Primeira metade da temporada 2013 da Indy revela candidatos ao título e mostra reação da Penske em ovais

Passadas dez das 19 etapas do campeonato, Castroneves, Andretti e Hunter-Reay dominam a disputa, com Kanaan correndo por fora e Hinchcliffe ainda pecando pela falta de regularidade em duelo que exige o máximo de cada piloto a todas as provas. Ganassi já é a grande decepção do ano, enquanto a Honda segue levando um banho da Chevrolet

 
O GP de Iowa, décima prova da temporada 2013 da Indy, marcou o início da segunda metade do campeonato, que conta com um total de 19 etapas – considerando, individualmente por corrida, as rodadas duplas de Detroit, Toronto e Houston. Com um calendário extenso, acelerado e extremamente mal distribuído pela categoria, chegamos ao mês de junho já com a primeira parte da disputa totalmente superada e com alguns dos cenários muito bem definidos, pouco sujeitos a modificações – principalmente com relação à luta pelo título. 
 
Helio Castroneves está na liderança do campeonato praticamente desde o início, ponteando a tabela com 332 pontos, contra 232 do vice-líder Ryan-Hunter Reay e 277 de Marco Andretti. James Hinchcliffe, piloto-sensação deste ano, aparece 'apenas' em quarto, com 266 – 'apenas' justamente por ser ele o único com três vitórias em um campeonato cujo grande fator de diferença, mais do que em outras temporadas, é a regularidade.
 
É justamente por conta disso é que o quinto posto de Tony Kanaan, com 253 pontos, soa muito mais positivo do que a quarta posição do canadense na classificação. Enquanto o piloto da Andretti intercala grandes triunfos com atuações pouco dignas de nota – mesmo tendo o melhor equipamento do grid –, o brasileiro da KV leva seu carro até o limite em rigorosamente todas as corridas e vem em escala linear e ascendente na competição. 
Hinchcliffe é o piloto com mais vitórias em 2013, mas não é regular (Foto: Chris Trotman/Getty Images)
Além disso, ao contrário de Hinchcliffe, TK comete pouquíssimos erros e se vale de sua enorme experiência para evitar maiores problemas ao longo das corridas – macete que ainda falta ao promissor canadense. Não fosse o descontrole de Oriol Servià em Long Beach e a infeliz pane seca em São Paulo, o vencedor das 500 Milhas de Indianápolis estaria bem mais à frente no campeonato. 
 
É certo que o baiano ainda vai crescer nesta segunda metade. É ele o mais forte entre os que correm por fora na luta pelo título. A James,  por enquanto, resta esperar que sua primeira temporada como protagonista lhe dê a experiência necessária para se tornar um dos grandes da história da Indy em um futuro a curto prazo.
 
Seguindo em frente, diante desta mesma ótica – a do peso da experiência e da regularidade no campeonato –, a disputa entre os favoritos promete se tornar sensacional já a partir do GP de Pocono em diante: entre Castroneves, Hunter-Reay e Marco, o menos experiente é justamente o filho de Michael Andretti. Mesmo assim, já conta com sete temporadas nas costas e parece ter aprendido a dosar seu ímpeto outrora desmedido. É justamente isso o que lhe faz estar em terceiro mesmo sem ter nenhuma vitória em 2013.
 
Já entre Helinho e Ryan, sobra conhecimento: o primeiro estreou em 1998, pela extinta Bettenhausen, enquanto o segundo fez seu debute em 2003, na também extinta Johansson. Um possui dois vice-campeonatos, em 2002 e 2008, enquanto o outro defende o título conquistado em 2012. O brasileiro, no entanto, comete raríssimos erros, enquanto o norte-americano ainda peca pelos excessos – sobretudo nos circuitos mistos.

Em um cenário de tamanho equilíbrio e de tão poucas diferenças notadas apenas nos detalhes entre estes três pilotos, o grande fator determinante é a alternância de desempenho entre as equipes Andretti e Penske. Em certo momento da temporada, enquanto o time de Roger Penske se embananava no pelotão intermediário, a Andretti navegava em mar calmo e enfileirava vitória atrás de vitória  – foram cinco até agora, com as outras cinco distribuídas aleatoriamente entre Foyt (Takuma Sato, em Long Beach), Dale Coyne (Mike Conway, em Detroit 1), Schmidt (Simon Pagenaud, em Detroit 2), KV (Kanaan, em Indianápolis) e Penske (Castroneves, no Texas).

Castroneves celebra, no Texas, a vitória que marcou o despertar da Penske (Foto: Getty Images)
Foi justamente a partir de West Allis que o time mais tradicional da Indy começou a se reerguer. Em um campeonato até então intercalado pelo domínio da Andretti e por vitórias consideradas zebras, Penske e Ganassi se debatiam nas últimas posições. Só Helinho tirava leite de pedra durante o mau início de sua equipe. Mas quando o calendário chegou na sequência de ovais, a escuderia de Castroneves e Will Power acordou e já se coloca, agora, como a grande adversária da esquadra de Michael Andretti – o que é excelente para o campeonato e, basicamente, apenas para o brasileiro, já que seu companheiro de equipe vive um ano para ser jogado no lixo e não há nenhum indício de que a situação mudará na metade final da temporada.
 
Resumo da história: Do triunvirato dominante da Indy em 2013, deve sair o campeão. E entre apostar no bicampeonato de Hunter-Reay ou no primeiro título de Marco, sigo certo de que Castroneves é, por pequenos mas decisivos detalhes, o candidato mais preparado e principal favorito à taça de 2013.
 
Do lado de lá
 
Nas sombras do pelotão, o destaque negativo é a Ganassi, que não consegue encontrar meios de sair da lama, e em dez provas, não teve rigorosamente nenhuma atuação digna da força histórica e da tradição da equipe. Na raça, Scott Dixon ainda consegue se manter no top-10 do campeonato, mas Dario Franchitti, de forma preocupante, tem dado vexame e demonstrado enorme apatia na maioria das corridas. Teria acabado o fôlego do escocês?
 
Estreias estelares
 
Em 2013, Sato, Hinchcliffe e Pagenaud conquistaram suas primeiras vitórias na categoria. Os dois primeiros da lista, por sinal, guardam histórias interessantes: enquanto o piloto da Foyt se tornou o primeiro japonês a triunfar na competição norte-americana, o canadense da Andretti surgiu como o maior nome do Canadá desde Greg Moore, outro piloto carismático, velocíssimo e arrojado.
Carismático e velocíssimo: Hinchcliffe tem tudo para ser ídolo na Indy (Foto: Chris Jones/Indycar)

Hinch, além de tudo, faz renascer a mítica do #27 – herança de outros dois compatriotas, Gilles e Jacques Villeneuve. O primeiro eternizou o número na F1, enquanto o segundo foi campeão da Indy em 1996 usando a mesma numeração do pai. Bom de braço e grande figura, o jovem James trilha os primeiros passos para se tornar ídolo na América.

 
Chevrolet > Abismo > Honda
 
A superioridade da Chevrolet em relação à Honda é abissal. A fornecedora de motores norte-americana venceu nada menos que sete das dez etapas disputadas em 2013 – cinco com a Andretti, uma com a KV e uma com a Penske. À montadora japonesa, restaram apenas três triunfos, com Foyt, Dale Coyne e Schmidt – todas em misto, nenhuma em oval. Um verdadeiro banho.

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