Coluna Wild Card, por Juliana Tesser: Uma lição de lealdade

Masao Furusawa deu uma lição de respeito aos seus ex-colegas de trabalho e à Yamaha ao recusar a oferta da Ducati. Código de ética do nipônico o impediu de trabalhar contra a empresa onde construiu sua fama

Há algumas semanas a imprensa europeia noticiou que Masao Furusawa, o engenheiro por trás do projeto vencedor da Yamaha, estava na Itália para uma reunião na Ducati. Apesar de o encontro ter sido negado inicialmente, o nipônico acabou confirmando que esteve em Borgo Panigale para falar sobre o projeto dos italianos na MotoGP.

O encontro com o pai da M1 foi uma tentativa da Ducati para manter Valentino Rossi no time. Ao chamar o engenheiro de confiança do multicampeão, a esquadra esperava dar a ele a segurança de que o projeto seguiria evoluindo – necessária para a renovação do acordo.

Furusawa, no entanto, deu uma lição de lealdade. O nipônico passou sua carreira na Yamaha e não aceitou a oferta da fábrica de Bolonha mesmo sabendo que ajudaria um amigo na meta de vencer com uma terceira marca no Mundial.
 

Ducati chamou Furusawa na tentativa de manter Rossi (Foto: MotoGP)


No entender de Masao, representar a Ducati em uma categoria da qual a casa de Iwata participa seria desleal.

Claro, Furusawa estava curtindo sua aposentadoria e atendeu o chamado dos italianos por uma questão de educação ou curiosidade, mas não traiu seus princípios.

Há alguns anos, quando Ichiro Yoda, um dos principais responsáveis pelo projeto da Yamaha na MotoGP, deixou Iwata para assumir o posto de responsável técnico da Kawasaki no Mundial, Masao criticou a postura do conterrâneo e não seria ele a trair seus princípios.

Mesmo aposentado e afastado da Yamaha há dois anos, o engenheiro segue leal à marca onde construiu sua reputação. Segue leal às pessoas que o ajudaram no projeto da M1. Segue leal àqueles que trabalharam para contratar Valentino mesmo sabendo que tinham uma moto inferior para oferecer.

Em tempos onde jogadores de futebol trocam de time como eu troco de roupa e onde companheiros de trabalho passam por cima uns dos outros, é bonito ver alguém que dá valor à lealdade.

Masao Furusawa é um dos grandes caras deste esporte.

Ride Through

Ok, não precisa me dizer que Casey Stoner é um baita piloto e que ele conseguiu vencer com a Ducati quando o Rossi não conseguiu, mas o que há de errado com esse rapaz?

Não é possível que alguém reclame tanto. Tudo bem que ele não goste do Valentino, mas não precisa exagerar. É até bacana quando os competidores trocam umas farpas, serve para movimentar as coisas, mas no caso do Stoner isso é falta de educação.

O cara conseguiu até menosprezar os bons resultados obtidos por Stefan Bradl. Disse que Marc Márquez deve se achar melhor que ele. E olha que o Márquez é um cara bem contido na hora de dar qualquer declaração.

Stoner é um piloto muito bom, mas está na hora de tirar o limão da goela.

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube