Sato supera Dixon e vence 500 Milhas de Indianápolis pela segunda vez. Alonso é 21º

Takuma Sato repetiu a dose em Indianápolis. O japonês se aproveitou de ótimos trabalhos de Honda e RLL para superar Scott Dixon e Graham Rahal. Em corrida cheia de bandeiras amarelas, Helio Castroneves foi 11º, Tony Kanaan ficou em 19º e Fernando Alonso foi 21º

A edição 104 das 500 Milhas de Indianápolis foi marcada por um amplo domínio da Honda e muitos acidentes, alguns deles bem fortes. Neste domingo (23), quem se deu bem foi Takuma Sato, que levou a melhor em duelo nas voltas finais com Scott Dixon. A chegada foi com bandeira amarela, após uma pancada fortíssima de Spencer Pigot, companheiro de Sato na RLL, com apenas cinco voltas para o final. Foi a segunda vitória de Sato no Brickyard e a primeira da equipe desde 2004, quando triunfou com Buddy Rice.

O domínio da Honda continuou atrás de um Dixon que ficou, ainda mais, próximo do hexacampeonato. Graham Rahal fez bela prova para ficar em terceiro, enquanto Santino Ferrucci, em novo show de relargadas, foi o quarto.

Josef Newgarden e Pato O’Ward tiveram ótimas performances e, assim como em outros momentos da temporada, foram os melhores da Chevrolet. Josef foi quinto, Pato cruzou em sexto. James Hinchcliffe, Colton Herta, Jack Harvey e Ryan Hunter-Reay completaram o top-10. Helio Castroneves reagiu bem e foi de 28º para 11º, enquanto Tony Kanaan completou em 19º após andar boa parte do tempo no top-10.

Fernando Alonso teve uma exibição completamente apagada. O espanhol não andou no grupo da frente em momento algum, perdeu uma volta com problemas nos boxes e, no fim, foi 21º, com apenas destaques em relargadas. O sonho da Tríplice Coroa, assim, ficou para 2023, a menos que a Renault mude de ideia e o libere nos próximos anos.

Apesar da maratona de Indianápolis, a Indy volta a acelerar já no final de semana que vem. O oval curto de Gateway recebe uma rodada dupla que pode encaminhar ainda mais a conquista de Dixon.

Takuma Sato venceu a Indy 500 pela segunda vez (Foto: Indycar)

Saiba como foram as 500 Milhas de Indianápolis

A bandeira verde para as 500 Milhas de Indianápolis apareceu pontualmente às 15h30 (em Brasília), com Scott Dixon partindo para cima de Marco Andretti e arrancando o primeiro lugar do americano. No mesmo embalo veio Takuma Sato, saltando para segundo no fim da primeira volta.

Enquanto isso, Ryan Hunter-Reay passava Rinus VeeKay e colava no pole, mas não conseguia a manobra de cara. Foi na volta 4 que Hunter-Reay tirou Marco do caminho e foi para segundo na sequência, não tendo problemas para superar Sato.

Aí vieram as duas primeiras ocorrências da 104ª edição da Indy 500. Tentando passar Zach Veach por fora, Ed Carpenter foi fechado e acabou raspando com alguma força no muro. O #20 preciso ir aos boxes, com toda cara de que abandonaria em alguns minutos, com problemas na suspensão.

Mas não foi Ed quem chamou a primeira amarela. James Davison teve um defeito esquisitíssimo no freio, que explodiu e, assim, a roda dianteira direita do australiano foi tomada pelo fogo. Assustador e estranho, mas o primeiro abandono era do #51 da Dale Coyne.

Assim, aproveitando a amarela, um grupo de pilotos do fim do grid foi aos boxes. Enquanto Carpenter seguia sendo atendido pela equipe com o carro danificado, nomes como Fernando Alonso, Helio Castroneves, Will Power e Simon Pagenaud já ia para a primeira parada. Lá na frente, o top-10 tinha: Dixon, Hunter-Reay, Sato, Andretti, VeeKay, James Hinchcliffe, Alexander Rossi, Spencer Pigot, Marcus Ericsson e Graham Rahal.

Bandeira verde de volta no 13º giro e o negócio ficou quente. Hinch passou VeeKay, Rossi tentou acompanhar e quase foi jogado para fora com tanta turbulência. Ericsson superava Pigot, enquanto Tony Kanaan entrava em uma linha de três bem colado ao muro interno.

Dixon e Hunter-Reay iam escapando na frente, com Sato, Hinch, Andretti e Rossi atrás. A turbulência impressionava, com os carros mexendo muito, especialmente colados no da frente. De todo modo, não estava impossível ultrapassar. Atrás de VeeKay, Pato O’Ward era o segundo melhor da Chevrolet, em 12º, com Josef Newgarden em 14º.

Veio a volta 25 e a segunda amarela. Na saída da curva 1, Ericsson perdeu o carro, escapou de traseira e, quando foi tentar corrigir, deu com tudo no muro. Uma batida forte e fim das chances para o sueco, que vinha bem na corrida, dentro do top-10. Era hora, então, dos líderes nos boxes.

Aquilo já misturava bem as estratégias e quem tinha parado na amarela de Davison ia para a frente. O novo pelotão da liderança tinha: Oliver Askew, Pagenaud, Power, Charlie Kimball, Castroneves, Ben Hanley, JR Hildebrand, Dixon, Sato e Rossi, com Andretti em 11º, Kanaan em 26º e Alonso em 28º.

Relargada na 31ª volta e Pagenaud atropelou Askew para assumir a dianteira ainda antes da curva 1. Lá atrás, porém, uma confusão foi armada. É que Hanley não tinha ritmo e acabou segurando a turma, Hildebrand era outro bastante lento. De todo modo, já estava bem claro que as táticas se misturavam e carros mais rápidos teriam trabalho para passar todo mundo.

Com aquela mistura toda, a Chevrolet ganhava destaque por algumas voltas. O top-5 era todo dela, com Pagenaud, Askew, Power, Kimball e Castroneves, que segurava bem a distância para Dixon e os demais antigos líderes. A corrida entrava em um momento um pouco mais morno, fechando seu primeiro quinto das 200 voltas.

Takuma Sato andou bem forte no início (Foto: Indycar)

Na volta 45, Pagenaud e Askew fizeram o segundo pit-stop, indicando que seriam cerca de 30 voltas em cada stint. Aí, Oliver voltou na frente de Simon, ganhando a posição. Castroneves, Kimball e Power foram aos boxes no giro seguinte e, assim, o grupo da frente se normalizava com Dixon puxando Rossi, VeeKay, Hunter-Reay, Sato e Andretti no top-6.

O momento era aquele tradicional de corrida morna, algo típico do segundo e do terceiro quartos da Indy 500. Dixon liderava sossegado, 1s8 na frente de Rossi. VeeKay escoltava a dupla 6s1 atrás, enquanto Hunter-Reay começava a perder ritmo e era facilmente superado por Sato. Na volta 61, Andretti nos boxes iniciando nova janela.

Os demais foram parando nos giros seguintes, com Rossi errando na entrada e VeeKay tendo problemas na saída. Dixon, para variar, teve um pit-stop relâmpago, sem qualquer problema. E Dixon já assumia a liderança logo depois, na frente até de Askew, Pagenaud e Castroneves, da estratégia alternativa. O neozelandês se colocava como homem a ser batido até então.

Aí veio a confirmação de que o problema de VeeKay foi bem além da saída. Na hora do pit-stop, o holandês acertou um de seus mecânicos e, apesar de nada mais grave com o pessoal da Carpenter, o suficiente para um stop and go. O novato já perdia uma volta e saía totalmente da briga.

Dixon tinha nada menos que 10s para Askew e Sato, mas o americano da McLaren já ia aos boxes na volta 80, logo depois do trio da Penske formado por Pagenaud, Castroneves e Power, que andavam juntos o tempo inteiro. Newgarden que ia na tática mais tradicional e em décimo.

Enquanto Alonso lutava bravamente para não tomar a primeira volta de Dixon tendo um ritmo muito inferior ao resto do grid, a amarela reapareceu, naquele momento que parecia de tranquilidade. Hanley cortou o ar de Dalton Kellett e aí: muro. O canadense deu uma bela pancada e forçou nova pausa na corrida.

Era, então, momento de parada coletiva e mudanças interessantes no grupo da frente, com O’Ward e Newgarden ganhando muitas posições. O novo top-10 tinha Dixon, Sato, Rossi, O’Ward, Newgarden, Andretti, Ferrucci, Rahal, Herta e Hunter-Reay. Kanaan era o 12º, com Alonso em 16º e Castroneves em 22º.

Bandeira verde na volta 92, mas por pouquíssimo tempo. Logo veio a então pancada mais forte do dia, em um acidente envolvendo Conor Daly e Askew. Conor escorregou de forma muito parecida com o que Alonso fez no TL2, reacelerando no concreto e rodando. Mas Askew, atrás, assustou e foi direto no muro interno, uma pancadaça. Os dois fora, com Oliver saindo com dores na perna, mas poderia ter sido pior não fosse a safe barrier ali instalada.

A relargada saiu na volta 101, com Rossi passando Sato e Ferrucci dando mais um show, tirando Andretti e Newgarden da frente sem pensar muito. Aí, O’Ward deixou também Takuma pelo caminho e Rossi, finalmente, pegava a liderança das mãos de Dixon, na 103ª volta. A corrida ganhava nova configuração.

Scott retomava a ponta no giro 106, mas logo devolvia a Rossi na volta seguinte. Os dois pareciam controlando a situação, escapando um pouco mais de O’Ward, que vinha quente em terceiro. Mas o mexicano era uma exceção na Chevrolet, que seguia com a velocidade limitada em relação aos carros da Honda.

Sato levava a melhor para cima de O’Ward e voltava a formar um top-3 todo da Honda, atrás de Rossi e Dixon, que seguiam trocando a liderança giro após giro. Ferrucci, Rahal, Andretti, Newgarden, Álex Palou e Herta fechavam o top-10, com Kanaan bem em 12º, Alonso 17º e Castroneves 21º.

Aí que veio a amarela de novo. Palou, de forma bem parecida com o que Ericsson fez no começo da prova, deu uma escapada e foi direto no muro. Fim de uma bela corrida do novato espanhol. E, claro, nova rodada de paradas para os pilotos.

Rosenqvist ficou na pista e assumiu a liderança, mas era totalmente fogo de palha e só pelo pontinho extra. A briga de fato vinha atrás: Dixon, O’Ward, Rossi e Sato, que chegaram a se acertar nos boxes. Rahal, Newgarden, Ferrucci, Herta e Kanaan apareciam atrás. Outro que se complicava lá nos boxes era Alonso, que não conseguia engatar as marchas para sair do pit-stop e tomou uma volta assim.

Após alguns minutos, veio a decisão: Rossi mandado para o fundo do grid pela batida em Sato na saída dos boxes. Muito complicada a vida do americano. Ficava ainda a expectativa para ver se um dos dois teria danos nos carros, já que o toque foi em força considerável.

A relargada acontecia na volta 131, com Rosenqvist tentando segurar o pelotão, mas logo sendo superado por VeeKay e Karam, que tiravam a volta de atraso. Dixon também tirou o companheiro de Ganassi da frente, mas Rahal, Sato e Newgarden ficavam presos atrás do sueco. E Dixon sumia na dianteira.

Felix Rosenqvist segurou o pelotão na Indy 500 (Foto: IndyCar)

Lá no fundo, Pagenaud dava uma bela pancada em Hunter-Reay e parecia comprometer completamente qualquer chance que tivesse. Enquanto isso, Rossi fazia uma relargada de cinema e saía costurando todo mundo, saltando de 22º para 17º.

Rosenqvist finalmente parava na volta 139, mas o serviço estava muito feito. O sueco foi aos boxes com 3s2 entre Dixon e Rahal, uma vantagem para lá de confortável. Sato, Newgarden, Ferrucci, O’Ward, Herta, Power, Kanaan e Jack Harvey buscavam espaço no top-10.

A tentativa desesperada de Rossi de voltar ao topo chegava ao final na volta 143. O americano foi muito para dentro, pisou no concreto, perdeu o carro e, ao tentar corrigir, bateu forte no muro. Uma pancada de respeito, outro abandono. Restavam 26 pilotos, sendo Carpenter muito longe dos demais.

Pagenaud, duas voltas atrás, ia aos boxes tentando algo desesperado de última hora. Na relargada, Dixon escapava na ponta, escoltado por retardatários. Enquanto isso, os companheiros Sato e Rahal quase trocavam tinta e Graham perdia terreno para Newgarden. Herta subia para sexto, na frente de O’Ward, com Kanaan logo atrás e Castroneves em 12º. Era o momento de ritmo forte na prova, as últimas 45 voltas.

Aí, no 158º giro, finalmente Sato assumia a liderança, passando Dixon e mostrando um ritmo que estava até escondido no resto da prova, mas pisando forte como um candidato ao triunfo. Com uma volta de atraso, Alonso tentava desesperadamente ganhar posições no meio do bolo.

Na volta 168, Andretti ia aos boxes, abrindo os trabalhos da última janela de pit-stops. Em tese, todo mundo teria de parar em bandeira verde, mas um acidente poderia mudar tudo. Sato e Newgarden foram aos boxes também no giro seguinte, com Josef tirando a distância para o japonês. Dixon fez seu pit-stop na volta 170 junto com Rahal e Dixon retomava a liderança, seguido por Sato, Newgarden e Rahal.

Simon Pagenaud bateu em Ryan Hunter-Reay na Indy 500 (Foto: IndyCar)

A RLL crescia na reta final. Sato recuperava a dianteira virtual em cima de Dixon, enquanto Rahal atropelava Newgarden. Ferrucci também não perdia tempo atrás do americano, que parecia sofrer com alguma falta de potência da Chevrolet. Por mais que Veach e Chilton liderassem, esperando por uma amarela ou um milagre de consumo, atrás deles vinham quatro Honda: Sato, Dixon, Rahal e Ferrucci. Só depois apareciam Newgarden e O’Ward.

Veach e Chilton entravam nas últimas 20 voltas ainda na pista, em busca do impossível. A dupla tinha 9s de vantagem para Sato, que carregava Dixon colado e Rahal um pouco mais atrás.

Com 15 voltas para o fim, Chilton e Veach desistiam e finalmente paravam, enquanto Dixon montava em Sato e só não passava por uma bela defesa do japonês. Rahal, com isso, tirou um pouco da distância, mas se desenhava um duelo nos giros derradeiros da Indy 500 2020.

A perseguição de Dixon continuava, mas Sato apertava o ritmo e começava a abrir, ampliando para 0s8 a distância em cima do neozelandês. Rahal vinha para cima de Dixon, enquanto Ferrucci ficava solto na quarta colocação.

Só que aí, com cinco voltas para o fim, Pigot encontrou o muro violentamente. O americano da RLL bateu e chicoteou para dentro, dando com tudo no muro interno, uma batida muito forte. Mesmo tonto, Spencer saiu do carro e acabou ajudando o companheiro Sato.

Takuma, que já tinha toda cara de que venceria a corrida, respirou nos giros derradeiros e, com bandeira amarela, completou a Indy 500 na frente, levando o segundo anel da carreira.

Indy 2020, 500 Milhas de Indianápolis, Final:

1T SATORLL Honda3:10:05.088200 voltas
2S DIXONGanassi Honda+0.058 
3G RAHALRLL Honda+0.095 
4S FERRUCCIDale Coyne Honda+0.393 
5J NEWGARDENPenske Chevrolet+1.662 
6P O’WARDMcLaren Chevrolet+3.250 
7J HINCHCLIFFEAndretti Honda+4.269 
8C HERTAAndretti Honda+5.192 
9J HARVEYMeyer Shank Honda+6.813 
10R HUNTER-REAYAndretti Honda+7.961 
11H CASTRONEVESPenske Chevrolet+10.314 
12F ROSENQVISTGanassi Honda+13.967 
13M ANDRETTIAndretti Honda+16.066 
14W POWERPenske Chevrolet+17.644 
15Z VEACHAndretti Honda+19.396 
16J HILDEBRANDDRR Chevrolet+20.234 
17M CHILTONCarlin Chevrolet+21.492 
18C KIMBALLFoyt Chevrolet+24.702 
19T KANAANFoyt Chevrolet+1 volta 
20R VEEKAYCarpenter Chevrolet+1 volta 
21F ALONSOMcLaren Chevrolet+1 volta 
22S PAGENAUDPenske Chevrolet+2 voltas 
23B HANLEYDragonSpeed Chevrolet+2 voltas 
24S KARAMDRR Chevrolet+2 voltas 
25S PIGOTRLL Honda+6 voltasNC
26E CARPENTERCarpenter Chevrolet+13 voltas 
27A ROSSIAndretti Honda+57 voltasNC
28A PALOUDale Coyne Honda+79 voltasNC
29C DALYCarpenter Chevrolet+109 voltasNC
30O ASKEWMcLaren Chevrolet+109 voltasNC
31D KELLETTFoyt Chevrolet+118 voltasNC
32M ERICSSONGanassi Honda+176 voltasNC
33J DAVISONDale Coyne Honda+196 voltasNC

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube