MotoGP

Aleix Espargaró escancara frustração com morosidade no desenvolvimento: “Aprilia não está me dando nada novo”

Aleix Espargaró aproveitou a chegada a Mugello para escancarar sua frustração com o ritmo de desenvolvimento da Aprilia. O catalão ressaltou que a casa de Noale não vem trazendo novidades e frisou que não tem como ser mais rápido

Grande Prêmio / Redação GP, de São Paulo
Aleix Espargaró não escondeu a frustração com o ritmo de desenvolvimento da Aprilia. O #41 reclamou da falta de atualizações e até traçou um paralelo com o trabalho feito pela KTM.
 
Tradicionalmente o ponteiro entre os pilotos da Aprilia, Aleix soma 22 pontos e ocupa a 13ª colocação na classificação do Mundial de Pilotos. No entanto, ter a nona posição como melhor resultado na temporada é algo que incomoda.
 
“A Aprilia não está me dando nada novo”, disse Aleix. 
 
Neste fim de semana, a Aprilia levou para Mugello uma carenagem nova, mas Aleix espera poucos ganhos em termos de aceleração, uma fraqueza da RS-GP.
Aleix Espargaró não gostou das criticas que recebeu de Andrea Iannone (Foto: Aprilia/Twitter)
Além do incomodo com o desenvolvimento da Aprilia, Aleix não gostou das criticas que recebeu de Andrea Iannone, que questionou sua maneira de trabalhar.
 
“Nós dois estamos tendo os mesmos problemas. A única diferença é que eu sou muito mais rápido”, comentou. 
 
A performance do irmão Pol com a KTM também serve de alerta para o ritmo ― ou a falta dele ― de desenvolvimento da Aprilia.
 
“É difícil saber. Eu tento ser positivo. Mas o mais breve possível… Todos estão melhorando muito”, apontou Aleix. “Meu irmão teve um teste em Jerez. Todos testaram na segunda-feira e aí testaram novamente novas coisas na quarta-feira. Eles também testaram em Le Mans e nós vimos uma super corrida do meu irmão em Le Mans”, continuou.
 
“Nós não estamos reagindo. Não temos nada novo. Essa moto é uma moto [20]17.2. Nós estamos atrás e longe dos nossos rivais. Disse várias vezes nesta temporada que não sei como ser mais rápido. Não tenho ideia, não consigo. Assim que trouxerem coisas novas, serão mais do que bem-vindas”, comentou. 
 
Questionado se esperava mais da Aprilia com a chegada de Massimo Rivola para o posto de diretor-executivo, Aleix respondeu: “Eu esperava mais do timing. Esperava que fosse mais rápido”.
 
“Tenho de dizer que estou muito feliz com a chegada de Massimo. Era algo que faltava. Ele está fazendo um trabalho realmente ótimo. Mas ele não é mágico”, reconheceu. “Toda vez que o pressiono, a resposta é a mesma: ‘Preciso de mais tempo. É difícil para você ser mais otimista, pois são três anos, mas, para mim, são só cinco meses. Preciso de mais tempo’. Eu tento ser mais positivo e dar tempo a ele”, continuou.


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Indagado sobre as declarações de Iannone, que avaliou que o desejo de Aleix por resultado acabou atrapalhando a direção do desenvolvimento, o catalão apontou que somou 22 pontos em cinco corridas, enquanto Andrea só tem seis.
 
“Eu li alguma coisa de que eu não estava trabalhando na direção certa para melhorar a moto ou... Sabe, eu realmente não entendo, porque nós realmente temos uma relação normal. Eu não entendi o motivo dele dizer isso”, declarou. “Ele me disse hoje no almoço: ‘É bobagem, eu nunca disse isso, lamento muito, alguém inventou isso’. Eu disse ‘ok, não me importo, sem problemas’. Eu dou o meu melhor. Sempre dou a melhor informação aos engenheiros e isso é o máximo que posso fazer”, ponderou.
 
“Nós dois temos os mesmos problemas. Nós temos dificuldade para parar a moto na primeira parte e muitos problemas na fase de aceleração. Não tem aderência nenhuma. A única diferença é que sou muito mais rápido”, alfinetou. “Quer dizer, eu estou tranquilo. Me sinto bem comigo mesmo e com a forma como estou pilotando. Mas a Aprilia não está me dando nada novo... não é minha culpa. Não é que eu não esteja pedindo nada novo nesses dois anos. Eu relatei muitas, muitas vezes os problemas que tinha e eles são similares aos dele. Eu faço meu trabalho. Eu tenho ser o mais competitivo possível no domingo e eu realmente não me importo com o que ele diz. Os pontos e o campeonato estão lá”, insistiu.
 
Na hora de falar sobre a nova carenagem, Espargaró mais uma vez mostrou sua insatisfação com a Aprilia.
 
“Não é a Ducati. Nós teremos uma carenagem dianteira diferentes com essas asas. Nós temos essas asas há dois anos, então era hora de mudar. Parece que essas asas que vamos usar têm um pouco mais de carga, então é realmente bem-vindo em um circuito como este”, avaliou. “Parece que não vou perder nada em velocidade final, como Bradley [Smith, piloto de testes da Aprilia] testou aqui há três semanas. Não estou realmente preocupado com a velocidade final, porque a velocidade final da Aprilia não é tão ruim. Mas talvez a gente precise delas para aceleração, então talvez essas asas ajudem”, falou.
 
Por fim, Aleix avaliou que os problemas da Aprilia residem na relação entre a eletrônica e o motor.
 
“É difícil ser completamente preciso e entender o problema. Mas, para mim, é entre a eletrônica e a característica do motor. A nossa moto é muito rápida em sexta marcha, mas, para mim, não temos torque o suficiente em baixa rotação. É agressivo demais”, explicou. “A bem complicada a maneira como o freio motor para de trabalhar e aí você toca o acelerador. O vácuo pode causar problemas quando a moto derrapa no primeiro toque com o acelerador. É super complicado”, frisou.
 
“Tenho o mesmo problema desde o Catar. Tive três high-sides este ano e um grande no ano passado, onde me destruí na Alemanha. Não consigo me lembrar de um high-site acelerando nos últimos cinco anos, mas tive três em seis meses”, comparou. “É muito difícil ser mais rápidos. Quando chegamos em pistas onde a aderência é baixa e a temperatura é baixa, que confiança eu tenho para ser agressivo? É muito difícil”, concluiu.
 


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