Mais do que resultados, atuações em Iowa apontam: é Newgarden quem ameaça Dixon

A vitória na corrida 2 de Iowa colocou Josef Newgarden a 53 pontos de Scott Dixon, mas, bem além da matemática, a performance dominante que o americano teve no oval curto foi a maior responsável por recolocá-lo na briga pelo tri da Indy

A rodada dupla de Iowa parecia uma espécie de tudo ou nada para Josef Newgarden. Sob pressão, o atual campeão da Indy chegava a uma de suas melhores pistas ainda sem vitória em 2020, em quinto no campeonato e 67 pontos atrás do líder Scott Dixon. Resumidamente, Newgarden sabia que tinha de vencer e convencer em Newton se quisesse, ao menos, ter chances de disputar o título da temporada. E foi exatamente isso que aconteceu, especialmente neste sábado (18).

É bem verdade que, nos números frios, Josef nem conseguiu tirar tanta coisa assim para Dixon, afinal, parte para Mid-Ohio com 53 pontos ainda para cortar, mas a vitória saiu na corrida 2 e poderia muito bem ter rolado também na primeira prova, não fosse uma amarela que o tirou da volta do líder. De todo modo, muito mais do que meramente a classificação, quem coloca Newgarden no páreo é a sua performance.

Claro que a desvantagem na tabela de pontos era e ainda é algo preocupante para o bicampeão, mas seu ritmo e até alguns erros chamavam mais a atenção. Em Iowa, isso foi apagado. A segunda corrida viu a atuação mais dominante de alguém em 2020, algo meio fora da curva se tratando de um oval. Foi uma vitória daquelas, para encher o piloto de moral.

Josef Newgarden recebe a bandeira quadriculada em Iowa (Foto: Indycar)

Ainda que o azar tenha batido na porta mais uma vez, a primeira corrida foi fundamental para reativar ao menos o espírito matador do piloto americano, algo que parecia um tanto adormecido nas etapas anteriores. Uma volta atrás, Josef relargou com sangue nos olhos e remou, voltou para o giro dos líderes e ainda arrancou um quinto lugar no braço.

A segunda prova foi basicamente uma continuação, mas muito mais simples, já que largou da pole. Foi uma corrida quase inteira na liderança, um ritmo forte, nada de negociação com retardatários, relargadas decididas. O que se viu foi um Newgarden rápido, sim, alguém que aproveitou que Chevrolet e Penske finalmente acertaram a mão, é verdade, mas, especialmente, o piloto com o nível e o espírito de alguém que já é bicampeão e tem tudo para muito mais do que isso.

“Eu me sinto ótimo. Fiquei muito nervoso ontem, senti que tínhamos um carro vencedor e escapou de nós. Estávamos determinados a vir aqui e vencer, todo mundo fez um grande trabalho. Tive uma boa corrida, sem amarelas azaradas hoje, finalmente conseguindo colocar o carro no Victory Lane. Estou muito feliz por isso. Eu me sinto muito bem após a noite frustrante de ontem. Demos azar ontem com a amarela, sem dúvidas, nos tirou da corrida. Queremos manter o azar longe de nós”, disse Josef.

Scott Dixon segue favorito ao título, mas tem Josef Newgarden querendo briga (Foto: Indycar)

Só que a tarefa de Newgarden em 2020 ainda é, sim, muito complicada. Uma coisa é voltar ao jogo, o que parece claro que aconteceu após Iowa, mas outra é chegar e passar Dixon. Em Mid-Ohio, por exemplo, Josef vai ter outra prova de fogo, afinal, a Penske não tem estado no nível da Ganassi nos mistos até aqui.

Falando em Dixon, foram duas corridas de minimizar os danos de uma classificação terrível. Saindo do fundo do grid em ambas as provas, o neozelandês foi para segundo na base da amarela na hora certa na corrida 1 e, na segunda prova, acabou em quinto com um ritmo e uma postura um pouco mais agressivos. Os 49 pontos para Simon Pagenaud e os 53 para Newgarden, quase na metade do campeonato, seguem bem confortáveis para alguém que oscila tão pouco: são cinco top-5 em seis etapas.

“Acho que sabíamos que o fim de semana seria um dos mais desafiadores. Não somos fortes em Iowa como em outras pistas. Trabalhamos, tentamos algumas coisas e aprendemos muito, conseguimos subir e conquistar um bom resultado”, resumiu Scott.

Simon Pagenaud é o vice-líder, mas parece menos forte que Josef Newgarden (Foto: Indycar)

Para Pagenaud, saldo muito positivo da rodada dupla de Iowa. Mais um que aproveitou o bom carro que a Penske e a Chevrolet conseguiram para a disputa, o francês venceu a corrida 1 e foi quarto na 2, mas o mais impressionante: saindo de último em ambas, já que não classificou por problemas em seu carro.

É válido dizer que Simon nem fez tanta ultrapassagem de pista assim, que não foi o mais arrojado, o mais rápido, mas foi quem mais somou pontos no final de semana saindo de um cenário completamente desfavorável. Na tabela, é quem mais próximo está de Dixon e, claro, a moral também está no alto com duas belas reações, mas a diferença técnica para Newgarden e para o neozelandês é algo que chama a atenção e que, em um primeiro momento, deixa Pagenaud um pouco para trás.

“Foi um fim de semana duro e dramático, mas prevalecemos. Quero agradecer ao time e ao pessoal da Chevrolet pela potência. Não fomos tão fortes hoje, acho que fomos na direção errada em um ajuste durante o pit-stop, e depois tivemos de fazer paradas rápidas, então não mudamos nada. Talvez não tivéssemos o ritmo, mas fechar com primeiro e quarto é muito bom após largar de último nas duas corridas. Estou satisfeito com nossos resultados. Parece que o campeonato está tomando forma, está bem divertido agora. É satisfatório do ponto de vista de preparação, mostramos a todos no paddock que precisam ficar de olho em nós independentemente do que aconteça. É a marca de um time campeão, é o que você quer fazer, é o que queremos mostrar todo fim de semana, você quer pessoas te temendo, e eu tenho certeza que eles temeram hoje. Vamos nos unir para Mid-Ohio e seguir fortes de lá”, comentou Simon.

Graham Rahal está guiando o fino (Foto: Indycar)

Perto da metade da temporada, outros dois nomes parecem correr bem por fora no sonho do título, mas mais pelas circunstâncias do que pelas performances, que têm sido realmente excelentes. O primeiro é de Graham Rahal, talvez o piloto mais azarado da temporada, mas que tem andado forte quase sempre e que, sem dúvida, atingiu o auge técnico, como mostrou no pódio na segunda corrida em Iowa.

“Nosso carro estava fenomenal. Tivemos uma batalha dura no fim. Tivemos uma noite muito forte, a estratégia deu certo. O time fez um grande trabalho nos boxes. Toda vez que você estiver cercado por Penskes, fez algo certo. Noite sólida para nós. Eu me senti muito bem. Como equipe, ganhamos bastante. Acho que muitas pessoas ao longo dos últimos anos tentaram nos derrubar e desmerecer, mas mantivemos cabeça baixa. Somos candidatos reais, voltamos muito bem”, vibrou Graham.

O outro que poderia estar em posição ainda melhor é Pato O’Ward, que na segunda corrida perdeu uma volta por um erro nos boxes. O mexicano tem guiado muito, tem constantemente batido o companheiro Oliver Askew e tirado proveito de uma McLaren que, de certa forma, surpreende e que, até aqui, é a terceira força do grid.

Pato O’Ward e a McLaren estão fortes (Foto: Indycar)

“Acho que começamos o fim de semana bem ontem. Na segunda corrida, a melhor forma de analisar é ‘o que poderia ter sido’. Tínhamos ritmo, fomos fortes, conquistei posições para lutar na frente. No fim, não era para ser, mas vamos continuar o esforço em Mid-Ohio”, lamentou Pato.

A Indy parte para a sétima prova, mas antes descansa por três semanas, algo fundamental diante da maratona entre o GP de Indianápolis e a rodada dupla de Iowa. Em Mid-Ohio, porém, vem mais correria: com a classificação da Indy 500, serão quatro semanas de ação, terminando no sempre empolgante GP de Gateway. O campeonato pode se decidir aí, com um misto, um oval em pontuação dobrada e um oval curto.

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