MotoGP

Binder coroa temporada perfeita com título da Moto3 e recoloca África do Sul no mapa do esporte após 36 anos

Brad Binder não desperdiçou sua primeira chance e faturou o título da Moto3 neste domingo (25). O triunfo do #41 é o primeiro de um sul-africano desde que Jon Ekerold faturou a taça das 350cc em 1980
Warm Up / JULIANA TESSER, de São Paulo
 Brad Binder (Foto: Red Bull KTM Ajo)
Brad Binder não desperdiçou sua primeira chance de conquistar o título da Moto3. Ciente da preferência de seus pais, Trevor e Sharon, por uma conquista em Aragão — já que eles não queriam ir até o Japão, próxima parada do Mundial —, o #41 cumpriu seu papel e sai do MotorLand neste domingo (25) como campeão de 2016.
 
Sacando para o título, o sul-africano iniciou a prova na quinta colocação — graças a punições de rivais que se qualificaram à frente — após uma classificação que definiu como “desastrosa”. Como aconteceu ao longo de todo o ano, Brad teve de driblar muitos de seus rivais na pista de Alcañiz, já que boa parte dos pilotos o espera pela pista para tentar uma volta mais rápida usando o vácuo.
Brad Binder foi quem precisou de menos tempo para conquistar o título da Moto3 (Foto: Red Bull KTM Ajo)
Sem condições de fazer uma boa volta, Brad teve de se contentar com a segunda fila, mas foi para o grid sabendo que seria uma prova tática, já que ninguém tinha ritmo superior o bastante para escapar na ponta ao longo das 20 voltas da disputa. Quem achou que a prova seria fácil para o sul-africano, muito se enganou. Extremamente disputada, a volta final foi a definitiva para seu título. Em uma intensa briga com Enea Bastianini e Fabio Di Giannantonio, Binder conquistou o segundo posto nos metros finais. Posição essa que foi suficiente para trazer a conquista para casa.
 
Com o triunfo deste domingo, Binder encerra um jejum de 36 anos sem títulos de sul-africanos. A última conquista de um piloto nativo do país hoje presidido por Jacob Zuma tinha sido registrada em 1980, quando Jon Ekerold conquistou a taça da extinta 350cc.
 

Além de colocar um fim na seca da África da Sul, Binder é também o piloto que mais cedo decidiu o título da Moto3. Brad fechou a conta de 2016 na 14º das 18 etapas do ano.
 
Em 2012, no primeiro ano da categoria que chegou para substituir as 125cc, Sandro Cortese se tornou campeão na Malásia, a 16ª das 18 provas da temporada. Os três títulos seguintes — Maverick Viñales em 2013, Álex Márquez em 2014 e Danny Kent em 2015 — foram todos definidos na prova final, em Valência.

A última vez em que um título foi definido tão cedo foi no pentacampeonato de Valentino Rossi na MotoGP, conquistado no GP da Malásia de 2005, quando ainda restavam quatro corridas pela frente.
 
Antes, Rossi já tinha conquistado o título de 2002 com quatro provas de antecedência, mesmo feito de Mick Doohan em 1997.
 
Nascido em Potchefstroom, uma cidade acadêmica localizada a 120 km a sudoeste de Joannesburgo, Binder começou no esporte a motor pelo kart e foi campeão nacional na categoria 55cc Cadet em 2004, aos nove anos de idade.
 
A mudança para as duas rodas aconteceu no ano seguinte e o progresso foi meteórico. Em 2009, Brad fez sua estreia na Red Bull Rookies Cup, uma importante categoria de acesso ao Mundial, por onde passaram nomes como Kent e Johann Zarco, por exemplo.
 
A primeira chance no campeonato do mundo veio em 2011, quando foi chamado pela RW para substituir o lesionado Luis Salom, que depois viria a ser companheiro de equipe do #41. A performance do jovem piloto chamou a atenção e rendeu um posto de titular da equipe em 2012.
 
O primeiro pódio no certame promovido pela Dorna veio em 2014, com um segundo lugar no GP da Alemanha guiando pela Ambrogio. O talento do sul-africano seguiu atraindo a atenção do paddock, inclusive da Red Bull KTM Ajo, que recrutou Binder no ano passado.
Brad Binder venceu a primeira da carreira em Jerez (Foto: Red Bull KTM Ajo)
Sob a batuta de Aki Ajo, Brad fechou seu primeiro ano com a equipe parceira da KTM na sexta colocação. Em 2016, entretanto, o salto de qualidade foi enorme.
 
O irmão mais velho de Darryn — que, aliás, assumiu seu posto na Ambrogio — abriu o ano no pódio do Catar com um segundo lugar e depois foi terceiro na Argentina e também no GP das Américas. Na Espanha, porém, Brad viveu seu primeiro conto de fadas.
 

Largando em último por conta de uma punição por ter usado um software não homologado na RC250GP, Binder fez história. Naquela prova em Jerez de la Frontera, o jovem hoje com 21 anos se tornou o piloto que mais posições ganhou em uma única corrida: 34 — de 35ª para primeiro em 23 voltas. Nada mal para um primeiro triunfo.
 
Antes, a marca pertencia a Marc Márquez, que em 2012, em Valência, saiu em último na prova da Moto2 e escalou 32 posições para receber a bandeirada em primeiro.
 
Depois da estreia no rol dos vencedores, Brad não parou mais. O representante da Ajo venceu na França e na Itália na sequência e ficou em segundo na Catalunha. As coisas na Holanda não saíram tão bem e ele foi apenas 12º, um resultado pouco melhorado na prova seguinte, com um oitavo posto na Alemanha.
 
Na Áustria, Brad retornou ao pódio com um segundo lugar, mas sua performance arrebatadora não foi a única responsável pela conquista antecipada deste domingo.
 
No Red Bull Ring, a VR46 decidiu suspender Romano Fenati, então terceiro na classificação, por problemas disciplinares. A equipe de Valentino Rossi manteve o motivo da suspensão em segredo, mas acabou rompendo definitivamente com o #5.
 
Na garagem da Estrella Galicia 0,0, a situação não foi tão extrema, mas acabou sendo igualmente decisiva nessa rota encurtada. Jorge Navarro, que vinha brigando pelo título com Binder desde o início do Mundial, sofreu uma fratura na perna esquerda em um treino logo após conquistar seu primeiro triunfo no Mundial e acabou perdendo o GP da Holanda.
 
Desde o retorno na Alemanha, Navarro tem sido acompanhado por uma enorme nuvem negra, que testemunhou abandonos em duas das últimas três corridas, por exemplo.
 
Nesse cenário, coube a Enea Bastianini a tarefa de fazer frente ao sul-africano, mas o italiano não fez em 2015 suas melhores exibições e não conseguiu repetir, ao menos até aqui, o triunfo do GP de San Marino e da Riviera de Rimini em 2015.
 
Os dois chegaram ao MotorLand de Alcañiz com 106 pontos de diferença e Binder apenas precisava sair de lá com cem de margem, já que restam apenas as etapas do Japão, Austrália, Malásia e Comunidade Valenciana. E foi isso que fez.
 
Agora, Brad tem mais quatro provas para se divertir na sempre agitada Moto3 antes de embarcar para uma nova aventura com a Ajo, desta vez com a KTM na Moto2.
PADDOCK GP #47 DISCUTE F1, FINAL DA INDY E FALA SOBRE ALEX ZANARDI