Indy
24/06/2018 19:30

Newgarden reage e volta para disputa com terceiro triunfo, mas é Dixon quem sai como grande vencedor de Elkhart Lake

Josef Newgarden deu a resposta que precisava para seguir firme na luta pelo bicampeonato da Indy e venceu em Elkhart Lake, mas Scott Dixon tornou a roubar os holofotes indo a um pódio improvável e ampliando a liderança na classificação
Warm Up / GABRIEL CURTY, de São Paulo / NATHÁLIA DE VIVO, de São Paulo
 O pódio em Elkhart Lake (Foto: IndyCar)

O GP de Elkhart Lake não foi a loucura que se esperava, mas teve bons momentos e, principalmente, muito equilíbrio entre diversas equipes. No entanto, uma coisa não mudou durante as 55 voltas: a liderança de um Josef Newgarden que viveu um de seus dias mais seguros na carreira.
 
Atual campeão e com potencial para dominar a categoria, o americano precisava urgentemente da vitória por se tratar de um circuito que o favorecia, favorecia seu time e que aparecia logo após uma sequência de resultados que foram bem ruins e o tiraram da liderança da temporada.
 
Jogado para quinto na tabela de pontos, Newgarden reagiu de forma impressionante: dominou a sexta-feira, cravou a pole no sábado e triunfou de ponta a ponta no domingo, chamando a atenção pela forma que se defendeu de um Ryan Hunter-Reay que o pressionou a corrida toda.
 
"Que dia. Eu não sei o que dizer, eu estou exausto. Eu fiz tudo o que eu podia para segurar o Ryan [Hunter-Reay], eu sabia que o [Scott] Dixon estava próximo também, então foi um dia difícil. A equipe fez um ótimo trabalho. Tim [Cindric, estrategista de corrida] me deu a estratégia que eu precisava. Os caras foram perfeitos nos pit-stops. Eu não sei o que dizer. Foi um dia difícil nas brigas, não foi tão fácil como pareceu. Eu fiquei olhando para meus retrovisores metade da corrida e Ryan seguia se aproximando. Eu acredito que o motor fez a diferença. Eu tenho a quilometragem de motor que eu preciso, boa confiabilidade, tudo o que espera da Chevrolet. No fim do dia, para mim, foi o que fez a diferença", explicou Newgarden.
Josef Newgarden venceu quando precisava (Foto: IndyCar)

Com tudo isso, é impossível que alguém possa ter conseguido sair mais forte de Road America do que Newgarden, certo? Errado. Existe Scott Dixon. De novo, como quase sempre, o neozelandês deu show na estratégia, nos boxes e conseguiu um resultado melhor do que o esperado pela Ganassi.
 
Dixon praticamente arrastou o #9 para o terceiro lugar, cavou um lugar no pódio na marra e, assim, fez o tal do 'ponto fora de casa', num tipo de circuito que não é nada bom para Ganassi e Honda. E já são 45 pontos de vantagem na liderança da temporada.
 
"O carro tinha muita velocidade, no final essa foi nossa posição. Se tivéssemos sido capazes de ficar na frente de Newgarden e Hunter-Reay, acredito que teríamos permanecido lá sem problemas. Tentar me aproximar e diminuir a diferença, cheguei no Hunter-Reay na curva 14 e acabei fritando os pneus e perdendo o momento. Acredito que aquela foi a única chance que eu tive de conseguir a segunda colocação. Mas um bom trabalho de Josef e Ryan, foi uma corrida difícil e são bons pontos para nós", disse o neozelandês.
Scott Dixon brilhou e aumentou a vantagem (Foto: IndyCar)
Hunter-Reay passou bem longe do brilho dos dois colegas de pódio em Elkhart Lake, mas pontuou muito bem com o segundo lugar e, em seu melhor ano em muito tempo, está bem firme sonhando com o bicampeonato.
 
"Tiro o meu chapéu para Josef aqui, ele fez um ótimo trabalho. Eu acredito que tinha o ritmo para alcançá-lo no início, mas depois que ele colocou o segundo jogo de pneus vermelhos, e então no fim, consegui acompanhá-lo um pouco, mas no ar sujo, não consegui fazer mais nada. É tudo o que tínhamos hoje. O carro estava realmente bom. Eu esperava dar um show melhor para os fãs, chegar lá e deixar tudo interessante, mas dei 110% o tempo todo. Muito obrigado para a equipes, estrelas do pit-lane", comentou Ryan.
 
Entre os demais principais candidatos ao título, Will Power e Alexander Rossi tiveram tremendos reveses. O primeiro ficou lento simplesmente na largada e acabou sem potência, enquanto o segundo exagerou na rispidez nas disputas e acabou com muma roda danificada.
Alexander Rossi teve boas chances de sair tranquilo como vice de Road America (Foto: IndyCar)
"Eu definitivamente acredito que tínhamos carro para brigar por um pódio. Não foi o suficiente para vencer hoje, mas na metade do segundo stint, tive alguns problemas com o pneu esquerdo dianteiro, o que deixou o carro difícil de pilotar. É decepcionante que algo assim aconteça. É a maneira que as corridas funcionam às vezes, mas ainda estamos em segundo no campeonato e vamos mudar o foco para Iowa", falou Rossi.
 
"Literalmente, desde que comecei o warm-up, faltava alguma coisa. Eu não tenho ideia. Eles trocaram o exaustor e ainda não adiantou, então os caras irão dar uma boa estudada nisso. É inacreditável o número de abandonos que tenho nesta temporada. Eu nunca passei por isso em minha carreira, em tão curto período de tempo. Sim, isso é corrida. Vai de um jeito e então vai de outro. Assim que estamos embaixo, pode tudo mudar para algo bom. Quando penso sobre isso, vem o Mês de Maio, quinto nos pontos e saí como líder, então pode mudar", afirmou Power.
A comemoração no pódio (Foto: IndyCar)
Na 'equipe brasileira' do grid, os ânimos não eram os melhores após a corrida. A Foyt chegou a arriscar com uma estratégia diferenciada para Tony Kanaan, mas o tiro saiu pela culatra. O que era para ser o pulo do gato, acabou sendo apenas um top-15 para os dois pilotos.
 
O #14 sequer fez questão de esconder seu descontentamento com o resultado final, reconhecendo que o carro não estava bom e chegando a cobrar uma melhora por parte da equipe. “Perdemos o nosso ajuste. Sem desculpas. Precisamos melhorar”, falou direto e seco após a corrida deste domingo.
 
Matheus Leist também lamentou o resultado final da equipe, ressaltando que o time tinha potencial de terminar mais a frente do pelotão, mas não se deixou abater. “Tivemos um bom início com um top-10 no treino de sexta-feira, mas depois o carro não teve o comportamento esperando, saindo muito de traseira e dificultando o ajuste para a classificação”, falou.
 
“Saindo da 20ª colocação, a gente esperava arriscar um pouco no acerto e mesmo na estratégia, mas em uma corrida sem muitos incidentes e inteira em bandeira verde, o máximo que conseguimos foi o top-15. Sabemos que teríamos que melhorar em relação aos outros autódromos mistos onde corremos neste ano, mas Road America tinha potencial de um resultado melhor, tanto para mim quanto para o Tony. Em todo caso, vamos continuar trabalhando bastante para melhorar a competitividade de nosso time já a partir da próxima etapa”, resumiu.