Indy

Sato aproveita pole e vence com autoridade GP do Alabama. Newgarden vai de 16º para quarto

Takuma Sato escapou de todas as brigas em um movimentado GP do Alabama. Apesar de um erro no final, o japonês manteve o tempo todo boa vantagem para os demais e chegou ao quarto triunfo na categoria, segundo com a RLL. Josef Newgarden teve mais uma exibição brilhante em Barber e foi de 16º para quarto

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo
Takuma Sato confirmou a pole e venceu pela quarta vez na Indy. Neste domingo (7), o japonês fez exibição bem segura e, apesar de um erro no final, conseguiu triunfar no GP do Alabama com a RLL. Foi a segunda vez do veterano Takuma no topo do pódio com a equipe dos Rahal, tendo vencido também no misto de Portland, em 2018.

Rei da regularidade, Scott Dixon conseguiu fazer uma corrida bem ao seu estilo. Dono de um retrospecto de pódios muito respeitável em Barber, o neozelandês segurou o ímpeto de Sébastien Bourdais no final e garantiu um segundo lugar crucial para o início de campeonato.

Em uma prova em que a Honda foi claramente superior, voltou a brilhar a estrela de Josef Newgarden. Com a grande atuação do ano até aqui, o americano carregou a Penske e a Chevrolet nas costas. Fazendo ótimas ultrapassagens, a última delas com arrojo em cima de ninguém menos que Alexander Rossi, o americano foi de 16º no grid para quarto no final, comprovando a força que tem no Alabama.

Rossi completou em quinto em uma corrida mais apagada que o seu normal, seguido pela dupla da Schmidt Peterson, que sai, certamente, com sensações opostas. Andando sempre na frente, James Hinchcliffe foi sexto, enquanto Marcus Ericsson teve uma corrida como a de Newgarden para ser sétimo.

Ryan Hunter-Reay, Simon Pagenaud e Felix Rosenqvist perderam os duelos diretos com os companheiros mais fortes, mas conseguiram fechar o grupo dos dez primeiros. Will Power, em jornada estabanada, foi 11º, enquanto a Foyt voltou a sofrer e teve Tony Kanaan e Matheus Leist, respectivamente, em 18º e 20º.
Takuma Sato venceu em Barber (Foto: IndyCar)
Confira como foi o GP do Alabama

A largada para o GP do Alabama aconteceu às 17h14 (em Brasília). Takuma Sato se defendeu bem das investidas do companheiro Graham Rahal e manteve a ponta, com Scott Dixon, James Hinchcliffe e Alexander Rossi, em ótima saída, aparecendo atrás.
 
Só que o que chamou mesmo a atenção foi a saída de Ed Jones, que ganhou cerca de 15 posições de forma nada natural. Foram poucos segundos até que a direção de prova começasse a investigar a largada. Poucos segundos também para chegar o drive-through para o apressado piloto da Carpenter.
 

Apesar de alguns pequenos enroscos e escapadas na largada, os primeiros giros foram calmos, com pequenas trocas de posição no meio do grid e Josef Newgarden pulando para 15º tentando reagir. Na volta 5, Sato, Rahal, Dixon, Hinch, Rossi, Sébastien Bourdais, Spencer Pigot, Colton Herta, Ryan Hunter-Reay e Will Power formavam o top-10.

Foi já na volta 9 o início da primeira rodada de paradas e Newgarden foi lá junto com Chilton, Ericsson, Jones e Ferrucci, tentando surpreender na estratégia. Não demorou para que Rosenqvist, Power e Herta fizessem o mesmo.
 
O começo do segundo stint de Newgarden era extremamente promissor. Com bom ritmo e muito conhecimento da pista, o americano fez linda ultrapassagem em cima de Herta e iniciou a tentativa de buscar Power, até ali o melhor piloto dentre os que já tinham parado.

Enquanto Sato ia ampliando sua vantagem na dianteira, Herta apresentava sérios problemas de ritmo e começava a despencar no pelotão. Newgarden seguia como atração, também passando Hunter-Reay quando o rival da Andretti deixou os boxes.
 
A volta 18 viu o primeiro pit-stop do líder Sato. Não foi grandes coisas, mas o japonês voltou em oitavo, logo na frente de Pato O'Ward e com 7s7 de frente para Power.


Rahal foi aos boxes no giro seguinte e o prejuízo foi imenso. A RLL demorou muito no trabalho e Graham voltou em um modesto 16º lugar, engolido pelo pelotão e impressionantes 25s atrás de Sato, com Rahal extremamente nervoso no rádio com o erro do time. A dobradinha escorreu pelo ralo bem cedo.
 
Os dois únicos que seguiam sem parar já depois da volta 25 eram Bourdais e Pigot, que tentavam entrar em uma estratégia de menos paradas ou, pelo menos, stints mais curtos no final. Sato começava a receber uma pressão de Dixon e ambos já se aproximavam de Bourdais, passando sem problemas por Pigot.
 

Pigot e Bourdais finalmente iam aos boxes no giro 28, enquanto Power aprontava. Pressionado por Newgarden, o australiano rodou absolutamente sozinho, despencou no pelotão e, de quebra, ainda tocou com Pagenaud metros depois. Problemão para a Penske, que chamou o australiano para seu segundo pit-stop.
 
Com finalmente todo mundo tendo parado na volta 30, Sato liderava com 4s0 para Dixon, 8s2 para Hinchcliffe, 8s8 para Rossi e 21s1 para Newgarden, em um incrível quinto lugar. Hunter-Reay, Ericsson, Ferrucci, Pagenaud e Bourdais também andavam entre os dez.

Enquanto O'Ward começava a atropelar todo mundo e parava em um belo duelo com Pagenaud, a segunda rodada de paradas começava oficialmente com Newgarden, que já perdia bastante ritmo com pneus gastos. Herta, que foi junto, resolveu recolher, com a Harding tendo muitos problemas.

Os líderes começaram a parar a partir da volta 39 e, mais uma vez, Bourdais ficava para alongar o stint, conseguindo se posicionar entre Sato - desta vez com a RLL sendo eficiente - e Dixon, que vinha 8s3 distante do ponteiro. Hinch e Rossi apareciam logo atrás e Tony Kanaan pintava em sexto, na estratégia de Bourdais. Pigot, na mesma, era só nono, sem ritmo.

Com Sato administrando muito bem a vantagem e negociando com tranquilidade a disputa com retardatários, Dixon tentando passar Bourdais e a reação de Newgarden viravam as atrações da prova. 
 
Impressionava como Pigot, claramente segurando o ritmo para não parar junto com os demais, segurava uma série de pilotos. O resultado disso foi que Power, na volta 51, parou pela terceira vez antes de seu segundo pit-stop - de Bourdais também. 

Dixon, preso em Bourdais, começava a ser atacado por Hinchcliffe e Rossi, em uma briga que poderia estar valendo pódio ou até segundo lugar, dependendo da eficiência da estratégia de Bourdais.
 

A volta 56 guardava uma virada completamente inesperada para a corrida. Rahal, em tarde para se esquecer, simplesmente ficou lento e parou no meio da pista. Aquilo, por si só, já causaria a bandeira amarela, mas Chilton ainda perdeu o carro tentando entrar nos boxes ao lado de Kanaan e foi para o muro. O resultado foi todo mundo nos boxes, uma confusão completa e, só depois, o acionamento das amarelas, com demora para confirmação da nova ordem de posições.

Os pilotos se preparavam para a relargada com Sato, Dixon, Bourdais, Hinchcliffe, Rossi, Hunter-Reay, Ericsson, Newgarden, Pagenaud e Pigot no top-10. Kanaan partiria de 12º, com Leist em 19º, sendo o primeiro dos retardatários.
 
A relargada veio na volta 66 com Leist posicionado justamente entre os dois primeiros colocados. Matheus não quis saber de dar passagem e se segurou ali, ajudando Sato a abrir pequena margem para Dixon, que não era muito atacado por Bourdais também. Logo atrás, Rossi superava Hinch e Newgarden fazia lindas manobras em cima de Ericsson, Hunter-Reay e Hinchcliffe.


Sem Leist pelo caminho, Dixon retomava a caça a Sato, mas a impressão que dava é que todo mundo estava um pouco abaixo do que poderia, poupando equipamento para evitar um pit-stop extra no finalzinho. Rossi, em cima de Bourdais, formava a briga pelo terceiro lugar e Andretti e Ferrucci brigavam bonito.
 
Com todo mundo dando a entender que estava poupando o carro para as voltas finais, a corrida entrava numa fase de estudos e análise dos adversários. Sato trocava décimos com Dixon, mas mantinha a vantagem em torno de 1s9. Era mais ou menos essa a distância entre todos os dez primeiros, sem ter uma disputa assim tão colada.

A melhor volta de Bourdais na corrida pintou no 81º giro, dando claras mostras de que havia, sim, um duelo com Dixon pela frente pelo segundo lugar. Sato, então, tratava de contar com a briga para respirar mais um pouco, enquanto Power voltava a errar e quase perdia o décimo posto para Rosenqvist.

Só que Bourdais teve de dar algumas voltas mais lentas e perdeu um pouco do contato para Dixon. Do nada, aliás, o neozelandês quase viu a vitória cair em seu colo, com Sato resolvendo fazer um longo rali na grama. No final, porém, foi apenas um susto para Takuma.

Sato soube se recompor e ainda viu Bourdais voltar para cima de Dixon, marchando tranquilo para sua quarta vitória na Indy. Lá atrás, Newgarden mergulhava de surpresa em cima de Rossi e, com direito a um contato, passava o rival com maestria, coroando sua corridaça com o quarto lugar.

Indy, GP do Alabama, Barber, Classificação final

1 T SATO RLL Honda   90 voltas
2 S DIXON Ganassi Honda +2.387  
3 S BOURDAIS Dale Coyne Honda +2.793  
4 J NEWGARDEN Penske Chevrolet +7.972  
5 A ROSSI Andretti Honda +8.852  
6 J HINCHCLIFFE SPM Honda +9.436  
7 M ERICSSON SPM Honda +13.758  
8 R HUNTER-REAY Andretti Honda +15.251  
9 S PAGENAUD Penske Chevrolet +22.785  
10 F ROSENQVIST Ganassi Honda +26.245  
11 W POWER Penske Chevrolet +31.818  
12 Z VEACH Andretti Honda +33.904  
13 J HARVEY Meyer Shank Honda +34.966  
14 M ANDRETTI Andretti Honda +39.312  
15 S FERRUCCI Dale Coyne Honda +40.009  
16 P O'WARD Carlin Chevrolet +40.673  
17 S PIGOT Carpenter Chevrolet +42.572  
18 T KANAAN Foyt Chevrolet +1 volta  
19 E JONES Carpenter Chevrolet +1 volta  
20 M LEIST Foyt Chevrolet +1 volta  
21 B HANLEY DragonSpeed Chevrolet +2 voltas  
22 M CHILTON Carlin Chevrolet +2 voltas  
23 G RAHAL RLL Honda +35 voltas NC
24 C HERTA Harding Honda +39 voltas NC