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“Um dos grandes resultados da carreira”: Christian Fittipaldi destaca “surpreendente” 2º lugar na Indy 500

A única vez que Christian Fittipaldi disputou as 500 Milhas de Indianápolis foi em 1995, ano em que decidiu deixar o sonho da F1 para cruzar o Atlântico e acelerar na Indy, que vivia seus anos de ouro. Como piloto da Walker, o brasileiro largou em 27º e terminou em segundo, só atrás de Jacques Villeneuve
Grande Prêmio / Redação GP, de Sumaré
 Christian Fittipaldi (Foto: Indycar)
Confira a entrevista completa de Christian Fittipaldi no GRANDE PREMIUM

O ano de 1995 foi marcante para o automobilismo brasileiro como um todo. Aquela temporada representou uma maciça presença de pilotos do país na Indy, que vivia sua época de ouro não apenas em termos de qualidade no grid de largada, mas também grande concorrência em termos de chassis, motores e pneus. Entre os brasileiros, Emerson Fittipaldi, Raul Boesel e Maurício Gugelmin ganharam a companhia dos jovens e promissores Gil de Ferran, André Ribeiro e Christian. A categoria também fazia sucesso com as transmissões ao vivo pelo SBT, narradas por Téo José.
 
Christian havia decidido deixar a F1, onde correu entre 1992 e 1994, para cruzar o Atlântico em direção aos Estados Unidos, onde construiria toda sua carreira nas pistas a partir de então. Ao invés de correr por equipes que, com muito esforço, beliscavam pontos, como a Footwork e a Minardi, Fittipaldi ganhou uma chance para correr pela Walker Racing, tendo Robby Gordon como seu companheiro de equipe.
 
Ao longo do calendário, a principal atração foi a disputa das 500 Milhas de Indianápolis. Para Christian, bem como Gil e André, foi a chance de debutar naquela que é uma das principais corridas do automobilismo mundial. 
Christian Fittipaldi na sua única participação nas 500 Milhas de Indianápolis (Foto: Indycar)
Curiosamente, a Penske, equipe de Emerson, teve um desempenho irreconhecível e foi eliminada no Bump Day. Indianápolis acompanhou atônita a eliminação tanto de Emerson Fittipaldi como também de Al Unser Jr., os dois últimos vencedores da Indy 500 à época.
 
Mas Christian tratou de representar o clã. Não foi uma jornada fácil para o filho de Wilsinho Fittipaldi, que conseguiu uma vaga no cobiçado grid de 33 carros para largar em 27º lugar. Na primeira curva logo após a largada, um grande susto: o gravíssimo acidente sofrido por Stan Fox pouco à frente.
 
Fittipaldi driblou a falta de experiência em ovais longos — antes, o então piloto da Walker havia corrido nos ovais curtos de Phoenix e Nazareth — e conseguiu fazer uma prova limpa em meio as imprevisibilidades que norteiam uma corrida como a Indy 500. No fim das contas, o filho de Wilsinho cruzou a faixa de tijolos após 200 voltas em segundo lugar, só atrás de Jacques Villeneuve, vencedor com a Green.
 
Em entrevista exclusiva ao GRANDE PREMIUM, Fittipaldi lembrou sua jornada em Indianápolis e classificou aquele resultado como um dos mais importantes da sua carreira nas pistas, que se encerrou no último fim de semana de janeiro com o fim das 24 Horas de Daytona.
 
“É um resultado que coloco entre os grandes da minha carreira justamente por tudo isso. Vou ser sincero: foi até um pouco surpreendente para o meu ano de estreia. O carro estava bom na corrida, de novo, naquele caso, o Emerson me ajudou bastante, segui bastante os conselhos que ele tinha dado e consegui um ótimo resultado lá”, recordou.
 
“Fiquei muito contente. Mas, de uma certa maneira, por ter sido a minha primeira visita em Indy, não vou negar que foi um pouco surpreendente”, completou.
 
Foi a primeira e única vez que Christian Fittipaldi disputou as 500 Milhas de Indianápolis. Com a ruptura política entre IRL e Cart, a Indy 500 ficou fora do calendário por decisão de Tony George, que criou sua própria categoria. A Cart/Champ Car então fez nascer sua edição milionária das 500 Milhas, a US 500, disputada no superoval de Michigan.
 
A partir de 1996, Christian Fittipaldi mudou de equipe e se transferiu da Walker para a Newman/Haas, uma das gigantes da categoria na época, e seguiu no grid — e na equipe — até 2002.