Coluna Wild Card, por Juliana Tesser: Por quê?

Não vejo nenhum bom motivo para Bradley Smith merecer ser promovido para a MotoGP. A Moto2 está cheia de pilotos que fariam um uso melhor da M1 que o britânico vai alinhar ano que vem

Alguém pode me apontar um bom motivo para Bradley Smith ter uma vaga na Tech 3 no ano que vem? Quer dizer, além, claro, da sétima posição que ele ocupa na classificação da Moto2 e dos 77 pontos que ele somou até aqui. (Marc Márquez, que lidera a classificação, tem 213; Pol Espargaró, o segundo colocado, tem 165; e Thomas Lüthi, o terceiro, acumula 154 pontos).

Têm, pelo menos, uns seis pilotos melhores que ele no Mundial. Ok, cinco, porque o Márquez já é da Honda. Mas por que dar uma vaga para o Smith?

Espargaró, por exemplo, faria um uso muito melhor da M1. Mas, ao que parece, o espanhol ainda não quer subir, pois quer o título da Moto2 antes. (Aliás, segundo consta, Aleix, o irmão, andou orientando o caçula a não ir para a Ducati. Prudente. Se o meu irmão fosse um piloto e tivesse a chance sair da Moto2, onde ele poderia vencer e mostrar que é bom, e ir para a fábrica italiana para sofrer que nem um cão, eu também diria não).
 

Bradley Smith será companheiro de Cal Crutchlow na Tech 3 em 2013 (Foto: Tech 3)


Mas tem o Thomas Lüthi. É ele andou meio apagadinho, mas mesmo no modo discreto, é um piloto bem melhor que o Smith. Redding também é bom. Ele faz lá as besteiras dele, mas é talentoso. Mika Kallio também seria melhor.

Não entendo o motivo dele ter uma vaga. Ele é britânico e todo piloto britânico reclama que a Inglaterra não apoia, que não investe, que não tem patrocinadores e etc. Se não foi o dinheiro, foi o que?

Vai ver ele foi bem em alguma corrida que eu não vi, mas isso não aconteceu. Eu vi todas elas. Sem exceção. Perdi, no máximo, uns dois treinos livres. E ele não fez nada de tão importante.

‘Ah, mas o contrato dele já estava assinado!’ Verdade, mas ninguém é tão burro de fazer um contrato que não desse alguma opção para a Tech 3 para o caso do garoto ser um fiasco.

Eu acho que ele é amigo do Hervé Poncharal. Só isso explica. Amigos são amigos, não é não?!

Ride Through

Surgiu na imprensa francesa esta semana a notícia de que Ben Spies será contratado pela Pramac para a temporada de 2013 da MotoGP. Eu admito: tenho certa experiência em ser enrolada pelas pessoas, mas essa história é demais, até para os meus padrões.

Primeiro, quem, em sã consciência, sairia da Yamaha para ir para uma Ducati satélite? Quer dizer, com Valentino Rossi na jogada, Spies não tinha muita chance, mas precisa estar mesmo sem opção para fazer um negócio desses.

Segundo, até outro dia o presidente da Ducati estava falando da criação de um Junior Team para ajudar a equipe titular no desenvolvimento da Desmosedici e agora surge esse boato.

Nada contra o Spies, acho mesmo que ele deve seguir na MotoGP e tal, mas um cara com quase dois anos no time de fábrica da Yamaha não pode ser apontado, nem de longe, como integrante de um time júnior.

Spies é um piloto experiente. Campeão de Superbike e tal. Não é um novato. Já foi, quando corria na Tech 3, mas não é mais. Hoje ele é um piloto azarado, mas não inexperiente.

Borgo Panigale testou com Andrea Iannone – que foi indicado por Valentino, aliás – e Scott Redding. Isso seria um Junior Team, já que os dois viriam da categoria intermediária.

Se esse boato se confirmar, a Ducati vai mostrar que está completamente perdida. Não sabe para onde correr.

Os italianos tentaram contratar Rossi em 2004 e não conseguiram. Finalmente, em 2010, atraíram o piloto e aí viram um fracasso histórico. Não acho que isso mude o piloto que Valentino é, mas, querendo ou não, vai acabar aparecendo em uma ou outra página da biografia dele e da equipe.

Quando viram que Rossi iria embora, notaram que precisavam de um grande plano para convencê-lo a ficar preso no porão do Titanic. Pensaram então em uma equipe de novatos e, claro, levando o piloto indicado por ele.

Mas Rossi saiu da mesma forma e agora os italianos têm de encontrar uma maneira de reverter o fiasco dos últimos anos. Spies pode ser uma boa opção, claro, mas não é um piloto de time júnior. Isso é certo.

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube