Ex-médico-chefe da Indy reforça alerta para corridas “mais assustadoras que empolgantes” de Fontana e Daytona

Falando a respeito dos graves acidentes que aconteceram nas duas últimas semanas na Indy e na Nascar, o médico Steve Olvey avisou que as duas categorias estão brincando com o perigo com carros andando tão próximos assim

A Indy e a Nascar tem de trabalhar para evitar que acidentes como os que aconteceram em Fontana e em Daytona nas últimas duas semanas não se repitam. Quem reforça o alerta é Steve Olvey, ex-médico-chefe do campeonato norte-americano de monopostos.
 
Nesta sexta-feira (10), em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, os brasileiros Helio Castroneves e Tony Kanaan falaram sobre o assunto mostrando bastante reticência. Para Castroneves, alguns pilotos “desrespeitaram o limite” na última etapa, dentre eles o vencedor Graham Rahal.
Acidente com Ryan Briscoe na chegada em Daytona (Foto: AP/Will Lester)
A corrida na Califórnia, no fim de junho, terminou com o Ryan Briscoe capotando depois de um acidente que envolveu também Ryan Hunter-Reay na abertura da derradeira volta.
 
Já no domingo, em Daytona, Austin Dillon decolou e teve seu carro destruído no impacto contra a barreira de proteção. O norte-americano cobrou que as velocidades na Nascar sejam reduzidas: “Você só reza e espera chegar ao final”.
 
Todos os pilotos desceram do carro andando com as próprias forças.

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“Eu brigo comigo mesmo por causa deste equilíbrio”, afirmou Olvey em evento da FIA no México nesta sexta. “As corridas são empolgantes, mas são mais assustadoras do que empolgantes.”
 
“Falei com dois ou três pilotos da Indy, entendo o que eles estão dizendo e concordo com ele: se você faz regras que agrupam todo mundo, cria uma situação muito perigosa. Em Fontana, eles estavam passando de 360 km/h lado a lado, e tudo o que é preciso é um escorregão de um deles e você tem uma reação em cadeia. É arriscado demais”, destacou.
 
“Todas as coisas que fizemos se tornam imprevisíveis. O que fazemos é olhar para o que é previsível e aconteceu no passado. Tivemos sorte em Daytona e em Fontana por não ver ninguém seriamente machucado, mas isso facilmente poderia ter acontecido”, o médico acrescentou.
Austin Dillon decolou sobre duas fileiras de carros para atingir o alambrado em Daytona (Foto: AP)
Olvey também foi perguntado sobre concussões no automobilismo e o acidente sofrido por Fernando Alonso na pré-temporada em Barcelona. E ressaltou que é preciso tomar todo o cuidado possível.
 
“Dez, 15 anos atrás, quando um piloto saía do carro, dizíamos ‘ah, ele só teve uma concussão, está OK’. Agora sabemos, por fatos que aconteceram no hóquei, no futebol e no futebol americano, que concussões sucessivas muito próximas uma da outra podem causar doenças severas”, comentou.
 
Ele fez um alerta em especial para jovens pilotos de kart: “Os sintomas com frequência só aparecem depois de 24 a 48 horas, então precisamos fazer o diagnóstico cedo e tratar as crianças apropriadamente, não deixá-los voltar muito à competição, pois isso causa repetidos insultos ao cérebro e doenças mais tarde na vida”.

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