MotoGP

Aos 46, Gibernau vê entrada na MotoE como “aposta muito arriscada” e admite: “Sete de antes não existe”

Escalado pela Pons para a Copa do Mundo de MotoE, Sete Gibernau admitiu que enfrenta uma “aposta muito arriscada” ao voltar às pistas aos 46 anos. O espanhol reconheceu, também, que não poderá guiar como outrora
Warm Up / Redação GP, de São Paulo
 Sete Gibernau (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
O nome mais surpreendente na escalação do grid da Copa do Mundo de MotoE é, certamente, o de Sete Gibernau. Aos 46 anos, o espanhol deixa para trás 12 anos de aposentadoria para correr em 2019 na estreante categoria elétrica com a Pons.
 
Durante a passagem do Mundial de Motovelocidade por Valência, Gibernau concedeu uma entrevista coletiva e creditou a Sito Pons seu retorno ao esporte.
 
“Sito conseguiu criar em mim uma nova ilusão, algo que eu achava que não voltaria a ter, e acho que uma oportunidade assim, depois de pensar ― pois já tinham comentado comigo e eu sempre dizia não ―, Sito soube fazer com que fosse assim”, disse Sete. “Ele soube fazer, porque voltou a criar em mim uma ilusão e acho que parte da felicidade que nós todos temos depende da capacidade que temos de gerar novas ilusões. E, como sou um trabalhar da felicidade, estou aqui tentando buscar uma nova ilusão”, seguiu. 
Sete Gibernau vai disputar Copa do Mundo de MotoE (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Sete reconheceu, no entanto, que terá sua forma física testada, mas prometeu se empenhar para estar fisicamente pronto para o desafio.
 
“Se estou em forma ou não, veremos. Hoje, não, mas fazer tudo que for preciso para entrar em forma e tentar desfrutar e para todos desfrutarmos desse novo projeto”, assegurou.
 
Gibernau agradeceu a paciência de Pons em esperar por sua decisão e reconheceu que precisava de um tempo.
 
“Acho que é uma aposta muito arriscada para mim, porque estou em outra etapa e em outro momento da minha vida”, desabafou Sete. “O desafio de uma pessoa de 45 anos entrar em um campeonato que, no início, achava que estava destinado a pessoas mais velhos, mas que, no fim, o único mais velho que aceitou fui eu. Obviamente, não posso buscar o Sete de antes, esse já não existe. Mas vou tentar buscar o melhor Sete de agora. E esse é um desafio importante”, sublinhou.
 
Gibernau revelou, ainda, que pediu autorização em casa para voltar a correr e reconheceu que, com certeza, perdeu algo em termos de performance com o passar do tempo.
 
“Obviamente, pedi permissão em casa”, revelou. “Perguntei o que a minha mulher achava. Para a minha filha, não, porque ela não fala. Estou em outro momento. Não tomo as decisões sozinho. Temos de tomá-las em conjunto e o desafio é bom para os dois. Não sei se ser pai vai me tirar alguns décimos, mas, no momento, rodo com a minha filha em casa e ela adora ir rápido”, contou.
 
“Ela gosta de andar de moto e nós nos divertimos, mas não sei se isso me fará ser mais lento, porque fazem 12 anos que não subo em uma moto num circuito. Com certeza, alguma coisa eu perdi. O próprio Valentino [Rossi], que segue correndo com 39 anos, perdeu alguma coisa de explosão, mas compensa com outras. Seria idiota se não achasse que perdi cosas, mas é um desafio muito bonito e interessante”, comentou. “Ninguém pode dizer que correu nas 500cc de 2 tempos, nas MotoGP de 4 tempos e nas elétricas. É um desafio me colocar bem fisicamente e render o máximo que puder sem ficar louco”, encerrou.