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Penske ousa na tática com Newgarden, quebra domínio da Honda no Texas e prova ser maior equipe da Indy

Em uma etapa em que a Penske simplesmente não conseguiu competir com os melhores carros da Honda na velocidade, a equipe resolveu mostrar o que faz dela a maior do grid da Indy. Em estratégia ousada, botou Josef Newgarden na frente e aí contou com seu piloto mais talentoso para vencer o esquadrão dos carros japoneses no Texas

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo / GABRIEL CARVALHO, de Campinas
Nem sempre o melhor carro vence uma corrida, mas raramente a melhor equipe sai de mãos abanando. A tônica do GP do Texas pode ser resumida na frase que abre o texto. Em um final de semana em que a Honda sobrou do primeiro treino livre ao terceiro quarto da corrida, a Penske deu um jeito de vencer.
 
E é realmente isso: ela deu um jeito de vencer. Pensar fora da caixa, agir com sagacidade, saber a hora de dar o pulo do gato. O que a Penske fez no oval de Fort Worth foi mostrar que a melhor equipe nem sempre precisa ter o melhor carro para vencer.
 
É bom que se diga que havia também um inspiradíssimo Josef Newgarden para conquistar o triunfo, mas a chamada de Tim Cindric merece muitos aplausos. O estrategista do americano, que não teve um 2018 glorioso, voltou com tudo em 2019 e mostrou o que o faz ser tão badalado. É uma tática melhor do que a outra na atual temporada.
 
No Texas, Newgarden caminhava para brigar, se muito, por um top-5 e possivelmente perderia a liderança do campeonato. Só que Tim e a Penske acharam uma brecha, chamaram Josef para um pit-stop extra durante a bandeira amarela de Zach Veach e, do nada, Newgarden não só surgiu na frente como, na janela seguinte de paradas, retornou com vantagem para os rivais.
Josef Newgarden e a Penske deram o tiro certo no Texas (Foto: IndyCar)
Aí que está: a tática deu certo, o carro também rendeu quando na dianteira e o piloto fez a parte dele: volta mais rápida atrás de volta mais rápida antes de parar, grandes manobras para segurar os ataques de Alexander Rossi, enfim, um resumo perfeito do que é um time espetacular do mecânico ao piloto principal.
 
Josef bem que pode elogiar o carro da Penske e da Chevrolet, está no papel dele, mas é fato que a vitória sequer passaria perto das mãos dele não fosse a ousadia da parada extra. É assim, superando um rival que parecia bem mais forte na pista, que a Penske prova ser a maior da categoria.
 
"Foram estes caras. Eles me colocaram na frente e eu tentei segurar no fim. O carro era muito bom, Eu sabia que tínhamos um foguete e era só ficar na frente. Fomos melhores na frente do que no fundo. Eu sabia que se ficaria tudo certo ganhando posições. Chevrolet fez um grande trabalho, um bom dia para ganhar pontos. Estes caras me colocaram na posição, é mérito deles. Rossi estava rápido, fez uma grande corrida. Ele e o Dixon estavam fortes no fim, foi difícil escapar na relargada, estava preocupado. Rossi foi bom, foi difícil de segurá-lo. Ele era muito rápido com o ar sujo, vi ele anteriormente na corrida e vi o quão bom ele era atrás dos carros, sabia que seria muito duro, mas você viu a velocidade que tive para segurá-lo, agradeço aos caras da Chevrolet. Foi um ótimo dia no texas, feliz por finalmente conseguir vencer aqui", disse o americano que faturou seu primeiro triunfo em um oval longo.
Alexander Rossi segue em grande forma (Foto: Indycar)
Para Rossi, apesar da condição no campeonato não ter mudado muito, fica a frustração por ter perdido, de novo, uma corrida em oval no detalhe para um carro da Penske. Na Indy 500, a defesa de Simon Pagenaud parou o arrojado americano da Andretti. No Texas, filme repetido com Newgarden de 'zagueiro'.
 
"Acho que tínhamos um bom carro, ficamos próximo dele [Newgarden] nas curvas 3 e 4. A segunda linha não esteve ali para mim. Poderíamos passar por fora, mas eu teria que desistir, poderia ter arriscado mais, mas era uma porcentagem pequena. Foi tentar bater ele até o fim, mas gastei muito pneu na linha 2, não teria suficiente para ficar próximo dele até o fim. É um saco, não vi ele na frente na corrida inteira, e do nada, ele é primeiro. É claro, fizeram um bom trabalho, ele tinha um carro na frente. No final, acho que Dixon, eu e Herta estávamos bem em relação ao combustível", falou Rossi, segundo de novo em um oval e segundo também no campeonato, 25 pontos atrás de Newgarden.
 
Se a corrida foi ruim para Simon Pagenaud que chegou em sexto sem fazer praticamente nada, foi muito pior para Scott Dixon, que tinha potencial até para vencer e acabou no muro junto com Colton Herta ao tentar se defender do empolgado garoto. Já são quase 100 pontos, de novo, de desvantagem para Newgarden.
Scott Dixon tinha cara de vencedor no Texas (Foto: Indycar)
"Eu ouvi o time falando que o outro carro estava tentando por dentro e tentei fechar. Era o fim da corrida, estava olhando, vi a sombra dele e entendi que aquilo não daria certo. Peço desculpas se foi culpa minha, estava me esforçando para tirar o máximo do carro no final da corrida", declarou Dixon, quarto no campeonato.
 
E Scott poderia muito bem ser quinto se Takuma Sato não tivesse feito algo bem pior. Na liderança após cravar a pole, o japonês entrou todo estabanado nos boxes e arremessou longe um de seus mecânicos, perdendo tempo, tomando punição e jogando fora suas chances de voltar ao páreo no campeonato.
 
"Eu peço desculpas. Os caras fizeram um grande carro hoje e estraguei tudo. Errei na entrada do pit, e felizmente, ninguém se feriu", lamentou Takuma, ainda na frente de Will Power e em quinto na temporada.
Takuma Sato acertou feio o mecânico (Foto: Reprodução)
O que dizer então da fase que vive a Foyt? Esperando coisas boas em ovais, o time teve um desempenho pífio no Texas e não apresentou qualquer ritmo competitivo. Matheus Leist abandonou com problemas e Tony Kanaan, na corrida em que igualou o chefe AJ Foyt como segundo com mais largadas na Indy, arrastou o carro para 16º.
 
"Fizemos o que poderíamos fazer. Foram 27 mudanças durante a noite, era uma configuração nova para a corrida. Tentei administrar o que tínhamos. Acho que chegamos ao ponto em que temos algo a trabalhar, estou feliz por terminar. Poderíamos terminar no top-12 se não fosse a punição, mas quando você tenta, está tentando muito. No final, terminamos e aprendemos. Temos de pegar o aprendizado aqui e levar para o próximo oval", afirmou Tony.




 
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