Motociclismo

Prefeitura de São Paulo suspende corridas de motos em Interlagos e SuperBike Brasil adia etapa de junho

As corridas de motor em Interlagos estão suspensas por 60 dias, consequência direta da morte de Danilo Berto em etapa do SuperBike Brasil do último fim de semana. A categoria já cancelou a próxima corrida, antes marcada para junho

Grande Prêmio / VITOR FAZIO, de Berlim / FELIPE NORONHA, de São Paulo / JULIANA TESSER, de São Paulo
Ainda por consequência da morte de Danilo Berto na etapa do SuperBike Brasil do último fim de semana, a Prefeitura de São Paulo entrou em ação. Em comunicado emitido nesta quarta-feira (29), o órgão anunciou a suspensão de corridas de moto no autódromo de Interlagos durante um período de 60 dias.
 
A ação afeta as próximas duas etapas do SuperBike Brasil, previstas para o período de 60 dias. No embalo, a própria categoria já anunciou o cancelamento da próxima corrida, em junho. A subsequente, em julho, não tem futuro definido.
 
“A suspensão será mantida até que os promotores e organizadores dos eventos apresentem novas garantias de segurança, como vistorias em equipamentos e motos, certificação dos pilotos, medidas de resgates e relatório de bafômetro, entre outras exigências”, disse a prefeitura através de comunicado.
Danilo Berto em Interlagos (Foto: Sampafotos/Facebook)
“Após a fatalidade ocorrida anteriormente, no dia 14 de abril, o Autódromo já havia exigido dos organizadores – além das obrigações prévias de segurança, previstas no contrato e no padrão Federação Internacional de Motociclismo (FIM) – um Atestado de Responsabilidade Técnica (ART) assinado por um engenheiro responsável, avaliando a segurança da pista para cada prova”, seguiu.

O SuperBike Brasil tem, em anos recentes, uma história marcada por acidentes graves e mortes. Em espaço de aproximadamente dois anos, de 2017 para cá, o campeonato registrou quatro mortes, todas em Interlagos, principal casa da categoria.
 
A sequência começou com Sérgio dos Santos, que bateu com força na Curva do Sol em julho de 2017, não resistindo aos ferimentos. Um ano depois, em junho de 2018, foi Rogério Munuera quem sucumbiu às consequências de um impacto contra a barreira de proteção do S do Senna.
 
Foi na famosa curva de Interlagos que a primeira morte de 2019 no SuperBike Brasil aconteceu. Maurício Paludete perdeu controle sob chuva ainda na reta principal, também morrendo em decorrência do impacto com a barreira de proteção. O incidente foi em abril, apenas um mês antes do mais recente – Danilo Berto, neste fim de semana.

A versão do SuperBike Brasil

Por sua vez, a organização do SuperBike Brasil anunciou nesta quarta, via comunicado oficial, que adiou a próxima etapa da competição, que estava marcada para o dia 16 de junho.

Porém, dentro do período que a prefeitura estipulou como proibitivo para competições de motociclismo, há duas etapas do SuperBike marcadas: além desta primeira, uma outra, no dia 21 de julho.

A organização do campeonato não comentou sobre esta segunda data marcada em seu calendário oficial. Pouco depois do prazo, há nova etapa no dia 18 de agosto e, por fim, em Interlagos, a decisão do SuperBike Brasil, no dia 8 de dezembro.

Entre estas duas últimas há três etapas: uma em Goiânia e duas em Curitiba. A organização tenta levar tais provas adiadas e futuras também para a capital goiana – com o objetivo de trazer de volta as montadoras que suspenderam temporariamente sua participação: Honda, Yamaha e Kawasaki.
Autódromo de Interlagos (Foto: Rodrigo Ruiz)
CBM se posiciona sobre caso

A SuperBike Brasil não é uma categoria homolagada pela Confederação Brasileira de Motociclismo, que mantém seu próprio campeonato no país. Em contato com o GP, o presidente da entidade, Firmo Alves, comentou a situação, afirmando que "uma série de fatores, somados, culminam em fazer com que fatalidades sejam estatísticas e não só fatalidades."

"Tem de avaliar. Só suspender não adianta. Tem de ver nesses 60 dias que providências serão tomadas. Eu não culpo só o autódromo de Interlagos pelos acidentes ocorridos. Uma das ações, com toda certeza, seria fazer uma avaliação técnica de todo o circuito de Interlagos e ver o que se poderia fazer para diminuir os riscos de acidentes fatais, porque acidente com moto, é esporte radical, isso acontece mesmo", disse Alves.

"O que poderia ser feito? Colocar barreiras que realmente funcionem, que são o Airfence, e não barreiras inventadas - eu não posso falar da qualidade da barreira do Bruno [Corano], mas eu estou te falando de uma qualidade já testada no circuito da MotoGP, que é o Airfence. É isso que eu quero dizer. Um segundo ponto seria, nos pontos de risco, fazer a diminuição da velocidade através de chicanes, seja com cone, enfim, qualquer que seja, porque o que mais importa, acima de tudo, é a vida do piloto. Esse é um ponto. Falando deste circuito, objetivamente, é um. Agora, para se conter esses mortes, tem outros pontos também", concluiu o dirigente.


 
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