Indy

Há exatos 30 anos, Fittipaldi ganhava 500 Milhas de Michigan e se tornava primeiro brasileiro a vencer na Indy

Emerson Fittipaldi mostrou à Indy rapidamente que ainda era o duas vezes campeão mundial de F1 e o quanto isso significava. Vencer pela primeira vez logo num oval mandou o recado de que perdera nada nos anos em que esteve fora da F1 antes de chegar à Indy. A vitória nas 500 Milhas de Michigan completa exatos 30 anos neste 28 de julho de 2015

Warm Up / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
Emerson Fittipaldi já era um dos grandes pilotos da seus tempos em 1985, ano em que chegou de vez para disputar a primeira temporada completa da Indy. Em 1984, mais de três anos após deixar o Mundial, ele fez algumas corridas como que reconhecendo o terreno. E Fittipaldi rapidamente mostrou o motivo de ter uma carreira tão vencedora na Europa.
 
Com grande êxito na F1, especialmente entre 1971 — quando se tornou titular da Lotus — e 1975 — seu último ano na McLaren, onde se sagrou duas vezes campeão mundial e duas vezes vice-campeão —, chegou à Indy aos 37 anos de idade. Em 1985, de contrato assinado com a Patrick, de Pat Patrick, queria vencer corridas, mas sabia que ainda estava num processo de aprendizagem pela nova fase da carreira, andando em ovais.
 
Em Long Beach, que já conhecia dos tempos de F1, foi segundo colocado. Depois, foi mediano nos ovais que se seguiram — as 500 Milhas de Indianápolis e Milwaukee —, mas voltou às cabeças para ser terceiro no misto de Portland. 
 
Antes da quinta prova no campeonato — que seria nos estacionamentos às voltas do estádio do time de futebol americano New York Giants — , Emerson deu uma entrevista para a TV Globo, falando sobre como ainda dava os primeiros passos nos ovais. 
Emerson Fittipaldi venceu as 500 Milhas de Michigan em 1985 (Foto: Emerson Fittipaldi Fan Page)
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"Esse ano assinei contrato com uma das melhores equipes americanas, e aí me coloquei já numa posição melhor. Tenho muito o que aprender ainda no oval, porque apesar de ser simples fisicamente de olhar é muito complicada tecnicamente", disse na ocasião.

Fittipaldi também falou da questão de segurança. Piloto há muito envolvido com a melhoria da segurança em carros e pistas da F1, ele foi a uma categoria de altíssimas velocidades e vista fora dos EUA como incrivelmente mais perigosa, mesmo em comparação a uma F1 que matara severamente mais nos 15 anos anteriores. O piloto refutou essa ideia, dizendo que sua conclusão era a mesma do também campeão mundial Mario Andretti: a Indy era menos perigosa.
 
"Eu acho que a imagem da Fórmula Indianápolis [como ele se referia à Indy na época], pela velocidade, criou uma imagem de que é muito perigosa. Eu perguntei para o Mario Andretti o que ele achava mais seguro, se um ano de F1 ou um ano de Indy. Ele disse que um ano de Indy. Agora eu dou razão, porque já fiz as duas", encerrou.

Na sequência da temporada, ele engrenou um top-3. Foi o segundo em Jersey e oitavo em Cleveland, antes de voltar aos ovais. As 500 Milhas de Michigan faziam parte, em 1985, da tríplice coroa da Indy. E, portanto, não era lugar para amadores.
 
A corrida deveria ter acontecido uma semana antes, em 20 de julho, mas os casos de pneus estourados de Roberto Gurerrero e Bobby Rahal acabaram deixando a organização com grande temor sobre a segurança dos pneus frontais. 
 
Quando de fato aconteceu, Fittipaldi largou na 19ª colocação entre 30 carros. Mas a corrida foi estranha. Oito acidentes, seis motores explodidos e vários problemas mecânicos fizeram com que a prova passasse 105 das 250 voltas sob bandeira amarela. Apenas dez pilotos cruzaram a bandeira quadriculada.
 
Entre os giros 243 e 248, por exemplo, a bandeira amarela predominava. Quando a corrida voltou, já nos instantes finais, Al Unser, que liderou 102 voltas, chegou atrás de Tom Sneva, que era o terceiro colocado, porém fora do giro do líder. Sem saber que estava fora da briga, Sneva fechou a porta para Unser, permitindo que Fittipaldi se beneficiasse e vencesse por 0s01.

"Eu deveria dar 70% do meu prêmio para Tom. Se ele não tivesse impedido Al de passá-lo, eu talvez não tivesse vencido", disse Emerson. "Vou dizer que eu o teria desafiado por aquele dinheiro. É uma vergonha que Tom tenha feito dado um golpe desses. Ele está aqui há bastante tempo, sabe o que está fazendo. Mas é assim, o que vai, volta", falou um nervoso Unser. Sneva sempre garantiu que não sabia. "Eu estava tentando vencer a corrida. Ponto. Não sabia que estava uma volta atrás. Estava sem rádio, então não tinha indicação da equipe."
 
Após o fim da prova, vaias. Não a um dos pilotos, mas pela qualidade de uma corrida que passou praticamente metade do tempo sem acontecer. Embora com uma grande interrogação colocada na época por cima de sua vitória, Fittipaldi teve méritos enormes. Ele passou quase 1/3 da prova sem embreagem e terminou quase sem combustível.

"Foi mais como endurance do que 500 Milhas. Minha luz de alerta do combustível estava acionada nas quatro últimas voltas. Eu estou apenas feliz em ter terminado", contou Fittipaldi.

O prêmio pela vitória de em Michigan foi bem significativo: em época de cruzeiro, $112 mil, que valiam mais de Cr$ 890 milhões. Muito importantes, por conta da exposição, também na sequência do patrocínio que tinha com o supermercado americano 7-Eleven.
 
Foi um recado. Emerson continuaria o aprendizado numa categoria então lotada de talento de pilotos que se tornaram lendas do automobilismo americano, como Unser, Andretti, Al Unser Jr, Danny Sullivan e Rick Mears. Ele só voltou a vencer em ovais na Indy 500 de 1989, ano em que também se sagrou campeão.
 
Michigan, Fittipaldi, Indy e 28 de julho tiveram destinos cruzados de novo em 1996. No mesmo dia e local, Emerson sofreu o acidente que o obrigou a se afastar dos monopostos. Seria sua última corrida na Indy, já então vencedor de 22 provas.