Coluna Wild Card, por Juliana Tesser: Enfim, Catar

Depois de meses de espera, enfim chegou a primeira prova da temporada. Devo dizer que não sei bem em quem apostar, mas tenho certeza que essa será uma temporada para fã nenhum colocar defeito

Depois de muitos meses de espera chegou a hora da MotoGP voltar às pistas. Neste fim de semana, o Mundial desembarca em Losail para a disputa do GP do Catar, a primeira etapa da temporada 2014. Nas classes menores é fácil fazer apostas – Pol Espargaró é um fortíssimo candidato ao trinfo na Moto2; e Maverick Viñales deve conquistar o título naquele que pode ser seu último ano na Moto3.
 
Na MotoGP, entretanto, a coisa fica mais difícil. Dani Pedrosa, Jorge Lorenzo e Valentino Rossi aparecem como os mais fortes candidatos, ainda que o italiano esteja um pouco atrás de seus rivais espanhóis. Mas quem se arrisca a cravar que Marc Márquez vai ficar fora desta briga?
 
Márquez precisa de experiência, mas, pelo que já vimos dele, podemos assegurar que ele vai tentar. Aos 20 anos, Marc não tem muito que perder. Ele estará na pista lutando ao lado de seus ídolos – especialmente Pedrosa e Rossi. 
É, vai ser mesmo difícil parar Pedrosa… (Foto: MotoGP)
O campeão de 2012 da Moto2 já declarou várias vezes que sempre foi fã dos dois e agora se encontra na privilegiada posição de poder aprender com seus mestres. E tem muito para ser aprendido. No caso de seu companheiro de equipe, poucos pilotos tem tamanha habilidade em largadas como Pedrosa. No caso de Rossi, bom, aí não há muito para explicar. Alguém que conquistou nove títulos mundiais certamente tem lá suas virtudes. 
 
O ponto principal para Márquez em 2013 será evitar lesões. Ele chega ao Mundial sem pressão, mas não totalmente. Por mais que ele não seja o principal favorito, Márquez deixou fãs, imprensa e dirigentes mal acostumados, e agora todos esperam por um show. Ainda assim, Marc não fechará o ano como um derrotado se não assegurar o título em sua primeira tentativa. 
 
A situação para Pedrosa, no entanto, é diferente. O espanhol tem muito a perder em 2013. Dani é um dos pilotos com a maior carreira em um time de fábrica sem jamais ter vencido o título da classe rainha. 
 
Seria injusto não ressaltar que não foi por falta de tentativas. O piloto da moto 26 chegou algumas vezes perto do título, mas as lesões sempre o tiraram da briga. 2012, porém, foi um ano diferente. Pedrosa lutou com tudo o que tinha – e até com o que não tinha. Melhorou em cada um dos fundamentos, especialmente na disputa corpo e a corpo, e, talvez, se tivesse acordado para a vida um pouco mais cedo, teria conseguido garfar o título de Lorenzo. 
 
Para 2013, Pedrosa inicia o ano cheio de confiança e 100% em forma. Dani ditou o ritmo em boa parte da pré-temporada e eu até me atrevo a dizer que ele merece esse título. Depois de tudo que passou com suas seguidas lesões e da evolução que teve a partir da metade da temporada passada, Pedrosa merece o brilho do rol dos campeões. 
 
Seria bem legal ver Pedrosa escrever seu nome da história da MotoGP. Ele ia sorrir com mais frequência e ganhar ainda mais confiança, o que tornaria a temporada 2014 ainda mais espetacular. 
 
Só que Lorenzo não deve concordar comigo e certamente acha que o melhor plano é que ele conquiste o tricampeão. E ele tem lá sua razão. A vitória de Jorge – ou do próprio Rossi – seria uma história legal de se contar, já que a Yamaha começa o ano em desvantagem. Não que a diferença seja muito grande, porque não é, mas a Honda vem um pouquinho melhor neste início de temporada.
 
Duas coisas impressionam em Lorenzo. Aliás, três: consistência, ausência de erros e maturidade. Olhando para o ano passado, vemos o segundo lugar como pior resultado nas provas que completou. Se procurarmos erros, acharemos falhas mínimas, a mais gritante em Valência, quando o título já estava garantido e ele podia se dar ao luxo de errar. 
 
No quesito maturidade, Lorenzo vem dando uma aula. Já até escrevi sobre isso um tempo atrás. Jorge deixou de ser aquele moleque chato que entrou no Mundial se achando o dono do mundo, para se tornar um homem ciente de suas qualidades, mas sem perder de vista os talentos dos rivais. E ele merece inúmeros aplausos por isso. 
 
Temos também o quesito fofura. Eu sei que isso é um pouco estranho, mas nessa nova versão tem até espaço para ele ser amigo do Valentino. Ele disse até que ser companheiro do italiano é um dos maiores orgulhos que um piloto pode ter. É muito bom ver dois pilotos se respeitando assim.
 
Dois, sim. Porque Valentino também mudou. E já admitiu que mudou sua visão sobre Lorenzo. Ok, o italiano detestou a chegada dele à Yamaha lá atrás, mas não é difícil entender os motivos dele. Valentino ajudou a mudar a história do time, mandava na casa, era o dono do pedaço e aí aparece um espanhol marrentinho, que sobe no trem querendo sentar na janelinha.
 
Rossi se sentiu desrespeitado. E com razão. Só que aí ele quebrou a cara na Ducati e voltou para Iwata com um cenário totalmente diferente. Lorenzo podia ter barrado a volta dele. Claro que podia. A Honda estava de olho nele e tudo que ele tinha a dizer era: ‘Se ele vier, eu vou para Honda’. Mas, não. Lorenzo não se opôs e tem se mostrado muito simpático em relação ao retorno do companheiro. 
 
Pode ser que isso não dure. É até provável que esse amor todo acabe quando os dois começarem a brigar na pista, mas, por enquanto, é bom que a história seja assim. Os dois juntos são mais fortes. Especialmente para melhorar a M1. Separados, pode ser mais fácil para a Honda assegurar o título de 2013, mas se os dois trabalharem juntos no desenvolvimento do protótipo azul, a Yamaha terá um produto mais forte no fim do ano e, ainda que não fique com o título, estará muito mais em forma para retomar a coroa em 2014.
 
Ok, Rossi tem 34 anos, é o mais velho dos quatro, mas é também o mais experiente. E eu não sou louca o suficiente para duvidar de um cara com o histórico dele. Para mim, é imprudência tratar Valentino como um piloto acabado. 
 
Os anos na Ducati foram difíceis, é verdade, mas não mataram Valentino. Longe disso. Em todas suas entrevistas, Rossi insiste na tecla motivação. E é isso que vai colocá-lo de volta em seu trono. Pode ser difícil? Pode. E vai. Mas eu ainda acho que veremos um décimo título do italiano. Pode não ser em 2013, mas virá. 
 
No fim das contas, não sei muito bem em quem apostar. Todos os quatro têm condições para ganhar o Mundial. Pedrosa, Márquez, Rossi e Lorenzo têm talento de sobra para isso.
 
Seja como for, vai valer a pena assistir cada segundo da MotoGP nesta temporada. Começando nesta quinta.

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