Indy 500 deve encaminhar hexa de Dixon, mas ganha história especial: a saga Andretti

A classificação das 500 Milhas de Indianápolis desenhou dois cenários interessantes. Para o campeonato, Scott Dixon sobrou para cima dos rivais da Penske e ampliou o favoritismo para o título, mas os holofotes se viram para a família Andretti e a chance da maldição chegar ao fim

A maldição Andretti nas 500 Milhas de Indianápolis é uma das mais famosas do automobilismo. Trata-se de uma família extremamente relevante e conhecida na história do esporte a motor nos EUA, com gerações de pilotos, uma série de títulos conquistados, de vitórias acumuladas, mas de um único triunfo na maior corrida do mundo. Foi no longínquo ano de 1969 que Mario Andretti levou a melhor na Indy 500, logo em sua quinta tentativa. Só que, desde então, nunca mais.

E não é que o clã tenha tentado uma ou outra vez, bem longe disso. Sempre com um dos carros mais competitivos do grid, Mario, Michael, Marco e companhia estiveram, separados ou juntos, em todas as edições de 1969 para cá. O período ainda viu Mario e seu filho Michael vencerem um título de Indy cada, além do surgimento da equipe Andretti, uma das três principais forças do grid da categoria no século atual.

De 1969 para cá, a família já esteve perto da vitória em Indianápolis em incontáveis situações. Michael e Marco estiveram em dois dos mais emblemáticos finais de prova da história. Em 1992, Michael Andretti liderou 160 voltas, mas abandonou quando restavam apenas 11 giros para sua consagração. Em 2006, na temporada de novato, Marco Andretti saiu da curva 4 da última volta na liderança, mas Sam Hornish Jr. foi quem cruzou a linha de chegada na frente depois de um sprint final na reta. Zica, maldição, enfim, chame como quiser.

A vibração com a pole de Marco Andretti na Indy 500 2020 (Foto: IndyCar)

O tempo passou, Mario se aposentou, Michael também se retirou e sobrou para Marco a missão de levar o sobrenome da família de volta à glória. Simplesmente não aconteceu. Por mais que sempre tenha andado bem em ovais e que, sim, tenha tido bons anos na Indy, Marco nunca chegou nem perto de ter o talento de seu pai e, principalmente, de seu avô. De 2018 para cá, inclusive, a situação piorou bastante, os resultados ficaram ainda mais abaixo da crítica e até rebaixado dentro da própria equipe o piloto foi. Qualquer um que não se chamasse Andretti já teria deixado uma equipe tão competitiva.

Só que, mesmo assim, os três nunca desistiram. Mario e Michael sempre tentaram ao máximo ampliar as chances de Marco na Indy 500. A equipe seguia andando muito bem em Indianápolis e vencia com Dan Wheldon, Dario Franchitti, Ryan Hunter-Reay, Alexander Rossi e Takuma Sato, mas nunca com o herdeiro. Em 2020, ao menos o primeiro passo foi dado, a primeira escrita foi quebrada: um Andretti não cravava a pole em Indianápolis desde 1987. A performance do time durante a classificação de sábado foi impecável, realmente sobrou em cima dos rivais, mas o domingo parecia ser de Scott Dixon. Eis que o #98, contrariando todas as expectativas, deu talvez aquela que foi a maior volta de sua carreira para encerrar o Fast Nine 0s011 na frente de Dixon. Jejum de poles da família quebrado e um bom primeiro passo.

Se a maldição vai cair na próxima semana é impossível cravar, mas a Indy 500 2020 já tem uma grande história a ser acompanhada: Marco, no pior momento técnico, é quem vai abrir a corrida do IMS na frente. E se o avô Mario já deu um salto de comemoração que “fez bater a cabeça no teto”, imagine o que seria a celebração da família em caso de vitória 51 anos depois de tanto tentar. É a saga alternativa a ser acompanhada.

Scott Dixon larga em segundo (Foto: Indycar)

O outro grande personagem é Dixon, claro. Muito mais do que o segundo lugar no grid, o neozelandês parece uma aposta bastante segura para a vitória, apesar de ter tido um leve contato com o muro no TL6. Scott tem um grande carro nas mãos, já triunfou semanas atrás no Texas e, além disso, sequer tem no retrovisor seus principais concorrentes ao título da temporada 2020.

Com a perspectiva da Honda seguir ao menos um pouco mais veloz do que a Chevrolet, fica difícil imaginar que Josef Newgarden, de 13º no grid, e Simon Pagenaud, de 25º, façam frente ao veterano da Ganassi. Na Indy 500 mais decisiva para um campeonato dos últimos tempos, com calendário toda hora modificado e a pandemia de coronavírus ameaçando tudo que é etapa, se Dixon e os rivais chegarem perto de onde largam, já podemos fechar a conta e declarar o hexa do neozelandês.

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