Campeão vigente, Márquez enfrenta rivais inspirados e situação inédita no segundo ano na MotoGP

Apesar da fratura sofrida seis semanas antes do início do Mundial, Marc Márquez abre a temporada 2014 como favorito absoluto ao título. Apesar do papel de principal postulante ao troféu, o jovem espanhol terá de enfrentar a experiência de Jorge Lorenzo, Dani Pedrosa e Valentino Rossi, e a inédita situação de defender sua coroa

 

Depois de conquistar os fãs da motovelocidade com atuações vigorosas em seu ano de estreia na MotoGP, Marc Márquez vai viver uma situação inédita em 2014. Pela primeira vez na carreira no Mundial de Motovelocidade, o piloto de Cervera terá de defender sua coroa.

Ao contrário do que aconteceu após as conquistas dos títulos das 125cc e da Moto2 – em 2010 e 2012, respectivamente –, Marc segue na divisão em que se sagrou campeão e será pressionado para reter seu caneco.

O espanhol, entretanto, não chega em sua melhor forma para a primeira prova do ano. Exatas seis semanas antes do início dos treinos livres para o GP do Catar, Márquez sofreu um acidente durante uma sessão de dirt-track e fraturou a perna direita. Por conta da lesão, o espanhol não pôde participar das duas baterias finais da pré-temporada.

Marc Márquez festeja título de 2013 (Foto:GEPA pictures/Gold & Goose/Gareth Harford)

Ainda assim, o piloto da Honda inicia a defesa do título com o melhor registro em Sepang, circuito que recebeu as duas principais baterias de testes da pré-temporada da MotoGP em 2014. Além da pressão para renovar seu triunfo, Márquez também vai ter de encarar a força dos rivais. Jorge Lorenzo, Dani Pedrosa e Valentino Rossi se esforçaram na fase de testes para melhorar o ritmo e dar combate ao espanhol.

O bicampeão da Yamaha, por exemplo, não engoliu a derrota de 2013 e vai para o Mundial disposto a brigar pelo tri. E o histórico do espanhol de 26 anos é bastante favorável. Depois de arrematar o título de 2010, Lorenzo perdeu a disputa para o australiano Casey Stoner em 2011, mas reagiu a altura para recuperar a coroa no ano seguinte. Como se não bastasse, Jorge ainda vem de um final de campeonato fortíssimo no ano passado, com atuações de gala e ninguém venceu mais do que ele na última temporada.

Para apimentar a disputa, Pedrosa também tem o título como meta. No último ano de seu contrato com a Honda, Dani terá em mãos o material necessário para brigar pela taça novamente, mas vai precisar de seu máximo empenho para se sair bem sucedido e superar o jovem e velocíssimo companheiro de equipe.

Na garagem do piloto da moto #26, a grande novidade é a ausência de Alberto Puig. Empresário e mentor de longa data do catalão, Puig assumiu outras funções na estrutura da Honda e da Dorna e será substituído pelo ex-piloto Raúl Jara, que já vinha acompanhando o dia a dia de Dani. A presença de Jara, aliás, já refletiu no comportamento de Pedrosa, que se mostrou mais disponível e sorridente nos últimos meses.

Jorge Lorenzo foi o grande adversário de Marc Márquez no ano passado (Foto: Getty Images)

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Do lado de Valentino Rossi, a ausência de Jeremy Burgess é a grande e triste novidade. Insatisfeito com a própria performance em 2013, o italiano dispensou o lendário técnico e escalou Silvano Galbusera para o posto. Além do novo chefe do time, Rossi também trabalhou em seu próprio estilo de pilotagem, adotando uma postura mais parecida com aquela de Marc Márquez.

O esforço do multicampeão parece ter dado resultado, já que conseguiu andar no ritmo da esquadra espanhola e liderou a segunda bateria de testes realizada em Sepang, efeito também da nova M1, mais ajustada ao jeito de Valentino.

A sombra do Quarteto Fantástico

Quatro primeiros colocados no Mundial de 2013, Márquez, Lorenzo, Pedrosa e Rossi são os protagonistas certos deste ano, mas a pré-temporada trouxe uma surpresa para os fãs da MotoGP. Contratado pela Forward, Aleix Espargaró exibiu um ritmo excelente em cima de uma versão do regulamento Aberto da YZR-M1 da Yamaha.

Embora não tenha condições de interferir na briga pelo título, o catalão deve brigar pelo pódio e pode beliscar um ou outro top-3 ao longo da temporada. O ótimo desempenho, aliás, é um prêmio para alguém que teve a coragem de arriscar.

Melhor colocado entre os pilotos que contaram com equipamento CRT nos últimos dois anos, Espargaró tinha em seu contrato com a Aspar uma cláusula de renovação automática para o caso de ele ser declarado campeão na subcategoria no ano passado. Até aí, parecia uma boa opção.

Aleix Espargaró foi o destaque da pré-temporada (Foto: Getty Images)

Correndo com uma moto desenvolvida pela Aprilia, Aleix tinha uma promessa de Gigi Dall’Igna, então chefe da marca italiana, de que teria um equipamento melhor para 2014, com mais dinheiro fluindo dos cofres da Itália. A transferência do dirigente para a Ducati, entretanto, mudou os planos do irmão mais velho de Pol.

De olho na Yamaha da Forward, Aleix teve de arcar com uma salgada multa por quebra de contrato com o time de Jorge Martínez, que, mais tarde, acabou acertando com a Honda para alinhas duas RCV1000R, a versão de produção da RC213V.

Com o acordo da Aspar com a HRC, Aleix acabou virando o ‘único piloto que pagou para não correr de Honda’, mas o destino preparou uma deliciosa surpresa ao espanhol. Ao longo da pré-temporada, a RCV1000R não chegou perto da promessa de competitividade da Honda, enquanto a Yamaha voou e colocou o Espargaró entre os ponteiros.

Aleix pode não ter chances de título em 2014, mas terá uma grande oportunidade para mostrar seu talento e, quem sabe, ganhar mais apoio de Iwata ao longo do ano.

Briga no pelotão intermediário

A pré-temporada 2014 também exibiu alguma evolução dos lados da Ducati. Ainda tentando superar os problemas da Desmosedici, a fábrica de Borgo Panigale reforçou o time com a chegada de Gigi Dall’Igna e Cal Crutchlow, e o trabalho, especialmente do novo chefe da Ducati Corse, parece estar dando resultado.

Dall’Igna chegou ao time com a meta de melhorar a comunicação entre os departamentos e aprimorar o projeto da GP14. Após os testes, os pilotos se mostraram animados com a evolução, mas cientes de que não será fácil bater Honda e Yamaha.

Para garantir o desenvolvimento contínuo da Desmosedici, a Ducati decidiu obedecer ao regulamento Aberto, ou seja, contar não só com a ECU padrão, mas também com o software fornecido pela Magneti Marelli a pedido da Dorna.

A opção do time vermelho levou a empresa espanhola e a FIM (Federação Internacional de Motociclismo) a buscarem uma alternativa para evitar que os italianos tenham uma vantagem injusta em relação aos rivais e introduziu uma série de mudanças no regulamento técnico já para este ano.

A partir de agora, os times inscritos como Fábrica que não conquistaram uma vitória em pista seca no último ano ou qualquer novo fabricante que entre no Mundial poderão contar com 12 motores não congelados por anos, além de tanque com capacidade para 24 litros e os mesmos pneus utilizados pelos times do regulamento Aberto. As concessões, entretanto, serão reduzidas de acordo com algumas variáveis.

Cal Crutchlow e Andrea Dovizioso, esperança de melhores resultados da Ducati (Foto: Ducati)

No momento em que um time conquistar uma vitória, dois segundos lugares ou três terceiros, passa a contar com tanque de 22 litros. Com três vitórias, a fábrica perde o direito de competir com os pneus mais macios desenvolvidos pela Bridgestone para o campeonato. 2014 será uma nova oportunidade para a Ducati se reinventar.

Resta saber se o time conseguirá usar o novo regulamento para descontar o atraso em relação às fábricas japonesas.

Festa de debutante

Neste ano, o Mundial também verá a estreia de duas promessas vindas da Moto2: Pol Espargaró e Scott Redding. Campeão da Moto2, o espanhol se deu melhor e vai contar com uma M1 da satélite Tech3. O britânico, por sua vez, será companheiro de Álvaro Bautista na Gresini, mas, ao contrário do parceiro de time, terá nas mãos a também estreante Honda RCV1000R.

Nos primeiros testes, Pol mostrou que aprende rápido e pode dar trabalho aos rivais, mas, nem de longe, vai repetir a performance de Marc Márquez em seu ano de estreia. Redding, por outro lado, ainda terá de trabalhar duro para fazer sua nova moto render tão bem quanto a Honda diz que ela rende.

A lista de debutantes inclui, ainda, Mike di Meglio e Broc Parkes, que vão defender as cores de Avintia e Paul Bird, respectivamente.

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