Vitória de VeeKay completa invasão jovem na Indy mais equilibrada dos últimos tempos

No começo mais imprevisível de temporada desde 2013, a Indy vê uma verdadeira invasão jovem com suas quatro maiores promessas já tendo vencido corridas em 2021. Rinus VeeKay engrossou a lista e aumentou o leque de possibilidades às vésperas das 500 Milhas de Indianápolis

Rinus VeeKay era a peça que faltava encaixar uma vitória para completar uma verdadeira invasão jovem no grid da Indy. No começo de temporada mais complexo de ser analisado dos últimos anos, a categoria tem quatro promessas enormes já triunfando no primeiro terço do campeonato e, sem ninguém se destacando muito mais do que o resto do pelotão, deixa a quinta corrida totalmente aberta.

Holandês de apenas 20 anos, Rinus é o caçulinha da chamada ‘Next Gen’ da Indy. A nova geração de pilotos, em uma tradução livre, consiste em quatro nomes que, caso tenham condições suficientes, certamente vão brigar por títulos na categoria. É um quarteto que, pensando apenas em potencial, tem tudo para tomar conta do pelotão por mais de uma década, caso Scott Dixon e Josef Newgarden larguem o osso.

O principal expoente da turma talvez seja Pato O’Ward. Na verdade, o mexicano é quem mais esteve perto da briga pelo campeonato em 2020 e, apesar de uma McLaren claudicante, segue no páreo para 2021. Além dele, Colton Herta, já principal nome da gigante Andretti, surge como o mais vitorioso dos quatro, enquanto que Álex Palou, da Ganassi, é quem está mais bem posicionado na tabela de pontos da temporada atual.

Rinus VeeKay completou a invasão jovem na Indy (Foto: IndyCar)

E onde entra VeeKay na história? Na menor equipe das quatro, a Carpenter, o holandês foi também quem triunfou por último, mas foi em grande estilo, no GP de Indianápolis 1. Rinus saiu de sétimo no grid e teve, o tempo inteiro, uma abordagem extremamente agressiva. Muito rápido com os dois pneus, não fugiu de nenhuma disputa e, quando teve a oportunidade, passou um Romain Grosjean ainda frágil com os compostos duros sem hesitar.

No maior templo do automobilismo, ainda que no traçado misto dele, é verdade, Rinus atingiu um novo patamar. O holandês, agora, pode muito bem ser colocado na mesma prateleira de Herta, O’Ward e Palou. Pode ainda, quem sabe, ser considerado um real postulante ao título de 2021, afinal, a Indy vive um começo de ano em que ninguém é de ninguém, como deu para ver na adaptação relâmpago de Grosjean e no primeiro pódio do francês na nova categoria.

E é justamente deste equilíbrio que precisamos falar. Analisando friamente, não é exagero algum dizer que a Indy parte para as 500 Milhas de Indianápolis com o começo de ano mais indecifrável desde 2013. Naquele ano, James Hinchcliffe tinha duas vitórias e dois abandonos, ou seja, não passava qualquer confiança de que sequer brigaria pelo título, como não aconteceu, nem perto. De lá para cá, sempre havia alguém que já despontava como favorito ao caneco.

Romain Grosjean já tem pódio na Indy: dava para imaginar? (Foto: Indycar)

Em 2014, Will Power e Ryan Hunter-Reay começavam o ano na frente e, no fim, favoritismos confirmados: o australiano levou o campeonato, o americano ficou com a Indy 500. Na temporada seguinte, Juan Pablo Montoya foi quem iniciou na frente e acabou perdendo o campeonato no desempate para Dixon, mas também não saiu de mãos abanando, levando a melhor na principal corrida do ano.

2016 e 2020 tiveram histórias muito parecidas, só com personagens trocados: Simon Pagenaud em um, Dixon no outro. Dois anos em que a dupla começou absolutamente avassaladora nas primeiras etapas e não jogou a vantagem fora no resto do campeonato. 2019 foi em linha próxima, com Newgarden sempre se mostrando o cara a ser batido. Em 2017 e 2018, o dominante no início foi vice, mas estava lá presente, foi chamado de favorito. Primeiro, Pagenaud, que perdeu de Newgarden. Depois, Alexander Rossi, derrotado por Dixon.

Em 2021, porém, isso não existe. Seria completamente insano apontar um grande favorito ao título nessa mesma altura que se tinha um candidato destacado nos últimos sete anos. É complicado, inclusive, delimitar até quem está na disputa pelo campeonato. Herta, por exemplo, é o décimo colocado, mas será que é tão absurdo assim imaginá-lo disputando a taça?

Dá para chamar Scott Dixon de favorito em 2021 no meio da invasão jovem? (Foto: IndyCar)

A Indy passa por um ano difícil até de ser explicado, mas que é, certamente, equilibradíssimo. De um lado, nomes consagrados e campeões como Dixon, Newgarden, Power e Pagenaud. Do outro, a invasão jovem de Palou, O’Ward, VeeKay e Herta. No meio deles, um Graham Rahal que vai ficando melhor a cada ano que passa e o novato-veterano Scott McLaughlin. Está todo mundo no bolo, ainda que o sempre temido Dixon lidere por uma margem ínfima.

Pensando em Indy 500, além dessa enorme turma, como descartar lendas de Indianápolis como Helio Castroneves, Juan Pablo Montoya, Takuma Sato e Tony Kanaan? Ou então vencedores como Hunter-Reay e Rossi, poles como Ed Carpenter e Hinch? Enfim, equilíbrio e mais equilíbrio.

As cartas estão na mesa e, definitivamente, absolutamente embaralhadas. Ao que tudo indica, a Indy parte para as 500 Milhas de Indianápolis menos previsíveis em muito tempo, mas que, por terem pontuação dobrada, podem finalmente dar algum norte na lista de favoritos na disputa do campeonato de 2021.

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