Duelo entre arrojo e cautela leva Dixon ao tri e relega Castroneves a novo vice em ano de transições

No primeiro ano sob administração de Mark Miles, Indy aposta em novidades, vê equilíbrio histórico e testemunha duelo de opostos entre Scott Dixon e Helio Castroneves, com o neozelandês alcançando o terceiro título e relegando o brasileiro ao tri-vice. Campeonato contou, ainda, com triunfo de Tony Kanaan em Indianápolis e adeus de Dario Franchitti

 

A temporada 2013 da Indy trouxe um pouco mais do mesmo em relação às disputas dentro da pista – com Scott Dixon crescendo no momento certo e chegando ao terceiro título na categoria e, em um melancólico contraponto, Helio Castroneves vendo sua liderança virar pó na penúltima rodada do ano e amargando um novo vice-campeonato.

 
Fora das pistas, porém, o campeonato foi repleto de novidades: sob a nova administração de Mark Miles, a série norte-americana inovou no regulamento, implantou três rodadas duplas, largada parada, provas de classificação em Iowa e um calendário com mais corridas em circuitos mistos – fechados ou urbanos – do que nos tradicionais ovais.
 
Foi ano que trouxe, também, um dos maiores equilíbrios já vistos em todos os tempos, com quatro novos vencedores – James Hinchcliffe, Charlie Kimball, Simon Pagenaud e Takuma Sato – e um novo rosto no lendário troféu Borg-Warner, o de Tony Kanaan, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis pela primeira vez na carreira.
 
O início do período de transição da Indy após a administração de Randy Bernard, apesar de alguns erros, trouxe a coragem da inovação e a enorme perspectiva de um campeonato ainda melhor e mais competitivo em 2014. Foram 19 etapas marcantes e repletas de surpresas – algumas delas, sem dúvida, inesquecíveis.
St. Petersburg abriu o novo ciclo da Indy (Foto: Chris Owens/Indycar)
A nova Indy
 
O biênio 2011-2012 marcou um período de extrema dificuldade para a Indy. Uma das principais categorias de monopostos do planeta, a série norte-americana sofreu com problemas administrativos sob o comando de Randy Bernard e, para piorar, enfrentou um duro golpe com a morte de Dan Wheldon em Las Vegas, na última etapa de 2011, em um assombroso acidente múltiplo que envolveu praticamente todos os carros do grid – fruto da imprudência de realizar um evento com 34 carros em um oval veloz e curtíssimo, com apenas 1,5 mi (pouco mais de 2,4 km). Desgastado após a sequência de erros e azares e incapaz de resgatar a audiência e o prestígio da categoria, Bernard não conseguiu se salvar nem mesmo após a implantação do DW12, novo chassi colocado na ativa em 2012 e construído com o intuito de tentar garantir maior segurança à integridade física dos pilotos. 
 
Demitido em outubro daquele ano, Randy foi substituído no comando da Indy pela empresa Hulman & Co., chefiada por Mark Miles. Corajoso e cheio de novas ideias, Miles teve todo o respaldo para fazer de 2013 um ano laboratorial, repleto de inovações que nem sempre agradaram aos pilotos, mas chamaram a atenção do público. A maior delas, além do calendário com 12 das 19 etapas em circuitos mistos, foi a implantação de três rodadas duplas – Detroit, Toronto e Houston – com a previsão inicial de largadas paradas sempre nas segundas corridas, algo que acabou acontecendo somente nas duas últimas cidades mencionadas e que jamais havia ocorrido na Indy. A confusa regra de classificação em Iowa, com as Heat Races, também merece destaque. A busca por novos caminhos, no entanto, agradou a maior parte dos fãs e ajudou a categoria a melhorar sua popularidade – mesmo que ainda esteja longe da fama vivida no início da década de 1990.
 
Ineditismos do início da nova era
 
O início do campeonato deste ano não poderia se apresentar mais alternativo. Na etapa de estreia, em St. Petersburg, James Hinchcliffe, que ainda podia ser considerado um novato na Indy, apresentou desempenho impecável para conquistar sua primeira vitória na categoria, controlando a pressão de Helio Castroneves nas últimas voltas. A segunda etapa, no Alabama, deixou uma falsa sensação de que a normalidade seria retomada, com o então campeão em defesa do título, Ryan Hunter-Reay, abrindo sua conta de triunfos em 2013, enquanto Helinho, que mais uma vez fechou no top-3, assumia a liderança.
 
A rodada seguinte, no entanto, eliminou qualquer possível prognóstico em relação à disputa do título: em Long Beach, contando com um desempenho consistente e conseguindo evitar quaisquer erros e riscos – ao contrário do habitual –, Takuma Sato fez história e se tornou o primeiro japonês a subir ao lugar mais alto do pódio na série norte-americana. Depois de duas conquistas da Andretti, quem se apresentava para quebrar aquela hegemonia momentânea era a pequenina Foyt. Tão surpreendente quanto a glória de Takuma foi, também, ver o nipônico assumir a primeira colocação na tabela de pontos.
 
Bye, São Paulo
 
Maior cidade do hemisfério sul do planeta, a capital paulista se preparou como de costume para receber a Indy às margens do Tietê pela quarta vez consecutiva. Em uma corrida alucinante e repleta de alternativas, arrancando urros do público que lotou as imediações do Parque do Anhembi, a decisão veio somente na última curva: Sato, categórico, se encaminhava para vencer pela segunda vez no ano, mas havia um insano Hinchcliffe em seu caminho. Guiando de um jeito nada menos que genial, o prodígio canadense levou seu carro verde #27 a enfileirar ultrapassagens nas últimas voltas e, na entrada do Sambódromo, aproveitou um vacilo mínimo de seu adversário nipônico para ameaçar a manobra por fora, fazer o movimento do 'xis' e jogar por dentro, rasgando a reta e recebendo a bandeira quadriculada na primeira posição. 
James Hinchcliffe (Foto: Felipe Tesser/Grande Prêmio)
Ninguém sabia, mas era a despedida da prova paulistana do calendário da Indy: por questões financeiras envolvendo a TV Bandeirantes – detentora dos direitos da categoria no Brasil e, consequentemente, co-promotora do evento –, o país saiu do campeonato de 2014. O triunfo do adeus esteve muito próximo das mãos de Tony Kanaan, que dominou boa parte do GP e era líder quando abandonou com pane seca – um erro clássico da KV e que arrancou lágrimas de frustração do brasileiro diante de um público que flertava entre a admiração e a tristeza. Naquele mesmo mês de maio, porém, o choro voltaria a besuntar as narinas de 'TK', que estava prestes a viver a maior felicidade de sua carreira…
 
A glória máxima de Tony
 
O céu não parecia tão iluminado como de fato estaria nas horas derradeiras daquele nublado e cinzento 26 de maio, nas imediações do Indianapolis Motor Speedway, um dos grandes palcos lendários do automobilismo mundial. O grid para a 97ª edição das 500 Milhas de Indianápolis era o retrato de uma temporada confusa e despida de favoritos ao título: havia um improvável Ed Carpenter na pole e, na segunda posição, o desconhecido Carlos Muñoz, colombiano que fazia sua estreia na Indy ocupando o quinto carro da Andretti. Apesar da longa duração e das enormes possibilidades da prova, o prenúncio não era positivo para os brasileiros: Castroneves partiria em oitavo e Kanaan, apenas em 12º. 
 
O que se testemunhou naquela tarde em Indiana, no entanto, foi uma das provas mais técnicas já vistas no sagrado superoval norte-americano. Carpenter, naturalmente, sucumbiu à pressão e não conseguiu figurar por muito tempo entre os líderes – algo que Tony rapidamente alcançou: cauteloso e pronto para o bote sempre nos momentos mais apropriados, o brasileiro permaneceu o tempo todo entre os seis primeiros, a todo momento cercado por Marco Andretti, Hunter-Reay, Will Power, AJ Allmendinger e Muñoz. O baixo número de acidentes, o ritmo alucinante durante toda a corrida e as infindáveis trocas de posições entre os primeiros colocados resultaram naquela que foi a edição mais rápida e com maior número de trocas na liderança de toda a história da Indy 500. Mas quem estava na ponta no momento que realmente importava era 'TK'.

Então segundo colocado quando uma escapada de Graham Rahal provocou a penúltima bandeira amarela do dia, Kanaan aproveitou a relargada para voar para cima do líder Hunter-Reay e tomar a liderança do norte-americano. A manobra foi tão plástica que Muñoz, terceiro, também entrou no vácuo do piloto da KV e o trio permaneceu emparelhado por vários segundos. Tony passou e Carlos, idem, relegando RHR ao terceiro posto. Restavam míseras sete voltas para o final. Entrou em cena, então, um dos antagonistas de 2013: Dario Franchitti. Velho amigo do brasileiro, o piloto da Ganassi estampou o muro externo, sem tanta força, mas com violência suficiente para espalhar detritos por toda a pista. A nova amarela, definitiva, ficou até a bandeira quadriculada.

O choro de Kanaan, agora, era de felicidade por escrever seu nome entre os gigantes da história do automobilismo e, enfim, levar a sonhada vitória em Indianápolis, feito que teimava em lhe escapar. Um desempenho épico em uma prova tensa e de emoções elevadas a níveis altíssimos por conta do equilíbrio do grid. Missão que, meses depois, valeria a 'TK' a credencial e um passaporte para a poderosa Ganassi.

 
Ressaca e sobrecarga pós-Indianápolis
 
Os acontecimentos da Indy 500 esvaziaram as três etapas seguintes da temporada, tal qual ocorre em relação ao futebol de clubes após a realização de uma Copa do Mundo. A luta pelo campeonato prosseguia, mas havia ficado momentaneamente em segundo plano: poucos tinham se dado conta de que o líder, agora, era Andretti. 
 
Apenas seis dias depois de Indianápolis, a categoria se reuniu novamente para a extenuante rodada dupla de Detroit, com uma alteração que, naquele instante, seria significativa: a troca de Bia Figueiredo por Mike Conway na Dale Coyne. De cara, na corrida 1, o inglês mostrou brilhantismo e subiu ao alto do pódio logo em sua estreia na temporada, em uma corrida que, no geral, foi apática, porém marcada por múltiplos acidentes. Na segunda prova, quem triunfou foi Simon Pagenaud, mais um a debutar na lista de vencedores da Indy em 2013.
 
Quinto colocado na primeira prova e oitavo na segunda, mesmo discreto, Castroneves empatava com Marco na liderança do campeonato. Começava a se desenhar, enfim, um cenário mais próximo do que de fato seria a disputa pela taça do ano.
 
Vitória solitária de Helinho
 
Quando a Indy desembarcou no Texas para a oitava rodada do campeonato, ninguém ainda havia despontado como possível favorito destacado ao título. A regularidade de Castroneves lhe servia como trunfo, mas a ausência de resultados expressivos do duo mais forte do grid – Penske e Ganassi – tornava qualquer prognóstico incerto. Nas sete rodadas anteriores, Andretti, Dale Coyne, Foyt, KV e Schmidt dividiram entre si as vitórias. Para completar, nenhum dos dois líderes do campeonato havia triunfado até então.
Helio Castroneves celebra vitória no Texas: única de 2013 (Foto: John Cote/IndyCar)
A situação se modificou na noite de 8 de junho, quando, enfim, a Penske acordou e deu a Helio um carro capaz de duelar diretamente pelas primeiras posições, sem brigar apenas pelas sobras. Com performance convincente, o brasileiro venceu com facilidade e se destacou como líder isolado na tabela de pontos, surgindo definitivamente como o cara a ser batido – ainda que não impusesse um domínio flagrante diante de tanto equilíbrio. No fim das contas, acabou por ser a única vitória do 'Spider Man' em toda a temporada.
 
A agonia de Iowa
 
Passada a etapa de Milwaukee, onde Hunter-Reay alcançou a segunda vitória em 2013 e, também, onde Castroneves ampliou sua vantagem na liderança após fechar a corrida em segundo, a Indy chegou a Iowa para a décima rodada, que abria a segunda metade do campeonato. A grande novidade para esta etapa estava no inovador e caótico formato de classificação para a definição do grid, com a implantação das Heat Races, baterias de corridas realizadas no sábado e que definiram as posições de largada para a corrida que de fato valia, no domingo. Um sistema complexo e que pouco despertou interesse do público, já que as arquibancadas locais estavam às moscas no dia do evento.
 
A primeira parte incluiu uma volta lançada para cada um dos 24 pilotos inscritos naquela prova. Os seis mais rápidos avançaram direto para a Heat que valeria a definição da pole. Os 18 restantes se dividiram em dois grupos com nove carros cada, e cada grupo realizou sua própria Heat, com 50 voltas cada. Os dois primeiros de cada uma das baterias se juntaram aos seis que já haviam se classificado direto para a Heat final na primeira tomada de tempos, somando uma última corrida, também de 50 voltas, com dez pilotos. Assim, foi definido um grid sem tempo de volta e, para piorar, mutilado por várias punições distribuídas a pilotos que trocaram de motor e perderam dez posições no grid. Um cálculo complexo e que exigiu um verdadeiro manual de instruções, ou ainda alguma espécie de guia, para ser entendido. No fim das contas, a pole ficou, de fato, com Will Power.
 
A corrida que valia, no domingo, contou com casa cheia e mais um desempenho soberbo de Hinchcliffe, agora já consolidado como estrela ascendente da Indy. O canadense dominou com extrema facilidade a etapa e chegou ao seu terceiro triunfo na temporada, em um dia marcado por poucas emoções e raras disputas apenas no pelotão intermediário.
 
A trinca de Dixon
 
Diante do limbo vivido pela Ganassi na primeira metade do campeonato, nem Franchitti nem Scott Dixon figuravam entre os líderes na classificação geral. O escocês saiu de Iowa em uma melancólica 12ª posição, com 202 pontos, enquanto o neozelandês era o sétimo, com 240. Para efeito comparativo, o líder Castroneves ostentava 332, nada menos que 92 a mais do que aquele que em breve viria a ser, tardiamente, seu grande adversário na luta pelo título.
 
A 11ª rodada marcava o retorno de Pocono ao calendário da Indy, longos 24 anos depois de sua saída. O clássico tri-oval causava a expectativa de uma corrida empolgante, mas o que se viu foi um evento cujo grande destaque, isolado, foi o resultado final: na base da estratégia, a equipe fundada por Chip Ganassi conseguiu uma surpreendente trifeta, levando Dixon à primeira vitória dele e do time no ano, seguido por Charlie Kimball e Franchitti. Tudo porque apesar de os motores Honda que equipavam o time serem inferiores aos Chevrolet da Penske, o consumo de combustível era menor nos propulsores nipônicos, o que favoreceu o gigantesco feito liderado pelo então bicampeão da categoria.
 
Apenas seis dias depois, Toronto recebeu a segunda rodada dupla do campeonato – a primeira que, enfim, contou com largada parada, algo que se viu pela primeira vez na história da categoria na corrida 2 em solo canadense, já que o procedimento foi abortado na corrida 1. Ambas – empolgantes, repletas de boas ultrapassagens e acidentes insanos – foram vencidas por Dixon. E o neozelandês só não cravou 100% de aproveitamento no Canadá porque conseguiu a pole 'apenas' para a segunda prova – na primeira, quem ficou na posição de honra do grid foi seu companheiro de equipe, Franchitti.
 
A assombrosa reação da Ganassi definiu o cenário real do que foi a disputa de 2013: a diferença de 92 pontos para Castroneves havia caído para 29 e, ao menos nos circuitos mistos, sabia-se que o piloto da Oceania seria presença constante entre os primeiros colocados daquele momento em diante. Uma sombra indelével na vida de Helio.
Largada da segunda prova da rodada dupla da Indy em Toronto (Foto: Chris Trotman/Getty Images)
Ataque vs. Defesa
 
A reta final estava aberta. Em no máximo seis corridas, o campeão da Indy em 2013 seria conhecido. E, apesar da arrancada memorável do arrojado Dixon, a cautela e o conservadorismo de Castroneves continuavam lhe rendendo a manutenção na liderança do campeonato. A Ganassi, entretanto, havia se tornado a 'dona da bola' no campeonato.
 
O súbito domínio foi tão impressionante que até Kimball teve o prazer de conhecer o gosto da vitória em Mid-Ohio, 14ª etapa do ano. Neste momento, a maior preocupação de Helinho já era somar mais pontos que seu rival neozelandês. Em Lexington, o brasileiro conseguiu: freou a ascensão de seu rival e chegou em sexto, logo à frente de Scott, sétimo.
 
Em Sonoma, a Ganassi manteve a hegemonia e fez dobradinha no grid, com Franchitti na pole e Dixon em segundo. Rapidamente, o piloto do carro #9 assumiu a liderança e certamente venceria com extrema facilidade, não fosse uma polêmica punição a ele aplicada por ter atingido um mecânico da Penske na saída de seu último pit-stop, quando era líder isolado da prova. Power triunfou e Castroneves, mais uma vez cuidadoso, foi sétimo, voltando a ampliar um pouco mais sua vantagem sobre seu adversário mais próximo: 479 a 440.
 
Em Baltimore, mais polêmica: em uma corrida marcada por uma sucessão inacreditável de acidentes e na qual apenas dez dos 24 pilotos cruzaram a linha de chegada, Dixon fatalmente chegaria à frente de Helio, que vinha uma volta atrás por conta de erros dos boxes, acidentes e punições ao longo do GP. Contudo, em uma das relargadas, o neozelandês foi espremido no muro dos boxes por Power, bateu e deixou a disputa, vencida por Pagenaud, com Castroneves em nono. O resultado levou o brasileiro a 501 pontos, contra 452 de Scott. Ao contrário de seu destemido adversário, o conservadorismo de Helinho lhe permitia chegar a Houston em condições de ser campeão antecipado. O primeiro título batia à porta.
 
O pesadelo de Castroneves
 
Restavam apenas três etapas para o fim do campeonato. Castroneves, no entanto, poderia fechar a conta já na corrida 2 da rodada dupla de Houston. A excessiva cautela, no entanto, desta vez veio acompanhada também da velha má sorte que sempre lhe acomete nos momentos decisivos e que, nos últimos anos, sempre lhe tirou o sabor do título.
 
Na corrida 1, um desempenho inesperadamente desastroso rendeu ao brasileiro um péssimo 22º lugar no grid, com Dixon largando em terceiro. O resultado final da prova foi ainda mais traumático: enquanto Helinho abandonou a dez voltas do fim com o câmbio quebrado, seu rival da Ganassi venceu pela quarta vez no ano. A diferença entre ambos, que até Pocono era de 92 pontos, chegava a míseros sete. Scott se mostrava impecável no momento decisivo.
 
A sessão classificatória para a segunda prova, prevista para a manhã do domingo, teve que ser interrompida por conta de uma tempestade que tornou as onduladas e esburacadas ruas de Houston impraticáveis para os monopostos da Indy. Com isso, o grid foi montado de acordo com as posições no campeonato. Castroneves, portanto, saiu na pole e até conseguiu manter a liderança por alguns giros, mas não demorou para que seu câmbio voltasse a apresentar problemas e o brasileiro despencasse no pelotão até abandonar. Em uma vã tentativa de salvar alguns pontos, Helio ainda voltou à pista, mas completou o GP com 37 voltas de atraso, na 23ª colocação. Power venceu, com Dixon logo atrás, em segundo.
 
O sonho do piloto da Penske virava pesadelo. Restava apenas uma prova, e a liderança agora era da Ganassi #9: 546 a 521. Só um milagre daria o título a Castroneves.
 
A disputa pelo título, porém, ficou em segundo plano ainda na última volta da corrida 2 da rodada dupla em Houston: ao tentar superar Sato em briga válida pela oitava posição, Franchitti perdeu o controle de seu carro e decolou por sobre a Foyt do japonês, alçando voo e batendo com violência contra o alambrado na parte externa da pista, girando várias vezes no ar e parando no chão com o carro completamente destruído. Dario chegou a ficar inconsciente e foi levado de helicóptero ao Memorial Hermann Hospital, onde recebeu os primeiros atendimentos e, em seguida, transferido a um hospital em Indianápolis, passou por cirurgias no tornozelo e na coluna. Por tabela, estava fora da etapa final de 2013.
O violento acidente de Franchitti em Houston (Foto: Reprodução/Twitter)
Dixon tricampeão
 
A virada protagonizada por Dixon sobre Castroneves em Houston, de certa forma, esvaziou a importância da etapa de Fontana, derradeira prova da temporada 2013. O nítido contraste entre a ascensão meteórica do piloto da Ganassi e a queda de rendimento do representante da Penske escancarava a sensação de que só mesmo um golpe de sorte poderia render ao brasileiro seu tão sonhado título na Indy.
 
Como previsto, contudo, o milagre não veio para Helinho. Mesmo na mais problemática das 'provas de resistência' da categoria no ano, a sorte não lhe sorriu: apenas sete dos 25 pilotos que largaram conseguiram terminar o GP, mas Dixon estava entre eles. Pior: à frente do ribeirão-pretano. A quinta posição do piloto da Ganassi lhe valeu o merecido tri, o que o igualou a nomes como Rick Mears e Bobby Rahal, dois tricampeões históricos.
 
A Helio, sexto, restou mais uma vez o amargo sabor do vice. O triunfo ficou nas mãos de Power, que resolveu inverter seu padrão habitual em 2013 e passou a andar melhor nos circuitos ovais do que nos mistos. Com quatro vitórias e 577 pontos contra apenas um triunfo e 550 pontos de Castroneves, Dixon alcançou uma conquista incontestável e, aos poucos, coloca cada vez mais seu nome entre os maiores da história da categoria.
Dixon e a bela Emma, sua noiva, após conquista do tri (Foto: Chris Jones/IndyCar)
O adeus de Franchitti
 
O encerramento do campeonato de 2013 da Indy trouxe consigo algumas boas novidades, como a transferência de Kanaan da KV para a Ganassi a partir de 2014 e o retorno do campeão Juan Pablo Montoya à categoria, desta vez como terceiro piloto da Penske.
 
As boas notícias, no entanto, não foram capazes de suprir aquele que talvez seja o maior baque da série norte-americana desde a morte de Wheldon em 2011: Franchitti, um dos grandes nomes da história do automobilismo, anunciou sua aposentadoria precoce em função das consequências do acidente sofrido em Houston, no penúltimo GP do ano.
 
Lenda viva da Indy, Franchitti recebeu orientações médicas e foi recomendado a abandonar as pistas, caso contrário, um novo acidente poderia de fato lhe custar a vida em função das sequelas permanentes deixadas pela violência de sua batida no Reliant Park, em sua última aparição como piloto da categoria.
 
Como última homenagem, Kanaan, grande amigo do escocês, foi realocado no carro #10 da Target, ao invés do #8 da NTT Data, com o qual correria inicialmente. Um destino digno ao número que se tornou lenda através das mãos de Dario.
 

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