Opinião GP: O real peso da pole em Indianápolis e os verdadeiros favoritos à vitória nas 500 Milhas

Ed Carpenter larga na frente na corrida do próximo dia 26, mas a posição, na prática, tem pouco valor. O favoritismo está ao lado da Andretti, que dominou os treinos livres e colocou seus cinco carros no Fast Nine, três deles no top-4. Até Penske e Ganassi estão na briga

 
A 97ª EDIÇÃO DAS 500 MILHAS DE INDIANÁPOLIS, prova que compõe a tríade das mais importantes e tradicionais corridas do calendário automobilístico ao lado das 24 Horas de Le Mans e do GP de Mônaco de F1, está agendada para o próximo dia 26 de maio.

Entretanto, como se sabe, o evento norte-americano vai muito além da data da realização da corrida em si. A programação completa traz duas longas semanas de atividades.

 
O último domingo de maio, tradicionalmente reservado para a Indy 500 e suas histórias  e lendas, é apenas a cereja do bolo. As atividades de equipes e pilotos começam duas semanas antes da corrida. Treinos livres ocorrem incessantemente ao longo de oito dias, há um fim de semana inteiro para a definição do grid — com o Pole Day, no sábado, e o Bump Day, no domingo —, e, na sexta que antecede a prova, ainda é realizado um último dia de testes, o Carb Day.
 
As posições de largada da edição de 2013 da lendária prova foram confirmadas no último fim de semana, e a boa surpresa foi a pole-position de Ed Carpenter. Correndo por sua própria equipe, o norte-americano roubou a cena e conseguiu destronar Penske e Andretti, favoritas absolutas à posição de honra. A equipe comandada por Michael Andretti ponteou nada menos que cinco dos oito treinos livres, enquanto o time de Helio Castroneves, Will Power e AJ Allmendinger ficou na frente em uma das sessões. 
 
Um piloto que crava a pole-position para as 500 Milhas de Indianápolis, como se sabe, tem uma semana inteira para desfrutar do status de 'Rei' da prova, vê os holofotes todos voltados para si e recebe da categoria a polpuda premiação de US$ 100 mil — equivalente a pouco mais de R$ 200 mil. Quando o cara que consegue atingir o feito é um piloto local, para lá de coadjuvante e que corre na categoria de forma independente, a história ganha ainda mais cores e se torna mais bacana. 
Ed Carpenter, pole para as 500 Milhas de Indianápolis de 2013 (Foto: Jamie Squire/Getty Images)
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Mas é preciso dizer que, na prática, o resultado representa pouco. Muito pouco. E o próprio Carpenter admite: "Isso é divertido e é algo gigantesco para nossa equipe. Não quero que eles pensem que não é. Mas a pole não vai significar muito se nós não tivermos performance no dia da corrida", disse, logo após conquistar o resultado.

 
Isso é perfeitamente explicável. Não apenas em Indianápolis, mas em qualquer outro oval, o que vale é o acerto do carro para a corrida, não necessariamente a pole-position. Por ser uma pista larga, de altíssima velocidade e de pouca exigência na condução, um circuito com tais características sugere sempre uma corrida extremamente disputada e aberta, que habitualmente se define nas voltas finais, por conta de estratégias de pneus e combustível.
 
Obviamente, a velocíssima volta de Carpenter, que atingiu impressionantes 228,762 mph — ou 368,16 km/h —, indica que o piloto tem um dos melhores acertos do carro na pista, ainda que possa ser considerado uma 'zebra'.
 
Um pole ‘azarão’ nas 500 Milhas de Indianápolis, por sinal, não é algo tão surpreendente assim. Viajando um pouco no tempo, a edição de 1995 mostrou situação semelhante. Naquela corrida, a última Indy 500 antes da cisão entre CART e Tony George, a posição de honra no grid ficou com Scott Brayton — que morreria um ano depois —, com Arie Luyendyk ao seu lado. Ambos correram pela equipe de John Menard. Os motores dos seus carros eram os incríveis Buick, que davam a Brayton e Arie uma velocidade espantosa em ritmo de classificação, mesmo não sendo constante nas 200 voltas da corrida.
Carlos Muñoz, apesar de ser novato, é um dos favoritos em Indianápolis (Foto: Brett Kelley/IndyCar)
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De volta ao presente, poderíamos colocar Ed na lista de favoritos à vitória, mas é mais correto olhar para uma das favoritas desbancadas no Pole Day: aproveitando o excelente desempenho dos motores Chevrolet, que esmagaram a Honda na classificação, a Andretti impressionou e colocou seus cinco carros no Fast Nine. Três deles no top-4. 

 
É evidente que "corridas são corridas", como diria o outro, mas é extremamente improvável que o vencedor do próximo domingo não seja um dos cinco. o novato Carlos Muñoz, Marco Andretti, Ernesto Viso, Ryan Hunter-Reay e James Hinchcliffe. Um deles, pela lógica, deve faturar as 500 Milhas de Indianápolis.

Mas a lógica, como se sabe, não está lado a lado com a Indy em 2013. Assim, não dá para descartar os carros da Penske. Nem mesmo a Ganassi, com os sempre constantes Scott Dixon e Dario Franchitti, pode ser jogada de escanteio, apesar do desempenho pífio no Pole Day. Tony Kanaan é outro que sempre aparece bem em Indianápolis. 

 
Resta apenas aguardar pelas histórias que serão escritas no próximo dia 26.

Opinião GP é o editorial semanal do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.

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