Indy

Na classificação do 'saco de lixo', Hinchcliffe é pole da edição #100 da Indy 500. Castroneves sai em nono

Os 33 pilotos foram à pista neste domingo para definir as posições de largada das 500 Milhas de Indianápolis. O primeiro grupo teve um saco de lixo como protagonista; o segundo, James Hinchcliffe, o cara que nem andou no ano passado
Warm Up, de Indianápolis / VICTOR MARTINS, de Indianápolis
 James Hinchcliffe é o pole-position da 100ª edições das 500 Milhas de Indianápolis (Foto: Indycar)

"Eu vim pra cá este ano para contar uma outra história, uma história diferente da do ano passado. Eu consegui". Sim, James Hinchcliffe conseguiu. Era por ele, acidentado no treino da Indy 500 de 2015, machucado o suficiente para tirá-lo da prova e do resto do campeonato, era por Sam Schmidt, que ficou sem seu piloto principal e que precisava de uma emoção maior a de horas atrás, quando guiou um carro em Indianápolis 16 anos após o acidente que o deixou tetraplégico.
 
Indianápolis tem sempre uma história a contar. A da edição 100 não poderia começar diferente. E neste domingo (22) que antecede a corrida, Hinchcliffe escreve mais um capítulo com a pole pela Schmidt Peterson.
James Hinchcliffe comemora pole das 500 Milhas de Indianápolis #100 (Foto: Getty Images)
Para o público, não faltou emoção. Hinch teve de bater o querido Josef Newgarden, que se contorcia na garagem junto ao chefe Ed Carpenter para conseguir a glória máxima da carreira. Newgarden quase perdera a primeira colocação no grid para um aguerrido Ryan Hunter-Reay, que falhou na volta final das quatro que tinha de dar. Hinch conseguiu por miseráveis 0s041. Os três formam a primeira fila do grid.
 
Townsend Bell e Carlos Muñoz, ambos da Andretti, e Will Power dividem a segunda; na terceira, Mikhail Aleshin, Simon Pagenaud e Helio Castroneves, que andou mesmo com o famigerado motor usado da Penske.

Saiba como foi a disputa da classificação em Indianápolis
 

Pippa Mann foi a primeira a entrar na pista por ter sido a 33ª de sábado – na verdade, a pilota chegou a tentar classificação, mas bateu em sua primeira volta rápida. Não houve sustos desta vez, sobretudo com o tempo lento, acima dos 2min39s quando somadas as quatro voltas, em média de 226 mph. Já dava sinais claros de que largaria no fim do grid. Na sequência, um de seus companheiros de Dale Coyne, Gabby Chaves, encaixou uma sequência um tanto melhor, mas também nada que fosse expressivo. Então veio Max Chilton, ex-F1, de Ganassi. Pior que Chaves. Para completar o show de lentidão, Buddy Lazier andou em uma média de velocidade que não o classificaria nunca se houvesse um carro mais para o espetáculo.
 
Na sequência, Alex Tagliani, pole em 2011, bateu. Entrou forte demais na 4 e, para evitar o acidente, freou tudo que podia. Aí o carro perdeu o controle e bateu bem na divisória do muro dos pits.
 
Para fins meramente jornalísticos, classificaram-se na sequência, depois da limpeza de pista, Jack Hawksworth (um dia tido como promessa), Stefan Wilson (o irmão de Justin) e Matthew Brabham (o neto de Jack).
 
Charlie Kimball foi quem começou a adocicar o treino, andando acima das 228 mph. Na sequência, Oriol Servià corroborou que, enfim, a brincadeira começava. Com o carro da Schmidt Peterson – cujo chefe é Sam Schmidt, que havia se emocionado e emocionado o público minutos antes andando com um carro adaptado às suas condições físicas –, o espanhol marcou 2min37s163, suficiente para ocupar a melhor das posições até então, que lhe daria o décimo lugar. Spencer Pigot, campeão da Lights, apareceu e não deixou saudade, tal qual Bryan Clauson.
 
Graham Rahal surpreendeu. Mas pelo fato de não ter andado nada. Aquele que vinha sendo o homem da Honda desde o campeonato passado ainda não achou o melhor acerto no Speedway. Vai largar num parco 26º lugar. Depois, veio Sébastien Bourdais. Que não brilhou, mas ao menos colocou a KV ali perto da Ganassi de Kimball. 
 
Então chegou a vez de Tony Kanaan. Só que o brasileiro manteve o ruim ritmo apresentado ao longo dos últimos dias e não conseguiu nem superar o parceiro Kimball. A posição de partida na Indy 500 especial, naquele momento, era o 12º no grid.
Tony Kanaan durante a classificação em Indianápolis (Foto: IndyCar)
Na segunda edição de ‘para fins meramente jornalísticos, classificaram-se na sequência’, marcaram tempos Sage Karam (que volta à Indy pela veterana Dreyer & Reinbold, outra que também só anda aqui), Conor Daly (filho do ex-piloto de F1 Derek Daly) e Takuma Sato (todo mundo conhece bem). Se bem que Sato merece melhor menção: andou mais lento apenas que Servià e botou a Foyt à frente das Ganassi. Kanaan, então, caía para 13º.
 
Com JR Hildebrand em ação, Kanaan foi mais uma posição para baixo: o bom carro da Carpenter colocou o segundo colocado ‘daquela’ edição da Indy 500 de 2011 atrás de Servià e Sato. Já o pole das últimas duas edições foi apagado, andando no ritmo de Bourdais e Chaves. No fim das contas, vai partir de uma mediana 20ª posição.
 
O atual campeão entrou na pista após a Ganassi resolver um dilema: trocar ou não trocar o motor depois do treino livre. Mike Hull, chefe de operações da equipe, havia dito em um primeiro momento que, sim, a opção era pela mudança, embora ele, pessoalmente, fosse contra. Juntaram o pessoal dos outros três carro, Scott Dixon fez melhor do que se esperava, em ato similar ao de Hildebrand: terminar atrás de Servià e Sato. O que significava, então, que Kanaan já estava em 15º.
 
Juan Pablo Montoya seria candidato natural ao décimo lugar. Tão logo completou as duas primeiras voltas, confirmou que tinha carro suficiente: quase perto de 230. De repente, saiu da traseira de seu carro na curva 1 um saco de lixo. O colombiano desacelerou e, mesmo assim, completou os dois giros seguintes. Ainda quando retornava aos pits, a direção de prova colocou a bandeira amarela em ação e anunciou que daria a Montoya uma nova chance. 
Montoya encontrou um saco plástico na pista (Foto: Reprodução)

Pois bem, Montoya foi. Mas nada como parecia ser na primeira tentativa. Com a confiança abalada, foi pouca coisa melhor que Kanaan – então 16º. “Legal que tenham me dado outra chance, mas aquilo prejudicou muito o equilíbrio do meu carro”, lamentou JPM.
 
Andretti sucedeu Montoya e foi um repeteco do que fizera na classificação do sábado: gigante na primeira volta e um horror nas três outras. De melhor com sobras, encaixou-se entre Dixon e Hildebrand, jogando TK mais para baixo.
 
Em sua primeira vez no IMS, Alexander Rossi pode ganhar aplausos. Consistente e sem erros, mostrou a Andretti como se anda. Foi mais lento apenas que Servià, ganhando o 11º lugar – Kanaan, pois, ficou com o 18º.
 
A disputa da pole
 
Simon Pagenaud foi o responsável pela abertura das ações. Começou com voltas interessantes, na casa de 229 mph, mas caiu de rendimento a ponto de ser pouca coisa melhor que Servià: 2min37s109.
 
Carlos Muñoz representou bem a Andretti. Pegando informações dos companheiros que já tinham andado, o colombiano da Andretti deu as quatro voltas na casa de 230 mph, compondo 2min36s326, muito longe do que haviam feito todos os outros. 
 
Mikhail Aleshin tinha, então, uma missão e tanto. Na primeira volta, foi à casa das 230 mph, indo muito além do limite nas curvas; depois, andou na casa de 229 mph, jogando seu tempo total quase para 0s5 do de Muñoz.

A tarefa passou às mãos de Josef Newgarden. O giro inicial já dava a tônica que seria possível: 231 mph. Uma diminuição no ritmo foi vista na sequência, mas o norte-americano da Carpenter levou o público aos aplausos: 2min36s047, e o primeiro posto provisório.

Townsend Bell era a chance final de a Andretti conseguir o êxito principal do dia. O norte-americano, que também é comentarista, fez o contrário de Marco Andretti: foi melhorando a cada volta. Todas foram acima de 230 mph, insuficientes para bater Newgarden, mas à frente do parceiro.

A entrada de Castroneves foi marcada pelos aplausos da torcida, maior que qualquer outro piloto. Helio, como já se sabia, treinaria com o motor usado. E isso foi determinante para seu resultado: no ritmo de Pagenaud, cravou 2min37s126, o pior de todos os tempos. Assim, o brasileiro sai na terceira fila da edição #100.
Helio Castroneves durante a classificação em Indianápolis (Foto: IndyCar)
Will Power não foi muito diferente dos seus parceiros de Penske, não, de modo que Newgarden pôde manter as esperanças. A média do australiano foi de 229.669, nada boa sequer para conseguir a primeira fila.

Ryan Hunter-Reay entrou com tudo. As três primeiras voltas, ótimas, deixavam-no à frente de Newgarden. Foi então que a última o tirou do páreo. 

Aí, Hinchcliffe, o melhor de ontem, o cara que nem andou no ano passado pelo acidente sofrido nos treinos, conseguiu. Foram apenas 0s041 melhor que Newgarden para contar um dos capítulos que vão entrar para a história recheada de Indianápolis.
 
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*Colaboraram:
GABRIEL CURTY, de São Paulo
e PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro

Indy, 500 Milhas de Indianápolis, grid de largada:

1 5 JAMES HINCHCLIFFE CAN SCHMIDT PETERSON HONDA 2:36.006   230.760 mph
2 21 JOSEF NEWGARDEN EUA CARPENTER CHEVROLET 2:36.047 +0.041 230.700
3 28 RYAN HUNTER-REAY EUA ANDRETTI HONDA 2:36.082 +0.076 230.648
4 29 TOWNSEND BELL EUA ANDRETTI HONDA 2:36.195 +0.189 230.481
5 26 CARLOS MUÑOZ COL ANDRETTI HONDA 2:36.326 +0.320 230.287
6 12 WILL POWER AUS PENSKE CHEVROLET 2:36.747 +0.741 229.669
7 7 MIKHAIL ALESHIN RUS SCHMIDT PETERSON HONDA 2:36.821 +0.815 229.562
8 22 SIMON PAGENAUD FRA PENSKE CHEVROLET 2:37.110 +1.104 229.139
9 3 HELIO CASTRONEVES BRA PENSKE CHEVROLET 2:37.127 +1.121 229.115
10 77 ORIOL SERVIÀ ESP SCHMIDT PETERSON HONDA 2:37.164 +1.158 229.060
11 98 ALEXANDER ROSSI EUA ANDRETTI HONDA 2:37.568 +1.562 228.473
12 14 TAKUMA SATO JAP FOYT HONDA 2:37.875 +1.869 228.029
13 9 SCOTT DIXON NZL GANASSI CHEVROLET 2:37.901 +1.895 227.991
14 27 MARCO ANDRETTI EUA ANDRETTI HONDA 2:37.916 +1.910 227.969
15 6 JR HILDEBRAND EUA CARPENTER CHEVROLET 2:37.981 +1.975 227.786
16 42 CHARLIE KIMBALL EUA GANASSI CHEVROLET 2:38.018 +2.012 227.822
17 2 JUAN PABLO MONTOYA COL PENSKE CHEVROLET 2:38.114 +2.108 227.684
18 10 TONY KANAAN BRA GANASSI CHEVROLET 2:38.291 +2.285 227.430
19 11 SÉBASTIEN BOURDAIS FRA KV CHEVROLET 2:38.292 +2.286 227.428
20 20 ED CARPENTER EUA CARPENTER CHEVROLET 2:38.433 +2.427 227.226
21 19 GABBY CHAVES COL DALE COYNE HONDA 2:38.457 +2.451 227.192
22 8 MAX CHILTON ING GANASSI CHEVROLET 2:38.810 +2.804 226.686
23 24 SAGE KARAM EUA DRR KINGDOM CHEVROLET 2:38.895 +2.889 226.436
24 18 CONOR DALY EUA DALE COYNE HONDA 2:39.072 +3.066 226.312
25 63 PIPPA MANN ING DALE COYNE HONDA 2:39.288 +3.282 226.006
26 15 GRAHAM RAHAL EUA RLL HONDA 2:39.400 +3.394 225.847
27 61 MATT BRABHAM AUS PIRTEK CHEVROLET 2:39.480 +3.474 225.727
28 88 BRYAN CLAUSON EUA JONATHAN BYRD HONDA 2:39.811 +3.805 225.267
29 16 SPENCER PIGOT EUA RLL HONDA 2:40.109 +4.103 224.847
30 25 STEFAN WILSON ING KV CHEVROLET 2:40.283 +4.277 224.602
31 41 JACK HAWKSWORTH ING FOYT HONDA 2:40.288 +4.282 224.596
32 4 BUDDY LAZIER EUA LAZIER CHEVROLET 2:42.050 +6.044 222.154
33 35 ALEX TAGLIANI CAN FOYT HONDA      

 
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