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Sinônimo de eficiência em 2019, Newgarden tem dia com sorte de campeão em Detroit e já deixa Dixon em apuros

Josef Newgarden aprendeu com um 2018 de altos e baixos e voltou como exemplo de regularidade em 2018. Sem deixar para trás suas qualidades de velocidade e arrojo, o americano tem sido mais cerebral e feito grandes estratégias ao lado de Tim Cindric. Em Detroit, mais uma, agora com uma dose de sorte daquelas que são típicas de campeões

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo / GABRIEL CARVALHO, de Campinas
A expressão 'sorte de campeão' é uma das mais populares no meio esportivo e, neste sábado (1), ela encaixa perfeitamente com o que foi visto na corrida 1 da rodada dupla de Detroit da Indy. Em um dia marcado pela chuva, vento, raios e uma pista bem molhada, Josef Newgarden triunfou de forma quase que inesperada.
 
Não que o americano não tenha sido rápido, longe disso. Não também que não tenha merecido a vitória, não é o caso, mas Newgarden teve, sim, bastante sorte para fazer sua estratégia virar a vencedora: parou exatamente na hora em que Ed Jones encontrou o muro e causou uma bandeira amarela quando todos os rivais diretos ainda precisariam ir aos boxes.
 
Aquele movimento fez Newgarden assumir a dianteira e aí, meu amigo, é ruim de tirá-lo de lá. Nem um absurdamente rápido e favorito Alexander Rossi foi capaz, esbarrando em uma defesa eficiente do piloto do #2 da Penske. Segundo triunfo no ano e liderança do campeonato retomada.
Josef Newgarden teve grande performance e sorte em Detroit (Foto: IndyCar)
Agora, não é só de sorte que é feita a temporada de Newgarden, muito pelo contrário. Depois de defender mal o título em 2018, especialmente por sofrer muito com altos e baixos, Josef aprendeu. O americano voltou com tudo, sem esquecer suas origens, mas muito mais cerebral, estrategista, cauteloso.
 
"E o que falar da chamada do Tim? Foi perfeita para conseguirmos a posição que queríamos. Muito feliz por estar aqui, realmente queríamos vencer esta aqui. Trabalhamos muito na intertemporada para deixar esse carro pronto, e ficou pronto hoje. Eles fizeram um grande trabalho aqui. Os 1200 voluntários trabalharam muito, mesmo com a chuva. Eles melhoram a cada ano, essa ilha cresce e fica melhor para as pessoas visitarem. Estou feliz e animado pela Penske hoje”, comemorou o piloto que sabe bem o que quer da temporada.
 
Ainda que não tenha o arrojo e a agressividade de Rossi ou que não seja o rei do consumo e da estratégia que é Scott Dixon, parece ser capaz de aliar os pontos fortes dos dois grandes rivais e, assim, sobreviver à maratona de corridas que praticamente o tiraram da briga em 2018.
 
Newgarden é sinônimo de regularidade em 2019 e, mesmo em um ano tão equilibrado e com tantos bons nomes, surge como principal favorito ao bicampeonato. Na primeira prova em Detroit, no sábado, ainda teve outra bela notícia: a batida de Dixon que jogou o algoz de 2018 para quinto na tabela de pontos com 92 de atraso para Josef. Um passo de cada vez, mas um belo passo na Belle Isle.
Scott Dixon praticamente zerou na corrida 1 (Foto: Indycar)
"Foi uma infelicidade. Resvalei no muro e atingi a barreira de pneus. Erro meu. Acho que quebramos a suspensão. O carro estava bom e nos preparávamos para uma boa chegada. Ainda bem que a barreira estava ali, você nunca sabe o que acontece no muro. Estou bem e vamos voltar mais fortes amanhã", lamentou o neozelandês, que levou belo prejuízo para o campeonato.
 
Com Scott mais preocupado em se reencontrar do que buscar os rivais no momento, os grandes adversários de Newgarden parecem ser, por enquanto, Pagenaud e Rossi, respectivamente sexto e segundo na corrida 1.
 
"As amarelas são complicadas, mataram nossa corrida três vezes, mas faz parte do jogo, é a mesma para todos. Tínhamos um bom carro no molhado, conseguimos controlar a corrida e a distância para o Scott. A posição no traçado seco é a chave, tinha apenas uma, nada o que poderia fazer. Newgarden fez um bom trabalho, tentei forçar o erro, mas não veio. É duro, estou frustrado, acho que tínhamos o melhor carro hoje", resumiu Rossi.
Alexander Rossi vive grande fase (Foto: Indycar)
Enquanto o americano foi muito bem e só não venceu pelas amarelas que jogaram Josef para a ponta, o francês teve até boa corrida de reação, mas pagou caro por mais uma classificação muito ruim em 2019.
 
"Minha corrida foi ótima. Uma das que mais me diverti, bem, na verdade, me diverti semana passada e no GP de Indianápolis. Acho que é legal quando você tem de correr muito. Nosso carro estava bom, foi fenomenal, me diverti na chuva, passamos vários carros. No seco, estávamos bem, mas a pista era muito úmida na parte de dentro, não consegui passar sem correr risco de bater. Para ser sincero, comecei a pensar no campeonato hoje, e de tão cansado que estive de manhã, estou contente com o sexto lugar, porque ainda temos um longo caminho até o fim do ano. Devemos ficar satisfeitos com a corrida. Feliz pelo Josef e pela Penske, conseguimos uma para o Roger neste fim de semana", falou Pagenaud.
 
Nessa história toda, em um ano tão equilibrado e com tantos bons pilotos em boa fase, Takuma Sato é a grande surpresa. Surpreendente, o japonês emendou mais uma grande corrida e, com o pódio, colocou frente para Dixon.
 
"Graham e eu ficamos 1s atrás do pole, mas acho que deu certo. A chuva definitivamente nos ajudou e ganhamos posições. No fim, acho que lutar pelo pódio em uma pista meio molhada e meio seca foi divertido. Obrigado aos fãs que ficaram mesmo com um clima não muito bom. Esperamos ter um carro melhor amanhã", analisou Sato.

 
A Foyt teve mais um dia daqueles. Matheus Leist rodou, bateu e acabou abandonando, enquanto Tony Kanaan travou uma dura luta atrás de cada palmo de pista e ainda saiu com um top-15 na marra.
 
"Fizemos uma boa recuperação. Tentamos coisas diferentes na classificação para achar o caminho certo. O único jeito de melhorar é tentando, mas não deu certo. Fizemos uma boa corrida, gostei dos pit-stops, os caras fizeram um ótimo trabalho. Ganhei posições ali e passei alguns na pista, vamos seguir tentando. Não errei na corrida, aceito o resultado", comentou Tony.
 
"Não foi o melhor dia. Tivemos problemas e não encontramos ritmo. Eu me sinto triste pelo time, mas vamos trabalhar para amanhã e tentar ter um dia melhor", lamentou Matheus.
 
Em um sistema único na temporada, Detroit tem duas corridas, ou seja, o domingo também reserva classificação e corrida que podem mexer mais um pouco com os rumos do campeonato.


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