tentei virar, me perdi. Erro meu, deveria ter analisado melhor, ter passado o Hinch por fora. Culpa minha", se lamentou Newgarden.
Scott Dixon foi do inferno ao céu em 24 horas (Foto: Indycar)
24 horas também foi o período para Scott Dixon pegar a mesma montanha-russa, mas no sentido oposto. O neozelandês, falávamos, estava em apuros depois da decepção do muro na corrida 1. Pois bem, como num passe de mágica, surgiu em primeiro na corrida 2 e não saiu mais de lá. São 52 tentos a menos que Newgarden, ou seja, vivíssimo.
 
"Fui tentando manter a temperatura correta nos pneus. Era difícil com os pretos, mas não posso agradecer mais a minha equipe. Ontem foi um dia ruim, mas eu pilotei hoje e eles fizeram a estratégia. Foi a estratégia. Não acredito que estamos aqui hoje. Fantástico. Erramos na classificação, não tínhamos o carro mais rápido, mas estou feliz pela Honda, pela Ganassi e vencemos em Detroit. É sensacional”, comentou Dixon.
 
O único dos candidatos reais ao caneco que foi verdadeiramente tenebroso em Detroit foi Simon Pagenaud. Muito mal nas duas classificações, fez uma primeira prova mediana e, na segunda, foi coletado em um acidente na largada, típico de quem larga no fim do grid.
 
"Um sensor foi danificado depois do contato, não conseguia engatar as marchas e reiniciar. O carro não estava ruim, mas tive que esperar. Os caras fizeram um grande trabalho, voltei e marquei seis pontos, que podem ser importantes no fim. Tivemos a volta mais rápida por meio segundo, o carro estava muito bom. Uma pena que não corremos, porque poderíamos desafiar lá na frente, ganhar pontos. Mas temos de lembrar, acho que saí com sorte hoje. Dia de azar pro Josef, é claro, você não quer ver isso acontecendo, mas o Rossi não marcou muitos pontos, o que é bom para nós", disse Pagenaud.
Simon Pagenaud teve um fim de semana terrível (Foto: Indycar)
A rodada dupla foi especialmente difícil para a Foyt, disparada a pior equipe em Detroit. No domingo, nem há muito o que falar das atuações dos brasileiros. Tony Kanaan foi envolvido no acidente da largada e Matheus Leist abandonou logo depois.
 
"Uma pena que nos envolvemos no acidente da primeira volta. Não tinha espaço, fui acertado e acertei outros pilotos. Então, vamos para o Texas", falou Tony.
 
“Foi uma etapa difícil para toda equipe Foyt aqui em Detroit, tanto eu quanto o Tony [Kanaan] não conseguimos ter competitividade ao longo do final de semana e acabamos com problemas nas corridas. Obviamente abandonar as duas corridas da rodada dupla é muito complicado para o campeonato, mas agora vamos para o Texas e esperamos voltar ao bom momento vivido em Indianápolis”, declarou Matheus. 
 
A lição que fica das provas em Detroit é que a Indy nunca esteve tão dinâmica quanto em 2019 e, se quatro pilotos estão na disputa, isso não é de graça. Tem muito jogo pela frente e o oval do Texas, segunda e penúltima prova neste tipo de pista, vai ajudar a encaminhar bastante coisa.


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