Indy

Na Garagem: Kanaan vence 1ª na Indy e Papis “perde, perde, perde” em Michigan

Tony Kanaan conseguiu a primeira vitória da carreira na Indy em uma das chegadas mais marcantes de todos os tempos. O brasileiro viu Max Papis ficar sem combustível e passou o italiano, mas se assustou e quase perdeu ainda para Juan Pablo Montoya, em momento que gerou uma das grandes narrações da história

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo
"Não per... Perde! Perde! Perde!". O dia 25 de julho de 1999 ficou para sempre na história por uma das maiores chegadas da Indy e, também, por ter proporcionado uma das grandes narrações do jornalismo esportivo brasileiro. Na voz de Téo José, no SBT, o primeiro triunfo de Tony Kanaan na categoria norte-americana ficou ainda mais antológico.
 
A prova, que nesta quinta-feira (25) completa 20 anos, era uma das mais importantes do calendário da CART: as 500 Milhas dos Estados Unidos, em Michigan, etapa criada para rivalizar com as 500 Milhas de Indianápolis, que estavam sob o guarda-chuva da IRL nos tempos de ruptura na Indy.
 
Na largada, Juan Pablo Montoya e Michael Andretti pularam da segunda fila para brigar pela liderança durante boa parte da prova, enquanto a bandeira verde ainda dava o tom e os carros mais rápidos conseguiam dominar. 
Tony Kanaan venceu pela primeira vez na Indy há 20 anos (Foto: David Taylor)
Já depois da metade da disputa, entretanto, as bandeiras amarelas mudaram a história e a corrida ficou dominada por estratégias das mais diversas. Foi então que Max Papis e Kanaan, com alguns problemas durante a corrida, foram para as primeiras posições, mas com o italiano tendo boa vantagem ao entrar nas voltas finais.

"Lembro que tive um problema na asa traseira, parei nos boxes e perdi uma volta. Perdi também o rádio, a comunicação com a equipe, então a gente estava usando placas, era assim que eu ia para os boxes. Só que teve uma parada que eu só fui me guiando por um alarme de combustível no volante porque meu mecânico estava chacoalhando a placa para cima e para baixo e ela tinha de estar parada para que eu pudesse ler", contou Kanaan ao GRANDE PRÊMIO.
 
A dupla estava na frente pela estratégia de paradas, mas não exatamente nas mesmas condições. Tony estava no modo econômico e ainda tinha algo no tanque por mais um tempo, enquanto Max teria de cruzar a linha final com um cheirinho de combustível. Não deu.
Tony Kanaan tinha 24 anos quando triunfou pela primeira vez na Indy (Foto: Arquivo Pessoal)
O italiano recebeu a bandeira branca com 2s de vantagem para o brasileiro e estava marchando para aquele que também seria seu primeiro triufo quando veio a pane seca. Na saída da curva 3, Papis perdeu toda a velocidade e só foi cruzar a linha de chegada em sétimo. Kanaan, assustado, passou lentamente e quase ainda perdeu a prova para Montoya, que vinha babando atrás.
 
O resultado daquilo foi uma das chegadas mais curiosas, mas também mais apertadas que a Indy teve, especialmente nos tempos de CART. O susto de Tony, na época andando de Forsythe, foi tamanho com o problema de Papis que nada mais que 0s032 o separaram de Montoya, com Paul Tracy completando o top-3 batendo Andretti também por um bico de distância.
Tony Kanaan em Michigan em 1999 (Foto: David Taylor)
"Faltando dez voltas, eu vi que estava em segundo e também consegui ver na torre que o Papis era o primeiro, mas não fazia ideia de que ele iria ficar sem combustível. Na última volta, quando ele ficou sem combustível na curva 3, eu fui tirando o pé e olhando para ele 'nossa, ele está parando', só que aí eu olhei para trás e acelerei de novo porque o Montoya estava vindo muito rápido, tanto que a corrida acabou super perto, mas graças a Deus deu certo, né? Imagina perder a corrida na linha de chegada pro Montoya?", disse Tony ao GP.
 
E foi aí que veio a contribuição de Téo José para que a corrida ficasse ainda mais na memória do público brasileiro. O narrador encheu a boca para soltar seu famoso bordão ‘não perde mais’ um pouco antes do que deveria. E então veio o ‘perde, perde, perde! Passa! Passa, Tony! Passa, Tony! Passa, Tony!'.


O que nem todo mundo sabe é que, embora a narração tenha sido ao vivo, a prova foi exibida apenas no fim da noite pelo SBT. Logo, perguntaram a Téo se ele queria regravar o final, e ele recusou. Achava que deveria preservar a emoção que sentiu no momento. Ainda bem, pois realmente foi uma ótima narração — não só no lance final, mas também pelos instantes seguintes à bandeirada. Das maiores que a Indy e o automobilismo já tiveram.
 
“Quando comecei o ‘Não perde mais’, aí vi que ele ficou lento. Quando ele ficou lento — porque faltou combustível —, o Tony veio embalado, passou, e aí falei: ‘Perde, perde, perde... Não perde mais, Tony Kanaan’. Quando acabou a gravação, um editor virou para mim e falou assim: ‘Vamos fazer o final de novo?’. E falei: ‘Não, não vou fazer, não’. A coisa tem de ser natural, a emoção é essa. Edita da forma que está e vamo bora”, falou Téo, que se mostrou surpreso pelo impacto que sua narração teve à época, em relato ao GP.
 


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