Mesmo depois de quase 100 anos, Indy 500 inova para melhor e altera regras importantes para 2014

98ª edição da mais clássica das corridas terá novo formato de classificação, Bump Day no sábado e Pole Day no domingo, além de pontuação extra na classificação e dobrada na corrida. Evento será precedido por outra etapa no Brickyard, o GP de Indianápolis, prevista para o começo de maio e que correrá no traçado misto, utilizando sentido inverso

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Mês da Indy em Indianápolis virá repleto de atividades e novidades (Foto: Getty Images)

Mais do que ser uma tradição, já é quase um ritual: no último domingo de maio, os olhos do mundo do automobilismo se voltam inteiramente para os EUA. Não importa se o público que abarrota as arquibancadas do Indianapolis Motor Speedway acompanha a temporada regular da Indy ou não, muito menos se quem liga a TV no domingo à tarde e se sente imediatamente magnetizado pela energia da prova conhece os protagonistas do evento.

 
Estamos falando das 500 Milhas de Indianápolis. É um clássico. E, como todo clássico, é quase unânime. Independe da lógica, do conhecimento prévio ou, eventualmente, da qualidade da disputa, é uma tradição que acaba inevitavelmente passando de pai para filho, de filho para neto, principalmente desde a década de 1980, quando Emerson Fittipaldi tratou de popularizar a categoria norte-americana em território brasileiro.
 
O Brasil também chegou lá, um pouco tarde, mas chegou – a tempo, contudo, de ver representantes do país conseguirem sete vitórias: as duas de Emerson, as três de Helio Castroneves, uma de Tony Kanaan e outra de Gil de Ferran. A edição de 2014, em que pesem os sete anos de sucesso tupiniquim em Indiana, será quase centenária: o Brickyard receberá o evento pela 98ª vez. Poucas provas no planeta são tão tradicionais.
 
O curioso é notar que é possível testar novas fórmulas mesmo em uma corrida que já conta com quase um século de vida. E é o que Mark Miles e Derrick Walker trataram de fazer para o grande evento de 2014, com boas alterações nas atividades como a conhecemos.
Obras na Curva 1 do traçado misto de Indianápolis (Foto: Flickr | IMS)

O GP de Indianápolis

Miles, presidente da Hulman & Co. – empresa que administra a categoria –, e Walker, que é diretor de competições da Indy, decidiram ousar e prometeram uma etapa do calendário deste ano utilizando o traçado misto de Indianápolis. Embora seja um evento descolado das 500 Milhas, o vínculo é inevitável: ocorre no mesmo local, com basicamente os mesmos pilotos e uma semana antes do começo dos treinos para o evento principal no Brickyard.
 
A dinâmica, como não poderia deixar de ser, é completamente diferente. A corrida será realizada no dia 10 de maio – um sábado –, terá ingressos muito mais baratos que os da Indy 500 e, além de andar no traçado misto, fará o mesmo itinerário que a F1 fazia por lá: em sentido inverso. Apesar de críticas até justificáveis contra a realização do evento – ao menos nesta data, sob alegação de desvalorização da corrida principal –, a verdade é que há grande expectativa para ver como será o desenrolar do GP, que terá largada parada, um hábito que não agrada muitos, mas que começou a fazer parte da categoria em 2013.
 
Depois do que se batizou como GP de Indianápolis, equipes e pilotos permanecerão pelo resto do mês em Indiana. Logo em seguida, começam os treinos para o Bump Day e o Pole Day, exatamente nesta ordem – outra das novidades trazidas por Miles e Walker.

Um novo formato de classificação para a Indy 500
 
No dia 17, todos os inscritos participarão da fase eliminatória que definirá os 33 participantes da corrida. Destes 33, os nove mais rápidos estarão automaticamente classificados para o Fast Nine, que é a sessão que revelará o pole mais a ordem dos nove primeiros lugares. Os 24 pilotos restantes também voltarão à pista para definir as demais posições de largada. Essas duas últimas atividades de definição do grid ocorrerão no dia seguinte, 18 de maio, imediatamente uma semana antes da realização da prova.
 
Desta forma, a classificação será progressiva: o sábado define classificados, eliminados e candidatos à pole, enquanto o domingo revela o grid, começando com o 33º colocado de sábado inaugurando o treino, e terminando com o mais rápido do dia anterior sendo o último a registrar sua volta rápida dentro do Fast Nine. Sem dúvida, uma sacada inteligentíssima e que deve ser imediatamente bem aceita, por ser melhor organizada.

Pontuação na Indy 500 e nas etapas de Pocono e Fontana será dobrada (Foto: IndyCar/LAT USA)

Pontos extra para o grid

Outra grande novidade é a distribuição de pontos para todos os participantes da sessão classificatória, de forma hierárquica: os 33 classificados serão beneficiados. O pole leva 33 pontos, o segundo colocado fica com 32, o terceiro com 31, e assim por diante. O grupo de nove pilotos do Fast Nine ainda levará bônus, com nove pontos a mais ao primeiro, oito ao segundo, sete ao terceiro e assim até o nono, que pegará um pontinho de presente.
 
Assim, o pole para as 500 Milhas de Indianápolis deve levar um total de 42 pontos, algo que fará diferença na luta pelo título – ainda que a Indy distribua pontos a rodo.
 
Uma outra mudança que não abraça apenas a Indy 500, mas todas as três provas de 500 milhas, é a pontuação dobrada também em Pocono e Fontana para os pilotos que completarem a corrida. Com isso, o vencedor pode levar 100 pontos ao invés dos 50 habituais, enquanto o segundo colocado ficará com 80 ao invés de 40, e assim por diante.
 
Com tantos componentes novos – ou reorganizados, como no caso do Bump Day e do Pole Day em dias invertidos – e grandes atrativos temperados por um grid que contará com as estrelas de sempre mais aparições únicas como as de Jacques Villeneuve pela Schmidt e Kurt Busch pela Andretti, a 98ª edição das 500 Milhas de Indianápolis tem tudo para fazer jus à sua fama de clássica e promover disputas, momentos e cenas inesquecíveis aos fãs.

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