Indy

Enigma, Pagenaud revive maio em julho perfeito. Mas dá para confiar agora?

Simon Pagenaud é um caso de estudo na temporada 2019. Com meses de total inércia e um maio perfeito, o francês começa a caminhar para um julho igualmente imbatível, mas até onde pode ir com tamanha irregularidade?

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo / GABRIEL CARVALHO, de Campinas
O desempenho de Simon Pagenaud na temporada 2019 da Indy é um completo enigma. Nenhum outro piloto do grid passou nem perto de ter um rendimento que oscila tanto de uma hora para outra e, principalmente, que varia tanto de um mês para o outro.
 
Sim, é isso mesmo. Pagenaud é o cara do tal maio perfeito, o homem que chegou para as provas de Indianápolis sem ter feito rigorosamente nada na temporada e, de repente, venceu a corrida no misto, fez pole e venceu nada menos que as 500 Milhas de Indianápolis. Agora, parece que quer repetir a dose em julho.
 
O que é mais curioso na saga de Simon é que foram nada menos que quatro corridas no intervalo de tempo entre maio e julho e nem sequer um top-5 conquistado, ou seja, junho foi de draga como vinha sendo o início do ano. Aí veio uma pausa, Pagenaud voltou a virar a chavinha, focou no que precisava e chegou com tudo em Toronto.
 
Pole e vitória nas ruas canadenses formaram o primeiro passo de alguém que precisa de muito para bater rivais tão fortes como Josef Newgarden e Alexander Rossi e, nesta sexta-feira (19), o 100% mensal foi mantido com a pole firme em Iowa.
Simon Pagenaud sai da pole (Foto: Indycar)
"Foi intenso com a temperatura alta. A temperatura da Pista era de 57,2ºC. Nestas condições, o carro escorrega um pouco. O segredo é ter o balanço correto no carro. Tivemos uma prévia do que seria de manhã correndo com o tráfego, sabíamos que precisaríamos de alguns ajustes para ficarmos fortes em longos stints. No fim, fizemos um bom treino. Meu engenheiro Ben Bretzman é muito bom nisso. Trabalhamos os pequenos detalhes e tivemos certeza que teríamos equilíbrio e aderência nas curvas", disse o pole.
 
Dá para dizer que o mês tem seis sessões fundamentais, contando ainda com a prova de amanhã, classificação e GP de Mid-Ohio e, até aqui, só deu Pagenaud. Agora, dá para crer que a série invicta siga para outras corridas, para outros meses? Como crer realmente que o francês vai chegar atropelando e ser campeão com desempenhos tão medíocres nos meses não chamados de maio e julho em 2019?
 
Enfim, Simon ainda precisa responder algumas questões e tentar entender o que acontece de um mês para o outro, afinal, vai ser muito complicado buscar o bicampeonato mesmo com dois meses sendo imbatível. De todo modo, uma eventual vitória neste sábado poria fogo de vez na batalha pelo título.
 
Em uma rápida projeção, caso a corrida acabe com a ordem que irá começar, Newgarden seguirá como líder, abrindo 11 pontos para Rossi, mas com Pagenaud apenas 21 atrasado. Na reta final, a Indy pega fogo e, por mais estranha e oscilante que seja, ganha uma terceira via real no páreo. Falta que o francês prove que pode ser um pouquinho mais regular, é o que ainda está faltando.
Josef Newgarden parte de terceiro (Foto: IndyCar)
"É, não foi bom o bastante hoje, então vamos para amanhã. Acho que vai ficar tudo bem, só não foi o suficiente. O carro é bom, Chevrolet fez um grande trabalho, vamos trabalhar para a corrida", reconheceu um Newgarden que foi o pior do trio da Penske na classificação e tinha boa chance de pole com um carro muito veloz e tendo liderado o TL1", falou o líder do campeonato.
 
A boa notícia para Newgarden é que Rossi e a Andretti não começaram com o pé direito no oval curto de Newton. Tudo pode mudar no TL2 noturno, no que promete ser uma simulação das condições que veremos na corrida.
 
"Foi um dia difícil, com certeza. Não conseguimos focar em uma parte do carro, estamos lutando. Sexto lugar é o nosso potencial, talvez o quarto. Os carros da Penske eram bem fortes, o que é uma pena. Temos mais um treino para realmente acertar o carro", comentou Alex.
Alexander Rossi sabe que precisa crescer na corrida em Newton (Foto: Indycar)
A pior das situações é a de Scott Dixon, que precisa de grandes resultados para tentar mais um título e não consegue ficar sempre no topo. O neozelandês vai ter de remar do oitavo lugar no sábado.
 
"Tentamos coisas diferentes hoje na classificação e faltou um pouco. Acho que o carro está bem nos stints longos. Espero que estejamos bem na corrida. É claro que as condições vão mudar e você precisa estar preparado. Não importa onde você larga aqui, exceto se for o último. Vamos continuar trabalhando e espero ter um carro para competir amanhã", explicou Scott.
 
A dupla de brasileiros da Foyt teve performances bem diferentes, mas opiniões parecidas: foi uma classificação dura. Tony Kanaan conseguiu se meter no meio do pelotão e sai de 13º, enquanto Matheus Leist parte de 22º.
Tony Kanaan teve uma das melhores classificações do ano (Foto: IndyCar)
"Frustrante. Acho que poderíamos ser melhores. Tinha óleo na pista e pagamos o preço por classificar primeiro. A pista está melhorando. O sorteio é feito pela classificação no campeonato e não fomos favorecidos saindo atrás. É uma pista em que já liderei mais de 500 voltas e tenho vários pódios, espero que seja o nosso fim de semana da virada", falou Tony.
 
"Classificação difícil em Iowa, para ser sincero. Achei que estaríamos melhores, mas é isso. A pista estava bem suja na parte de fora e corri no lado de fora o treino livre inteiro. Não tentei o lado de dentro, e na volta de aquecimento, estava muito escorregadio, precisei trocar a linha e fui por dentro. Todos precisam adaptar, mas eu não sei, não fiz um grande trabalho. Apenas pensando na corrida agora", complementou Matheus.

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