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Guia Indy 2015: Em ano de aero-kits, mudanças no livro de regras são pontuais, mas podem ser decisivas

O livro de regras da Indy não sofreu mudanças revolucionárias para o ano de 2015. No entanto, as mudanças pontuais feitas podem ser decisivas. Uma delas dá conta das corridas que distribuem pontuação dobrada. Eram Indy 500, Pocono e Fontana; agora são Indy 500 e Sonoma, nova casa do encerramento da temporada
Warm Up / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
 Chevrolet apresenta kits aerodinâmicos para a temporada 2015 da Indy (Foto: IndyCar)
NOVA TEMPORADA
, novas regras em uma categoria que diz abertamente querer internacionalizar a marca. Para tanto, a Indy trabalha em vista de completar uma dificuldade que sempre teve: desafiar. Nos EUA, a Nascar; no resto do mundo, a F1. E pela primeira vez em anos, a categoria mostra uma postura que não é de número dois inconteste, mas de desafiante.
 
É dessa forma que vai correr quase toda a temporada 2015 em domingos. Também é nessa baila que investe nos aero-kits. Carros empurrados por Chevrolet e Honda terão não apenas motores distintos, mas os designs serão bem diferentes. Uma categoria que faz mudanças estruturais – como o caso dos pacotes aerodinâmicos – sem abalar a construção, que vai sendo moldada. Talvez seja a melhor forma de definir o novo rosto da Indy.
Will Power durante os testes coletivos em Barber (Foto: IndyCar)

Uma das mudanças de regra para a temporada 2015 diz respeito às largadas paradas. Ficou claro nos dois últimos anos que a categoria ainda não está pronta para isso. Foi a própria Indy quem admitiu que precisa de maior preparação. Levando em conta que não está no DNA, é difícil ver um futuro para tal esquema, agora cancelado.
 
O acidente de Sebastián Saavedra e Mikhail Aleshin no GP de Indianápolis em 2014, além da batida de Ed Carpenter em James Hinchcliffe em Houston na temporada 2013 e algumas outras tentativas abortadas, fizeram a luz vermelha piscar para as largadas paradas. Elas não vão estar presentes em 2015, e é difícil que voltem num futuro próximo se não tiverem um rechonchudo patrocínio a tiracolo.
 
O esquema de pontuação também será diferente. Se em 2014 as corridas de 500 Milhas – Indianápolis, Pocono e Fontana – renderam pontuação dobrada, em 2015, Pocono e Fontana, apesar de ainda 500 Milhas, passam a valer o valor padrão. Apenas a Indy 500 e a nova corrida final da temporada, em Sonoma, vão valer pontuação dobrada na classificação do campeonato.
 
Em 2015, os vencedores das provas de pontuação dobrada receberão 100 pontos, com o segundo colocado somando 80 tentos e o terceiro, 70. O 25º colocado, último a marcar pontos, soma dez. O piloto que liderar o maior número de voltas irá acrescer dois pontos, enquanto cada piloto a liderar volta fica com um ponto. Em todas as provas da temporada, quem marcar a pole-position soma pontos. Na Indy 500, todos os classificados marcam pontos, com o pole adicionando nove tentos.
 
A divisão dos grupos para a classificação em circuitos mistos e de rua, antes definido pelo posicionamento no primeiro treino livre, agora vai ser feita com base na qualificação na última sessão de treinos livres. 
 
Além disso, a classificação final de uma corrida define a ordem dos carros no pit-lane do evento seguinte, independentemente de haver troca de piloto ou não, como ocorreu com a Carpenter durante 2014, quando Ed Carpenter corria nos circuitos ovais e Mike Conway assumia o carro nos mistos. 
 
Dessa forma, o carro #20 costumava ficar com a última garagem, pois o piloto que o ocupava muitas vezes não havia sequer participado da corrida anterior. Nesse ano, valem os pontos do carro inscrito.
Os carros da Ganassi em 2015 (Foto: Chris Owens/Indy)
Para a primeira etapa do ano, em São Petersburgo, vale a ordem da corrida que encerrou 2014, as 500 Milhas de Fontana. Os carros que não estavam inscritos naquela prova, serão organizados com prioridade para os que primeiro se inscreveram na temporada atual.
 
"A melhor coisa que os organizadores podem dar aos competidores e construtores e fãs é um livro de regras estável e consistente, então a maioria das mudanças para 2015 estão sendo explicadas e acertando definições. O livro de regras está evoluindo continuamente e sempre procuramos melhorar o produto", disse sobre as mudanças o presidente de competições da Indy, Derrick Walker.
 
A pontuação do Campeonato de Montadoras também sofre alteração. Os três primeiros colocados de Honda e Chevrolet em cada prova irão, a partir de agora, anotar pontos. Antes, eram os primeiros cinco. Dez pontos adicionais serão atribuídos às fabricantes por motores que cheguem até 4 mil km rodados. A fabricante que vencer as 500 Milhas de Indianápolis fica com nove pontos extras, a que vencer nas demais corridas fatura um ponto extra. Por fim, a fabricante que liderar mais voltas em cada uma das corridas soma dois pontos.
 
Mais uma vez, cada piloto terá direito a utilizar quatro motores durante a temporada. Depois disso, punição. Toda a temporada somada tem cerca de 16 mil km de pista. 20 pontos serão retirados das fabricantes que tiverem um motor que não complete seu ciclo de vida, de pelo menos 4 mil km, ou que seja obrigado a sofrer um reparo de grandes proporções para seguir sendo utilizado.
 
"A razão principal pela qual os ajustes para a pontuação dos pontos do Campeonato dos Construtores, seguindo discussões com a Chevrolet e a Honda, é a mudança dos termos de vários times e pilotos de cada construtora. Não queremos que o Campeonato de Construtores seja uma competição apenas sobre dominar o grid com um número de carros. É também baseado em motores, e medimos esse desempenho de algumas formas diferentes", justificou Walker.
 
É com essas mudanças pontuais nas regras de corrida que a Indy vai encarar 2015, testando até onde consegue levar o aumento de popularidade que almeja e que conseguiu, de certa forma, em 2014.
PACOTES AERODINÂMICOS


2012 foi o ano em que a Dallara pôs na pista um chassi remodelado, meio a contragosto do ambiente. Não que o DW12 – que ganhou este nome como homenagem a Dan Wheldon – não tivesse uma performance ou uma aparência melhor; é que as equipes estavam operando com um orçamento limitadíssimo e não queriam ter de gastar para adquirir o modelo. No fim das contas, o chassi foi posto em prática, mas os times postergaram enquanto puderam a ideia agregada: a de fazer as montadores se tornarem quase que construtoras e desenvolvessem kits aerodinâmicos.

Demorou para que tudo fosse devidamente assentado, e Chevrolet e Honda passaram boa parte da temporada passada vendo onde poderiam colocar penduricalhos e prover um novo design nas asas e até mesmo nas entradas laterais de ar. Três anos depois da estreia, o DW12 ganhou uma nova cara.

O gosto é discutível. “Contanto que seja vencedor, não importa”, saiu-se com o clichê Scott Dixon, tricampeão da categoria e apoiado pela marca da gravatinha na sua eterna Ganassi. A Chevrolet foi a primeira a apresentar seu kit e orgulhou-se de dizer que havia 123 peças para jogar nos carros de suas parceiras. O destaque fica para os dois elementos da asa dianteira e as microasas laterais acopladas à traseira, em formato retilíneo, além de uma passagem de ar que remete ao chassi natural.

A Honda preferiu trabalhar mais com peças curvilíneas – tanto que esta microasa traseira é quase o desenho de um oval – e uma entrada de ar diminuta nas proximidades do cockpit do piloto. Uma diferença notória está na asa dianteira: são três elementos sobre a base.


por VICTOR MARTINS, de Sâo Paulo

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