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Rossi sai da F1 para pôr nome na história e ganhar edição histórica das 500 Milhas de Indianápolis

Depois de ter sido enxotado da F1, Alexander Rossi veio para a Indy para vencer a maior corrida de todas. O jovem norte-americano é o mais novo rookie a celebrar as 500 Milhas de Indianápolis. E não é qualquer uma: a edição 100. Carlos Muñoz bateu na trave de novo e cruzou em segundo, logo à frente de Josef Newgarden. Tony Kanaan foi o brasileiro melhor colocado, em quarto, enquanto Helio Castroneves terminou em 11º
Warm Up, de Indianápolis / VICTOR MARTINS, de Indianápolis
 Alexander Rossi liderou a última sessão antes da classificação para Indy 500 (Foto: Indycar)
Alexander Rossi era um piloto da rabeira da F1 até meses atrás. Correu de Marussia e não tinha mais nada. Veio pra Indy. E pra quê? Pra ganhar as 500 Milhas de Indianápolis. Rossi foi o cara menos aplaudido na apresentação dos 33 pilotos. Levantou as mãos até meio constrangido. Recebeu a recompensa da sala de imprensa e do autódromo inteiro quando lentamente cruzou a linha de chegada neste domingo (29).
Alexander Rossi (Foto: Indycar)
Todos, absolutamente todos, foram parando nos boxes. E de repente, surgiu Rossi andando forte no fim. Chegou a ter quase uma volta de vantagem para o segundo colocado. Na 198, foi reduzindo drasticamente a velocidade; na 199, tinha 14s de vantagem para Muñoz e arriscou seguir na pista se arrastando. E num fim típico de Indy 500, cruzou a linha de chegada, parando metros depois sem combustível.
A vitória põe Bryan Herta de novo em evidência. É ele o corresponsável pelo carro #98, o mesmo que deu a vitória a Dan Wheldon em 2011.

Kanaan, no fim das contas, ficou em quarto e Castroneves, em 11º.

Rossi é o primeiro rookie a vencer em Indy desde 2001, ano em que justamente Castroneves ganhou. Alexander mal sabia o que falar diante do choro. Alexander mal sabia o que fazer. Alexander, pelo menos, sabe o que vai ser: mais aplaudido e respeitado. Indy, sua linda: só você poderia fazer isso.

Saiba como foi a 100ª edição das 500 Milhas de Indianápolis

A largada se deu na mais santa calmaria possível, com Hinchcliffe pondo o carro bem à frente para marcar território; na reta seguinte, no entanto, foi ultrapassado por Hunter-Reay. Começava, ali, a festa das ultrapassagens na ponta, com os dois se revezando. Mais atrás, bastaram sete voltas para que Kanaan superasse Castroneves para assumir a nona colocação; na décima, já aparecia em sétimo.
 
Tirando Buddy Lazier, que nem largou, o grupo dos 32 formou uma linda e compacta fila que ficou separada por cerca de 15s, encerrada pelo novato Spencer Pigot, da RLL.
 
A toada assim seguiu até a volta 27, quando os dois primeiros foram juntos para os pits e deram início à primeira rodada de troca de pneus e reabastecimento. Lá, Hinchcliffe deixou o carro morrer e perdeu tempo à beça. Por uma volta, Newgarden assumiu a liderança até que fosse aos boxes; depois, a liderança caiu para Muñoz e, na sequência, Sage Karam. 32 giros, então, eram o limite dos carros.
 
Hunter-Reay reapareceu na primeira posição tendo em sua cola um ascendente Pagenaud, o altivo Newgarden e o perseverante Bell. Hinchcliffe não acabou tão longe dos ponteiros, sendo sexto. Mas a primeira parada serviu para separar o grupo. Naquele período, os brasileiros andavam juntos, com Kanaan em oitavo à frente de Castroneves.
 
Uma nova mudança na posição principal deu-se na 42, quando Bell cansou de apenas seguir o primeiro. Quatro voltas depois, eis que a primeira amarela do dia surgiu, por detritos na pista. Foi a deixa para todo mundo entrar nos boxes. Lá, Kanaan acabou espremido por Power na faixa de rolamento, mas sem sofrer danos. Com um trabalho melhor, a Andretti de Hunter-Reay o colocou novamente no topo sobre a Andretti de Bell, que ainda caía mais uma posição – o amarelo-limão de Pagenaud estava entre eles.
 
Ainda no período da amarela, a direção de prova investigou o incidente e puniu Power, jogando o piloto da Penske para o fundo do grid.
 
Na 54, veio a verde, e Pagenaud se atrapalhou, provocando um bololô. O líder do campeonato despencou para nono, permitindo que Kanaan e Castroneves ganhassem uma posição cada. Bell se animou com o segundo lugar ganho de graça e foi para cima de Hunter-Reay, liderando novamente por instantes. Do nada, eis que o carro #5 brotou em primeiro: sim, era Hinchcliffe dominando a Indy 500. Começava a brincadeira da troca de líderes de novo, agora com três candidatos.
 
Mas uma nova interrupção no ritmo normal se deu na 63: o vencedor do ano passado, Juan Pablo Montoya, perdeu o controle na entrada da curva 2, tentou salvar o carro e deu com a frente no muro, destruindo a suspensão e suas chances. Juan Pablo vinha em posição intermediária e pouco brilhou. A bem da verdade, para quem trata a Indy 500 como qualquer outra corrida, até que o fim lhe é cabido.
 
De novo, a patuleia visitou os boxes. Hinchcliffe saiu na frente dos rivais, só que era segundo na ordem porque a Penske optou por manter Power na pista. Pagenaud teve um incidente semelhante ao do próprio Power nos pits, quase batendo com Aleshin, e recebeu punição igual: ir para o fim do pelotão. Castroneves ganhou terreno, pulando para quarto.

Quando as ações seriam retomadas, a direção de prova avistou que havia algum ponto da pista molhado por alguma nuvem passageira. Sem avistar nada no radar, foram três voltas desperdiçadas, e a verde tremulava na 75.
 
A liderança de Power não durou meia reta: Hinchcliffe superou com facilidade, trazendo Hunter-Reay a tiracolo. Os dois partiram para mais um passa-repassa, com Bell de espectador. Na 84, Castroneves chegou ao terceiro posto com o amarelão #3.

Numa destas idas e vindas dos dois primeiros, Helio aproveitou o vácuo e o embalo de Hinchcliffe para, então, ser segundo. No giro 90, o brasileiro assumiu a ponta para começar a entrar no jogo.
 


O primeiro grande susto da Indy 500 #100 pintou quando Karam, andando entre os primeiros, tentou passar Bell por fora na curva 1. Um leve ‘chega pra lá’ do piloto experiente foi o suficiente para o jovial perder o controle e estampar o muro. Nada aconteceu com o rapaz da Dreyer & Reinbold #24. Uma nova rodada de pits se abriu.

Uma nova rodada de pits se abriu, e Helio saiu sem sustos na frente dos concorrentes diretos; na pista, ficou atrás de Bryan Clauson, que teve seu momento de fama ali na prova. Mas ainda no período da amarela, seu time o chamou para os boxes.

Na relargada, Kanaan deu um salto daqueles costumeiros e foi de sexto para terceiro, e Hunter-Reay tomou o doce de Castroneves. Duas voltas depois, na 106, TK passou HCN – que perdeu velocidade e acabou superado também por Bell e Hinchcliffe.
 
O público veio ao delírio com Kanaan na ponta, por um instante, na 109. Hunter-Reay não deixou por muito tempo. Bell logo se pôs à frente. Os cinco primeiros estavam para o que desse e viesse dentro de 1s de diferença.

O pelotão intermediário gerou mais uma amarela na 114, quando Aleshin, em 13º, rodou entre as curvas 1 e 2 e bateu. Conor Daly se assustou e, ao tentar desviar, acabou vendo o mundo girar também. A amarela tinha sua finalidade.
 


E aí veio o momento pastelão: Castroneves vinha na faixa de saída normalmente e viu Bell deixando seu pit. O choque houve, por culpa do norte-americano, que perdeu o controle do carro e acertou o companheiro Hunter-Reay. A maldição da Andretti se estendia aos seus pilotos.

Na bagunça toda, Alex Tagliani estava primeiro, trazendo seu xará Rossi a reboque. O melhor dos ‘normais’ era Castroneves, com o recuperado Pagenaud, o combativo Hinchcliffe e o nasal Kanaan fechando os primeiros.

A partir da 121, Tagliani e Rossi resolveram brincar de serem líderes, alternando como os demais fizeram, por três ou quatro voltas. O piloto que ainda mantém um pé na F1 aproveitou que o companheiro e retardatário Bell estava ali no meio para sustentar a primeira posição e poupar combustível, ficando em seu vácuo. Na 134, Tagliani foi aos pits, abrindo o segundo lugar a Kanaan e o terceiro, a Castroneves; na 138, foi a fez de Rossi. Os brasileiros, então, comandavam a Indy 500 #100.


Bem à frente dos demais, Castroneves e Kanaan abriram distância para o resto e foram os primeiros a parar. Deram uma baita sorte: foi no momento em que Lazier apareceu na transmissão, perdendo a roda dianteira esquerda assim que saiu dos boxes. Um pastelão que só poderia ter sido cometido por sua equipe. Enfim, o vencedor da Indy 500 de 1996 abandonou.

A amarela deu lugar à verde na 158, com Kanaan ultrapassando o compatriota e trazendo Newgarden e Hinchcliffe para o negócio. Castroneves foi perdendo rendimento, e logo ficou visível o problema: o parachoque esquerdo se desprendeu do carro. Quando parecia que os boxes seriam o destino, Takuma Sato deu um jeito de ajudar, batendo.A grande maioria parou, menos Hildebrand e Tagliani.

Kanaan voltou endiabrado com a verde e pulou de quarto para primeiro, sustentando a ponta por um bom tempo. Foi só na 178 que encontrou um adversário, Newgarden, que o ultrapassou. Tony devolveu na 182.

Mas aí surgiu Muñoz, que passou o brasileiro e foi incomodar Newgarden. Os dois abriram uma distância suficiente para evitar o vácuo e a aproximação de Kanaan. Faltando oito para o fim, Tony foi aos pits para um splash & go. Na sequência, veio Newgarden. E, na 195, Muñoz.

Indy 2016, 500 Milhas de Indianápolis, corrida:
1 98 ALEXANDER ROSSI EUA ANDRETTI HONDA 200 voltas  
2 26 CARLOS MUÑOZ COL ANDRETTI HONDA +4.497  
3 67 JOSEF NEWGARDEN EUA FISHER HARTMAN HONDA +4.930  
4 10 TONY KANAAN BRA GANASSI CHEVROLET +10.496  
5 83 CHARLIE KIMBALL EUA GANASSI CHEVROLET +10.521  
6 6 JR HILDEBRAND EUA CARPENTER CHEVROLET +11.345  
7 27 JAMES HINCHCLIFFE CAN ANDRETTI HONDA +12.774  
8 9 SCOTT DIXON NZL GANASSI CHEVROLET +15.160  
9 11 SÉBASTIEN BOURDAIS FRA KV CHEVROLET +21.061  
10 12 WILL POWER AUS PENSKE CHEVROLET +21.517  
11 3 HELIO CASTRONEVES BRA PENSKE CHEVROLET +22.101  
12 77 ORIOL SERVIÀ ESP SCHMIDT PETERSON HONDA +23.814  
13 27 MARCO ANDRETTI EUA ANDRETTI HONDA +24.970  
14 15 GRAHAM RAHAL EUA RLL HONDA +28.249  
15 8 MAX CHILTON ING GANASSI CHEVROLET +28.758  
16 41 JACK HAWKSWORTH ING FOYT HONDA +32.174  
17 35 ALEX TAGLIANI CAN FOYT HONDA +32.199  
18 63 PIPPA MANN ING DALE COYNE HONDA +1 volta  
19 77 SIMON PAGENAUD FRA PENSKE CHEVROLET +1 volta  
20 19 GABBY CHAVES COL DALE COYNE HONDA +1 volta  
21 6 TOWNSEND BELL EUA KV CHEVROLET +1 volta  
22 61 MATT BRABHAM AUS PIRTEK CHEVROLET +1 volta  
23 88 BRYAN CLAUSON EUA JONATHAN BYRD HONDA +2 voltas  
24 28 RYAN HUNTER-REAY EUA ANDRETTI HONDA +2 voltas  
25 16 SPENCER PIGOT EUA RLL HONDA +5 voltas NC
26 14 TAKUMA SATO JAP FOYT HONDA +37 voltas NC
27 7 MIKHAIL ALESHIN RUS SCHMIDT PETERSON HONDA +74 voltas NC
28 25 STEFAN WILSON ING KV CHEVROLET +81 voltas NC
29 18 CONOR DALY EUA DALE COYNE HONDA +85 voltas NC
30 91 BUDDY LAZIER EUA LAZIER CHEVROLET +100 voltas NC
31 20 ED CARPENTER EUA CARPENTER CHEVROLET +102 voltas NC
32 24 SAGE KARAM EUA DRR KINGDOM CHEVROLET +107 voltas NC
33 2 JUAN PABLO MONTOYA COL PENSKE CHEVROLET +137 voltas NC
PADDOCK GP #30 DEBATE INDY, F-E E MOTOGP