Indy
10/06/2018 03:00

No GP do Texas do alívio para novos kits, Penske erra mão no acerto e tem 'mando de pista' quebrado

Os circuitos ovais vinham sendo de domínio de carros da Chevrolet na temporada 2018 da Indy. Isso mudou na noite deste sábado (9), com vitória de Scott Dixon e sua Ganassi Honda no Texas. E isso pode significar dificuldades para Penske, que errou feio no acerto e sofreu com desgaste dos pneus, daqui para frente
Warm Up / FELIPE NORONHA, de São Paulo / GABRIEL CURTY, de São Paulo
 Scott Dixon comemora com sua esposa Emma a vitória no Texas (Foto: IndyCar)

A  temporada 2018 havia visto, até este sábado (9), quatro corridas em circuitos ovais ou mistos. Em todas, a Penske havia vencido: duas com Will Power (Indy 500 e GP de Indianápolis) e duas com Josef Newgarden (Phoenix e Alabama). A tendência para o GP do Texas, portanto, era que a briga ficasse dentro da equipe. E Ter feito top-3 na classificação de sexta-feira só corroborou este pensamento.

Mas, na hora em que tudo valia, a história foi diferente. Finalmente a Honda superou a Chevrolet em ovais e Scott Dixon, que vinha de vitória em uma das provas da rodada dupla de Detroit, triunfou. Mais que isso: dos dez primeiros, apenas duas Chevrolet: a Carlin de Charlie Kimball, em décimo, e a Penske de Simon Pagenaud, que ficou em segundo. No restante, só Honda.

Não é a recém-encerrada final da NBA, não é mata-mata futebolístico, mas o 'mando de quadra', ou melhor, 'mando de pista', foi quebrado. A Penske foi a primeira a sucumbir em seu território preferido. E isso pode ser decisivo para o campeonato.

A surpresa foi que a corrida no Texas não foi a chamada procissão: de forma inesperada, foi cheia de trocas de posição, sem um carro dominante. Ao mesmo tempo, também não teve um monte de carros colados chegando juntos na linha final.
Scott Dixon com chapéu de caubói texano após vencer (Foto: IndyCar)
No fim das contas, não foi mesmo uma 'pack race' com todo mundo colado, mas a Indy achou um meio-termo muito interessante ao menos em Fort Worth, certamente agradando pilotos e fãs. Mesmo as mudanças aerodinâmicas indicando que não seria exatamente uma grande prova. Um alívio tremendo para os novos kits aerodinâmicos.

Se a procissão ocorresse, a vantagem seria da Penske. Não foi. A equipe errou a mão num acerto que era muito agressivo, sofreu muito com bolhas que desgastaram os pneus e viu as rivais aproveitarem brechas.

Se Will Power sonha com o título, não pode ser o culpado por batida com o coadjuvante Zachary Claman DeMelo. Se a Penske pretende dominar a Indy, não pode exagerar na agressividade e ver o pole, Newgarden, ter seus pneus cobertos por bolhas e, mais uma vez, engolido na estratégia.
Josef Newgarden e Alexander Rossi tiveram dias bem opostos (Foto: IndyCar)
No meio disso tudo, Dixon acabou respondendo o que Power fez em Detroit. Se o australiano surpreendeu ao deixar a rodada dupla na ponta, agora foi o neozelandês quem triunfou quando ninguém esperava e saiu do oval texano ponteando o campeonato. E vai ser ruim de tirá-lo dessa briga.

"Amo vencer no Texas. Esse lugar é fantástico. O carro estava ótimo. Qualquer coisa que eu fazia, o carro acertava. Estava um pouco fora do ritmo às vezes, mas não posso agradecer à equipe o suficiente. Os pit-stops foram fantásticos. Acho que tivemos paciência. Queríamos ter certeza que os pneus durassem bastante. Não fazíamos isso de durar o máximo com o tanque  cheio há muito tempo. Conservamos o carro no começo, depois fomos com tudo. Ser líder não é ruim, mas vai ser difícil segurar. Vamos ver as próximas corridas. O carro está bem a temporada toda e vamos tentar seguir assim", comentou Dixon.

Outro que se deu muito bem foi Rossi, mas esse já estava bem mais dentro do roteiro pela grande performance que teve em Phoenix e na Indy 500. Mais uma vez, o americano foi bem agressivo, foi ao pódio e manteve o 100% de voltas completadas em 2018 - assim como Dixon, aliás.

"Simon Pagenaud defendeu bem a posição. Tentei ir para cima, e conseguiria se fosse fácil, mas não pude forçar. Fiquei em terceiro em casa. O carro estava ótimo. Pudemos passar alguns carros e durar bastante com o mesmo combustível. A duração dos pneus também foi boa", comentou o vice-líder.
Will Power teve um dia bem ruim no Texas (Foto: IndyCar)
O terceiro dos candidatos ao título com as cores da Honda é Ryan Hunter-Reay. Longe do seu estilo, o americano também fez boa corrida e se manteve no páreo pelo campeonato apesar de não ter um grande carro no Texas.

"O dia foi sólido, mas só isso. Não consegui colocar o carro na briga no final. Não tive como chegar perto. Parecia que eles estavam se divertindo, mas não pude me juntar. Vou aceitar o top-5. Ganhamos alguns pontos e é o que precisamos fazer", falou Ryan.

Na corrida que mais indicava que seria boa para a Chevrolet e a Penske, Power e Newgarden tiveram péssimos dias. O australiano se envolveu em um acidente com Claman DeMelo em aparente cochilo de seu spotter, enquanto que o americano foi quem mais sofreu com as bolhas nos pneus e ainda tomou um drive-through por queima de largada quando voltava ao páreo nos giros finais.

"Os caras à minha frente estavam salvando combustível e, do nada, alguém apareceu por fora. Por azar, eu não pude ouvir o aviso no rádio. É uma situação ruim, mas algo que acontece em uma pista como essa. Não foi culpa dele. Eu não sabia que ele estava ali. Estava tentando salvar combustível e ele veio por fora. Foi azar, mas vamos seguir para Road America", definiu Will.
Josef Newgarden vai ter pesadelos com a Texas 600 (Foto: IndyCar)
"Tudo que podia acontecer de ruim aconteceu hoje. Todo mundo trabalhou muito para me dar um carro ótimo. Todo mundo fez o que tinha que fazer. O time se esforçou muito. Mas tudo que podia dar errado, deu. É isso", resumiu Josef.

Fora da luta pelo título, Pagenaud ao menos deu uma resposta fundamental para os questionamentos que vinha recebendo. Foi firme, brigou bastante e conquistou um pódio. Agora, a tendência é que o francês cresça sem tanta pressão.
 
"Foi uma boa noite. Começamos bem fortes, gostei do início do carro no calor. Com a queda de temperatura, ficou um pouco mais difícil. Ajustamos o carro de maneira errada. A corrida foi rápida, física. Tentei dar um jeito no equilíbrio. Foi divertido. Tivemos que confiar no pit e na duração dos pneus. Tive boas batalhas, especialmente com Alexander Rossi no final. Ele me deu um pouco de cabelo branco durante as últimas 30 voltas, mas consegui segurá-lo. Foi bom. Precisávamos de um bom resultado", disse o francês.
O abandono de Tony Kanaan (Foto: IndyCar)
Newgarden disse que absolutamente tudo deu errado para ele, mas a coisa foi ainda pior para os brasileiros da Foyt. Tony Kanaan, que brigava por pódio, foi ao muro com um problema no carro, enquanto Matheus Leist tomou um tremendo susto ao pegar fogo sem motivo aparente.
 
"Não sei o que aconteceu. Tínhamos um problema na traseira do carro e isso nos custou a corrida. Tinha sido um grande final de semana até aqui. Quando você fica 12 voltas atrás, não vale a pena voltar para a pista. Paramos porque sabíamos que não íamos ganhar nada. Vamos dar a volta por cima", falou o baiano.
 
“Vinha sendo uma boa corrida para a nossa equipe até então, com boas ultrapassagens e ritmo de prova forte. Mas, de repente, senti a perda de potência na saída da curva 1. Percebi que alguma coisa quebrou e logo depois vi pelo retrovisor que o carro estava pegando fogo. Fiz de tudo para parar o carro o mais rápido possível, evitando acidente com os pilotos que vinham atrás. Assim que parei, consegui soltar o cinto de segurança e desplugar todos os itens para sair imediatamente do carro”, explicou o gaúcho.
 
Para o campeonato, a corrida foi interessante. Para quem ficou acordado na noite brasileira acompanhando o que ocorria no longínquo Texas, também. Nada de giros e giros maçantes: o imponderável venceu e pode não ter sido a última vez em 2018.