Na última prova completa, Wilson abriu mão da vitória. Preferiu ver Rahal ganhar em prol do campeonato da Indy

A última prova que Justin Wilson completou foi bastante marcante. Em Mid-Ohio, o britânico ficou com a segunda colocação e poderia até ter vencido, mas preferiu não atacar Graham Rahal, companheiro de Honda e postulante ao título. Durante a corrida, Wilson fez uma série de ultrapassagens, a principal delas quando superou Juan Pablo Montoya e Rahal juntos na curva 6

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Vítima de um acidente fatal nas 500 Milhas de Pocono do último domingo, Justin Wilson deixa uma série de bons resultados na Indy. Figura marcante por sua gentileza e sua estatura elevadíssima para um piloto – Wilson tinha 1,93 m –, o britânico acumulou sete triunfos na categoria, indo ao pódio em 27 ocasiões.
 
E a última vez em que foi ao pódio, coincidentemente, aconteceu uma prova antes de se envolver no trágico acidente de Pocono. Foi em Mid-Ohio, no dia 2 deste mês, quando o inglês levou o carro #25 da Andretti ao segundo posto, tendo chances reais de vitória. 
 
Em um ano que não foi dos mais fáceis, sem uma vaga de titular cativa, Wilson fez apenas seis corridas com o quarto carro da Andretti. Não que tenha sido lento nas demais, mas acidentes e abandonos eram a tônica de seu ano até chegar a Ohio. Foi lá que o britânico provou seu talento.
 
O GRANDE PRÊMIO relembra em detalhes como foi a última prova da Indy que Wilson completou em vida, largando em 14º para chegar no segundo lugar. E evitando ainda entrar em uma briga direta com um dos postulantes ao título, Graham Rahal.
Justin Wilson fez grande corrida e ficou em segundo em Mid-Ohio (Foto: IndyCar)
Confira como foi a participação de Wilson em Mid-Ohio:
 
A largada de Wilson não foi nada de espetacular. Com a saída sendo autorizada com apenas metade do grid agrupado, o inglês já começou ficando um pouco para trás. Wilson superava, assim, apenas o companheiro Marco Andretti, mas perderia o lugar para o americano metros à frente. 
 
Suas três primeiras voltas se resumiram a brigar com o companheiro, já cerca de 10s atrás do líder e pole Scott Dixon, mas herdando o 13º lugar com Charlie Kimball indo parar na brita após toque com Will Power.
 
A relargada da prova aconteceu na volta sete. Mais uma vez, Wilson reagiu melhor que Andretti e, assim como na largada, tirou o parceiro da frente, chegando ao 12º posto.
 
Na décima volta, Wilson começou a batalha que seria, mais para frente, pela vitória. Junto de Graham Rahal, o piloto da Andretti dava um show de arrojo, claramente com um carro bem acertado e focando em posições mais para frente no pelotão.
 
Wilson foi o primeiro dos que mais para a frente estavam a fazer a sua parada. O inglês foi aos boxes na 12ª volta, voltando em 20º para a pista, cerca de 40s atrás do líder.
 
Na volta 15, o gigante voltava a aparecer com destaque. Wilson fazia a melhor volta provisória da prova: 1min07s083. No giro seguinte, se aproveitando de um pit-stop horrível da CFH, o inglês partiu para cima e passou com categoria por Josef Newgarden. Wilson já era 14º, com alguns pilotos ainda sem o pit-stop realizado.
 
A segunda bandeira amarela veio na volta 21. Em um toque entre Takuma Sato e Stefano Coletti, uma série de detritos ficou na pista. Wilson assumia, momentaneamente, a quinta posição com os pit-stops dos ponteiros.
 
A bandeira verde voltou a ser acionada na volta 26 e foi aí que Wilson fez, provavelmente, a manobra da corrida. Imediatamente superando Rodolfo González, o inglês não tomou conhecimento dos dois principais candidatos ao título na curva 6 e, por fora, passou nada menos que Rahal e Juan Pablo Montoya, já se aproximando de Tristan Vautier para brigar pela liderança provisória. Quem atrapalhava era Kimball, retardatário que aparecia exatamente entre os dois ponteiros.
 
Kimball foi para os boxes na 31ª volta, finalmente permitindo que Wilson apertasse o ritmo para cima de Vautier. De qualquer forma, o ritmo do francês impressionava, afinal, ele não havia feito nenhuma parada.
 
Vautier foi chamado pela Dale Coyne para os boxes na volta 33 e, então, Wilson finalmente assumia a merecida primeira colocação. Atrás do inglês seguiam nada menos que Montoya e Rahal, nesta ordem.
 
Três giros mais tarde, Wilson voltava a cravar a melhor volta da corrida: 1min06s761 era o tempo do então líder.
Justin Wilson foi um dos nomes da prova em Mid-Ohio (Foto: IndyCar)
O ritmo do britânico seguia impressionantemente bom. Sem correr riscos, Wilson virava 0s2 mais rápido que os rivais a cada volta e chegava ao 39º giro com 2s3 de vantagem para Montoya. Então, era hora de sua segunda parada.
 
O trabalho da Andretti foi regular, realizando o pit-stop em 8s3, 1s3 mais lento que o de Scott Dixon, por exemplo. Ainda assim, Wilson retornava à pista em décimo, entre Sébastien Bourdais e Tony Kanaan.
 
A primeira volta do novo stint não foi das melhores e o inglês acabou sendo superado pelo baiano da Ganassi. Com algumas paradas dos líderes, incluindo Montoya e Rahal, Wilson já surgia novamente entre os oito primeiros, mas atrás do colombiano que contou com um ótimo trabalho da Penske nos boxes.
 
O stint de Wilson realmente não era bom. Rapidamente, o #25 da Andretti acabou sucumbindo à pressão, tanto de Newgarden, quanto de Rahal. Wilson era sexto, com apenas Helio Castroneves e Kanaan em sua frente sem o segundo pit-stop.
 
Com as paradas dos dois brasileiros na volta 48, Wilson se tornava quarto colocado. Entretanto, seu momento era muito mais de se defender de Ryan Briscoe que atacar Rahal.
Graham Rahal contou com o respeito de Justin Wilson em Mid-Ohio (Foto: IndyCar)
Na voltas seguintes do terceiro stint, Wilson continuou escoltando o top-3 e controlando bem o quarto lugar. Assim foi até a sua terceira parada, que aconteceu na volta 64, com a Andretti fazendo péssimo trabalho: 9s3 para ele.
 
Wilson voltava na 11ª posição, mas seria extremamente beneficiado com algo que aconteceria no final daquela volta: logo após Dixon e Kanaan terem feito suas paradas, Sage Karam rodou sozinho e causou mais uma bandeira amarela, o que gerou a ira em Montoya, que ficava com a prova totalmente comprometida. Na dele, Wilson ganharia uma série de posições no reposicionamento após os pits.
 
A relargada veio na volta 70 e foi aí a penúltima chance de vitória de Wilson. Com todos os primeiros colocados parando, o britânico só estava atrás de Rahal. O britânico até apertou o piloto da RLL, mas pareceu o tempo todo ciente de que seu colega de Honda estava na luta pelo título e, por isso, ficou bem atento para evitar um choque.
 
O ritmo de Rahal começava a ficar melhor e o americano abriu quase 1s5 em três voltas. Wilson, por sua vez, seguia tranquilo em segundo, com a mesma vantagem para Simon Pagenaud.
 
Com dez giros para o fim da corrida, contudo, lá estava Kimball aparecendo de novo. Mais uma vez, o americano ia para a grama e causava a bandeira amarela. Wilson, que já estava quase 3s atrás de Rahal, ganhava nova chance em mais uma relargada.
 
A última relargada da corrida aconteceu com seis voltas para o final e, mais que da outra vez, Wilson foi para cima de Rahal. 
 
Com push-to-pass sobrando – algo que não acontecia com Rahal – o inglês até chegou a colocar o bico na frente do adversário, mas o piloto da RLL conseguiu a preferência na curva e, novamente, o britânico não quis causar um problema interno na Honda. Rahal, é verdade, foi muito bem na defesa, mas ficou claro que Wilson teve o máximo do respeito com o colega de montadora.
 
O ritmo do britânico caiu um pouco nas voltas finais. Assim, Wilson teve de se contentar em evitar que Pagenaud o tirasse da segunda colocação. Rahal vinha muito mais rápido, em três voltas, a distância já estava em 3s.
 
No fim, Wilson realmente não conseguiu mais ameaçar Rahal, mas encerrava sua trajetória com uma prova marcante, um honroso lugar no pódio e colocando na conta uma ultrapassagem dupla marcante em cima de Rahal e Montoya. Mid-Ohio foi a comprovação das duas características mais marcantes que Wilson deixou: a de um grande piloto e de um cara extremamente respeitoso com os colegas.

Para Rahal, a vitória significou uma sobrevida na temporada. O piloto da RLL contava com o 11º lugar de Montoya para, assim, cortar para nove pontos a diferença na classificação geral.

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