Indy

McLaren tem 'bala' para projeto Indy 2020. Problemas: Alonso e Honda

A McLaren está finalmente pronta para entrar em tempo integral na Indy em 2020. Só que a vontade e o grande orçamento não são tudo, falta conseguir uma boa parceira com motores Chevrolet e um piloto de ponta, já que Fernando Alonso só quer a Indy 500

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo
Finalmente chegou a hora de vermos a McLaren disputando a temporada completa da Indy em 2020. Depois de muito relutar, a equipe de Woking decidiu tirar o escorpião do bolso e investir pesado na categoria norte-americana. Só que nem tudo está resolvido, bem longe disso, aliás. Até aqui, falta praticamente o pacote completo: uma equipe forte como parceira, a confirmação da aliança com a Chevrolet e um piloto de ponta para o projeto, caçada que tem tirado o time dos eixos.
 
E tudo isso acontece muito por causa de Fernando Alonso. Primeiro porque o espanhol não quer fazer a temporada toda, não vê sentido nisso e acha que, sim, mesmo depois do fiasco de 2019, pode apenas chegar na Indy 500 e tentar a Tríplice Coroa. Além disso, foi com ele que explodiu a crise com a Honda na F1 e, depois de Motor de GP2 e muito mais, os japoneses não querem ver Fernando e a McLaren nem pintados de papaia.
 
Assim, surgem os problemas fundamentais que os britânicos precisam resolver nos próximos meses. Com bastante dinheiro para gastar, a McLaren está pronta para entrar de vez em 2020 e esquecer a confusão aprontada que culminou na eliminação no Bump Day em 2019, mas procura quase que desesperadamente por uma equipe parceira que tope trocar a Honda pela Chevrolet e precisa de um nome de peso guiando, já que Alonso será apenas para uma corrida.
McLaren na temporada completa? Sim. Fernando Alonso? Não (Foto: IndyCar)
Com base nas informações de negociações que publicaram a revista 'RACER' e o jornal 'IndyStar', o GRANDE PRÊMIO faz um desenho de como a McLaren tem tentado se virar e como, por falta de opções e fracassos em tratativas, tem seus novos principais alvos em SPM e Colton Herta.
 
Nas equipes, a McLaren quer mesmo fazer parceria técnica com alguém, ou seja, precisa ser um time bem estabelecido e com bom trabalho. Só neste critério já caem diversas opções, assim como, em tese, cairiam todas as parceiras da Honda.
 
Acontece que a McLaren está disposta mesmo a abrir o bolso e, assim, trabalha para transformar uma das equipes Honda em Chevrolet, já que não tem como ser parceira da Penske e dificilmente faria algo com a Carpenter após esnobar a mesma antes da Indy 500 de 2019.
 
Assim, sem dúvida, a melhor opção era a Andretti, companheira de aventura na Indy 500 de 2017, e foi justamente onde a McLaren concentrou seus esforços. O empecilho, porém, era gigantesco: além de largar a parceria de longa data com a Honda, o time ficaria sem Alexander Rossi. Obviamente, não rolou. Mais três anos de contrato com Alex e vínculos reafirmados com os japoneses.
Alexander Rossi seria opção para a McLaren. Seria (Foto: Indycar)
Na ordem natural de forças da Honda, a tentativa seguinte deveria ser a RLL, mas não vai rolar. O time de Bobby Rahal é próximo dos japoneses a ponto de ter o piloto oficial, Takuma Sato. É aí que entra a SPM.
 
Com boa estrutura, um trabalho consolidado e sem ser lá muito próxima da Honda, a equipe de Sam Schmidt e Ric Peterson virou a bola da vez e já sinaliza que topa a parceria por uma boa quantia. Outro ponto que anima é o ótimo desempenho da Meyer Shank, que tem sido parceira da SPM e já pretende caminhar em breve com as próprias pernas.
 
Entre os pilotos, Rossi seria naturalmente o nome favorito para alguém que não pode contar com Alonso, mas aí voltamos à recente renovação com a Andretti. Considerando que Scott Dixon tem mais um ano de contrato e o trio da Penske cada vez mais parece que vai seguir o mesmo, as atenções se viram para Colton Herta.
Colton Herta é a salvação? (Foto: Harding)
Por mais que o jovem esteja sob o guarda-chuva da Andretti, ainda está na Harding e, dependendo de contratos, dificilmente subirá ao time principal em 2020. Basicamente, pensando no agora, seria uma saída boa para todo mundo e, ao que parece, é o que tem maior potencial de acontecer.
 
Herta, é bom que se diga, não se encaixa no conceito de experiência que a McLaren abertamente falava em buscar, mas é dono de um talento e de um potencial gigantescos. Junto com Spencer Pigot, é o grande nome da nova geração da Indy, ou seja, seria uma ótima chamada da McLaren.
 
Resta saber como ficaria o plano de ter um segundo carro e quem poderia chegar. Felipe Nasr, que acabou de testar pela SPM em Mid-Ohio, seria boa opção dependendo de como rolar a parceria com a SPM, mas Felix Rosenqvist, com futuro ainda em aberto na Ganassi, é outro bom nome dentre os que já estão na Indy.
 
Fato é que a McLaren tem tudo para ditar o ritmo do mercado para 2020 e seus movimentos devem condicionar especialmente as equipes médias e pequenas. Ainda que de forma bagunçada e batendo cabeça, o time deve se dar bem se resolver ficar com SPM e Herta.
 

 
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