Indy

Em realidades distintas, Newgarden e Dixon vivem noite de campeões em Iowa

Enquanto Josef Newgarden acelerou até não poder mais, foi agressivo e soube se defender para vencer com autoridade em Iowa, Scott Dixon fez milagre e contou com a sorte para se recuperar de duas voltas de atraso para fechar em segundo. Cada um com seu estilo, cada um na sua realidade, os dois tiveram uma corrida em que mostraram do que são feitos

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo / GABRIEL CARVALHO, de Campinas
O grid da Indy em 2019 é um dos melhores de todos os tempos, não resta a menor dúvida sobre tal fato. Acontece que, no meio de uma série de bons pilotos, existem alguns que são totalmente fora da curva. Neste domingo (21), na corrida da madrugada na chuvosa Iowa, dois deles brilharam intensamente: Josef Newgarden e Scott Dixon.
 
A dupla forma, certamente, a trinca de melhores pilotos da atual geração ao lado de Alexander Rossi que, desta vez, não foi fantástico como de costume. Josef e Scott, primeiro e segundo no oval curto de Newton, respectivamente, chegaram lá de formas completamente distintas, mas que mostram bem do que são feitos.
 
No caso de Newgarden, por mais que se trate de alguém que esteja mais regular e cerebral em busca do bicampeonato, estamos falando na essência de um dos caras mais arrojados e habilidosos do grid. Iowa foi palco para que o #2 mostrasse isso com defesas, ultrapassagens e, claro, um ritmo muito forte.
Josef Newgarden deu show em Iowa (Foto: Indycar)
Aí entra o segundo ponto: se tanto falamos que a Penske não vinha sendo dominante, em Iowa foi diferente, só deu a equipe do Capitão Roger. E foi Josef quem soube aproveitar isso, ignorando uma classificação ruim e controlando com maestria a prova. Cada espaço tirado, cada metro aberto para os rivais, enfim, tudo foi feito de forma precisa, da forma que manda a cartilha de alguém que quer ser bicampeão em um espaço de meros três anos na Penske.
 
"Quero agradecer aos fãs que ficaram. Sinto muito que demorou, mas ainda bem que aconteceu. Não podemos controlar o tempo, meu time foi sensacional, não consigo agradecê-los o suficiente. Tivemos três carros fortes. Queria ser o mais rápido e consegui, o carro era ótimo, tive que ser bom com o tráfego e estamos animados pelo time, eles trabalharam duro. Foi legal ter a prova noturna, acho que se o tempo não aparecesse, não teríamos as luzes. Temos que apenas correr. É cedo, o que aconteceu hoje ajuda, mas não é suficiente. Você nunca tem pontos suficientes, precisamos apenas ficar no topo", explicou o agora líder por 29 pontos de vantagem para Rossi.
 
Passemos para Dixon, o cara que ficou logo atrás de Newgarden na prova. Bom, se o americano venceu ao seu estilo, o neozelandês foi segundo com a sua marca registrada: estratégia precisa de quem consegue poupar equipamento muito mais do que os rivais. Mas também talento, capacidade de fazer acontecer, como foi no stint final, se aproveitando dos pneus mais novos que dos rivais.
Scott Dixon beliscou um segundo lugar que só Scott Dixon (Foto: Indycar)
É possível até traçar um paralelo aí entre os dois, afinal, Scott também estava fugindo um pouco de seu normal e precisando acionar o modo 'anti-Dixon' para fazer a Ganassi andar de alguma forma, sendo mais agressivo, indo mais para os embates. Em Newton, simplesmente não teve como, o carro não deixou, mas lá está o multicampeão levando mais um troféu para casa.
 
"Só tenho que agradecer o time. Tentamos alongar o último stint e demos sorte de pegar a amarela, que nos manteve na volta do líder, com apenas nove carro. Sinceramente, eu fui segundo e imaginei que seria o 22º. Gastamos os pneus rápidos, eu e o Felix tivemos dificuldades. Não consigo agradecer o time o bastante, a estratégia foi ótima. Não vencemos, mas hoje foi uma loucura, eu aceito", disse Scott, quarto colocado no campeonato e, ainda que distante de Newgarden, com o estrago reduzido e a distância em 98 tentos para o rival.
 
O único do trio-de-ferro de estrelas do grid da Indy que realmente esteve abaixo foi Rossi. Mas dá para dizer que o americano só não foi brilhante, mas não que tenha ido mal. Primeiro porque foi o melhor de uma Andretti sofrível, segundo porque a Honda em si não foi lá essas coisas.
Alexander Rossi foi apenas sexto (Foto: IndyCar)
É verdade que teve espaço para mais uma bela salvada de Rossi, que quase estampou o muro, mas o sexto lugar parece ser daqueles que, lá no fim do ano, lembraremos que fez diferença na acirradíssima batalha com Newgarden. O discurso do americano vai um pouco na linha, inclusive.
 
"Hoje foi um golpe. Sabíamos que seria duro e foi. Conseguimos o máximo de pontos que poderíamos tirar e foi o nome da nossa corrida. De onde saímos ontem, acho que o time fez um grande trabalho em maximizar o máximo possível. Esta é uma das pistas que não trouxemos algo para competir", reconheceu.
 
E o enigma Simon Pagenaud, hein? Bom, a grande chance para voltar ao páreo foi perdida com uma atuação para lá de mediana. Da pole, o francês foi perdendo força e ficando para trás em todas as brigas importantes da corrida, perdendo até o pódio para James Hinchcliffe. O quarto lugar, no fim, nem foi ruim assim pela performance, mas péssimo para o campeonato.
A largada em Iowa já mostrava a madrugada que teria Simon Pagenaud (Foto: Indycar)
"Acho que o Josef foi incrível esta noite. Tivemos um ótimo carro, só tivemos muitos problemas com understeer. Acho que foi nosso problema, e foi o ritmo que tivemos. Acho que o Scott fez um grande trabalho com pneus no fim. Acho que conseguimos tirar o melhor desta noite", declarou o terceiro no campeonato, agora 58 pontos atrás do companheiro de Penske.
 
Longe do G4 e até do marasmo das posições intermediárias, a Foyt luta, em geral, contra ela mesma. E teve um resultado simplesmente fantástico com Tony Kanaan, que chegou em décimo após quase tomar uma volta do líder antes das 20 voltas na corrida. Uma tremenda atuação do veterano, o terceiro top-10 do time que segue com o pior carro do grid em 2019.
 
"Viemos aqui com o objetivo de terminar no top-10 e acho que foi um bom dia apesar de alguns erros que fizemos. Conseguimos fechar no top-10, foi um bom dia, um bom começo, mas ainda temos bastante trabalho a ser feito", resumiu.
Tony Kanaan foi um dos nomes da noite em Newton (Foto: IndyCar)
Matheus Leist não conseguiu seguir na mesma volta de Kanaan e dos primeiros colocados, mas também não foi mal com o péssimo carro que tinha. No fim, bateu, por exemplo, Ryan Hunter-Reay, terminando em 16º.
 
"Acho que do jeito que começamos o fim de semana, foi uma boa corrida. Passei alguns carros e tive um ritmo decente, foi apenas questão de pneus, estratégia e confiança, mas não nos apegamos a isto. Pelo menos terminamos esta e acho que fizemos um grande trabalho, e um ótimo trabalho do Tony com o décimo lugar. Também, acho que foi uma grande evolução do ano passado e do último oval que foi o Texas, onde tive vários problemas com a direção, então, acho que foi positivo. É claro que 16º não é onde queríamos terminar, mas terminamos apenas duas voltas atrás", afirmou.
 
Com apenas cinco corridas pela frente, a temporada 2019 da Indy já estará na história como uma das de melhor nível técnico dos pilotos e também das corridas. Fora isso, lá na frente, poderemos lembrar das atuações marcantes que Newgarden e Dixon, cada qual com seu estilo, tiveram na madrugada louca em Iowa.

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