Com Pedrosa, Honda brilha com baixa aderência de Barcelona. Yamaha revisita fantasmas de Jerez

Dani Pedrosa conquistou neste sábado (10) a 30ª pole-position da carreira ao bater Jorge Lorenzo por 0s331. Performance do espanhol é mais uma mostra do bom comportamento da RC213V em pistas com baixa aderência. A Yamaha, por outro lado, está revisitando os fantasmas que conheceu em Jerez de la Frontera. Desta vez, no entanto, as assombrações ganharam uns quilinhos e ficaram um tanto mais tenebrosas

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A Honda vai sair na frente no GP da Catalunha de MotoGP. Neste sábado (10), Dani Pedrosa surgiu forte já no quarto treino livre e garantiu a pole-position em Montmeló — a 30ª da carreira e a segunda do ano — ao cravar 1min43s870, superando Jorge Lorenzo por 0s331.
 
Depois de uma atuação apagada em Mugello, chama a atenção a boa performance da Honda, que liderou todos os treinos do fim de semana até aqui — Marc Márquez foi o melhor nos três primeiros treinos livres, com Pedrosa no topo da tabela no TL4 e na classificação. No conjunto do primeiro terço da temporada, o único outro fim de semana onde a marca da asa dourada foi assim dominante foi em Jerez de la Frontera, quando a RCV esteve na frente com Marc apenas no quarto treino e com Dani em todas as demais sessões.
 
E isso não acontece por acaso. Montmeló e Jerez são duas pistas de baixa aderência e que precisam de um recape. A situação do traçado catalão é um pouco pior não só pelas altas temperaturas do verão espanhol, mas também pelo constante uso do traçado pela F1, que torna o asfalto ondulado, rachado.
Dani Pedrosa faturou a pole e aparece como favorito em Montmeló (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Apesar dos constantes pedidos feitos pela Comissão de Segurança — leia-se pilotos — e pela própria organização da MotoGP, o asfalto de Barcelona tem 13 anos e a situação vai piorando com o passar do tempo. Durante este fim de semana, os pilotos foram taxativos ao serem questionados se era possível correr em Montmeló em 2018 com o mesmo asfalto atual: “Não”.
 
Na era da MotoGP, a Yamaha aparece como a montadora mais bem sucedida no circuito, com nove vitórias desde 2002, incluindo nos dois últimos anos.  Desta vez, no entanto, a YZR-M1 não encontrou o caminho das pedras. Pela primeira vez desde que o formato foi introduzido, há quatro anos, a casa de Iwata não conseguiu colocar sequer uma das quatro motos que tem no grid direto no Q2, a fase final do treino classificatório.
 

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No extremo oposto, a Ducati. Dona de duas vitórias na pista catalã — inclusive a primeira na categoria com Loris Capirossi em 2003 —, a casa de Borgo Panigale colocou seis motos direto no Q2 pela primeira vez.
 
Surge um favorito
 
Embora as dificuldades com aderência dificultem prognósticos — já que tudo pode acontecer em uma pista escorregadia —, Pedrosa desponta como favorito, não só pela pole-position, mas por seu fino trato com os pneus. Menor e mais leve piloto do grid, Dani consegue ser mais gentil com a borracha, o que deve ajudar, especialmente no forte calor de Montmeló. A meteorologia indica que a temperatura deve alcançar os 31°C amanhã.
 
“Ano passado essa foi uma das corridas mais difíceis do campeonato”, lembrou Dani. “Amanhã temos que escolher os pneus certos e então ver como iremos cuidar dessa situação. Nós sabemos que será quente, sabemos que será difícil, mas temos que manter nossas cabeças baixas e tentar focar na corrida”, seguiu.
 
“Com certeza, o principal rival serei eu mesmo, com os pneus, a temperatura da pista… É por isso que eu preciso estar ligado”, ponderou. “Corridas são corridas e nós apenas temos de focar no que eu posso fazer em cima da moto com os meus pneus nas condições de corrida”, concluiu.
 
O inimigo mora ao lado
 
Apesar dos muitos — quatro — tombos deste sábado, Márquez não é carta fora do baralho. O espanhol mostrou bom ritmo ao longo de todos os treinos e fechou o dia satisfeito com seu desempenho.
 
O #93 lamentou que tenha dado trabalho extra aos seus técnicos e mecânicos, mas destacou que prefere abrir a segunda fila após quatro quedas do que passar ileso pelos treinos para sair em décimo.
Marc Márquez caiu bastante, mas segue confiante (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
“Parece que podemos brigar pelo pódio, porque o ritmo não é ruim. Veremos o que poderemos fazer pela vitória”, disse Márquez. “Eu caí quatro vezes, mas a situação não é tão ruim”, resumiu.
 
“Todo mundo está sofrendo, não só eu, porque é um circuito muito exigente. Eu vou voltar a forçar. Prefiro largar em quarto com quatro quedas do que em décimo sem nenhuma”, defendeu.
 

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37 pontos atrás de Maverick Viñales na classificação da MotoGP, Márquez sabe que precisa pensar no campeonato e, por isso, não pode correr riscos desnecessários.
 
“Dani é quem melhor trata os pneus. Se ele for mais rápido, como em Jerez, teremos de pensar em terminar em segundo”, reconheceu. “Quatro quedas são muitas e me faz ver que amanhã é preciso chegar onde conseguirmos”, completou.
 
A volta dos fantasmas
 
Do lado da Yamaha, a situação parece um bocado desesperadora, especialmente para Viñales, que é quem mais tem o que perder. O líder do Mundial foi a segunda melhor Yamaha no grid, atrás apenas de Jonas Folger, e vai sair em nono, já que foi 0s750 mais lento que Pedrosa na classificação.
 
Com a M1 do ano passado — a que venceu o GP da Catalunha com Valentino Rossi —, Folger foi só animação ao falar corrida e apostou em um “dia bem sólido amanhã”. O #25, por outro lado, segue dando sinais de desespero.
 
Depois de reclamar bastante sobre a performance dos pneus na sexta-feira, Maverick quis maneirar no tom para evitar o rótulo de “chorão”, mas deixou claro seu descontentamento com a Michelin.
 
“A Yamaha aqui sempre teve bons resultados. Não encontro explicação, nem solução [para a aderência]. Não gosto de ficar reclamando todo dia dos pneus, parece que sou o ‘chorão’ da MotoGP, não quero reclamar, mas sim que solucionem o problema”, comentou. “Nós tentamos de tudo, mudamos a moto de cima para baixo, e o resultado foi o mesmo: não acelera, porque não para de derrapar, nem mesmo reduzindo a potência com a eletrônica. As sensações na traseira são horríveis. A moto se move muito, algo que nunca tinha acontecido e que é impróprio da Yamaha”, apontou.
Maverick Viñales segue mostrando sinal de desespero em Montmeló (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Questionado se tinha recebido uma advertência por se queixar os pneus, Viñales respondeu: “Eu não sou tão duro com a Michelin considerando a nossa situação”.
 
“Você não pode disputar um Mundial e estar em 17º, 16º ou 15º. Em Mugello eu estive na frente o tempo todo”, lembrou. “Estou dizendo desde Austin que queremos um pneu que seja bom para todos, para que depois ganhe o melhor. Mas as diferenças de uma corrida para a outra são tremendas”, criticou.
 
“Hoje sacamos todos os coringas. Cada corrida deve ser com a calculadora. Se tiver de fazer sétimo, eu farei”, assegurou, admitindo que tampouco sabe qual será sua estratégia de pneus para amanhã. “Não dei mais do que dez voltas com o mesmo pneu, então não sei que compostos colocar”.
 

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Piloto mais experiente da dupla da Yamaha, Rossi se mostrou menos em pânico, mas também reconheceu que será uma dura corrida em Montmeló.
 
“Foi um dia difícil, claro. Sinceramente, eu esperava ter menos dificuldades, porque ontem não foi fantástico, mas eu tinha um feeling bem bom com a moto e fizemos algumas modificações. Mas, desde esta manhã, parece que o asfalto tem menos aderência e, para nós, foi um grande problema”, afirmou. “Nós tivemos muita dificuldade nesta manhã e temos muitos problemas, especialmente, com os pneus. Parece que não somos capazes de fazer os pneus funcionarem da maneira correta. É difícil com todos os pneus. Com alguns, fazemos mais voltas, mas temos menos grip, então não temos a escolha certa dianteira e traseira”, explicou.
 
“Largar em 13º será muito, muito duro amanhã. Muito difícil também porque o ritmo não é fantástico. Mas é sábado, ainda temos o warm-up para tentar alguma coisa e temos de tentar melhorar, no mínimo, um pouco o ritmo para recuperar posições na corrida”.
 
No TL4, entretanto, Rossi exibiu um ritmo competitivo, apenas 0s1 mais lento que Pedrosa, que mostrou a melhor performance.
 
“Nosso ritmo não é fantástico, mas não é muito ruim e temos muitos pilotos [com ritmos] semelhantes, exceto Pedrosa, que é mais rápido”, apontou. “O problema é que com o pneu médio não estamos tão mal por seis voltas. Mas a corrida tem 25. Com o pneu duro, não estamos bem. Então a escolha é fazer cinco voltas e aí reduzir a velocidade ou ser lento em toda a corrida! Temos de decidir”, continuou.
 
17º no grid, Cal Crutchlow reforçou o coro contra os pneus e ressaltou em entrevista à emissora britânica BT Sports que as Honda estão sofrendo nas curvas para a esquerda — a Michelin levou pneus assimétricos para Montmeló, com a borracha mais resistente do lado direito —, com exceção de Pedrosa, que é muito mais leve que os demais.
 
“Oito Honda caíram em curvas para a esquerda neste fim de semana. Nós só temos de tentar controlar essa situação amanhã e sair daqui”, afirmou Cal. “O único cara que consegue controlar os pneus — porque é 22 quilos mais leve — é Dani. Ele é capaz de ser competitivo, mas ele também caiu em uma curva para a esquerda. No entanto, nossa moto é boa para a distância da corrida, então estamos ansiosos por isso amanhã”, completou.
 
Sequência
 
Ainda em fase de adaptação com a Desmosedici, Jorge Lorenzo conquistou em Montmeló sua primeira primeira fila com a Ducati, mantendo uma impressionante sequência no traçado catalão. Desde 2004, o #99 sempre esteve no top-3 do grid de Montmeló, com exceção de 2008, quando não participou da prova.
 
Apesar do bom resultado, Lorenzo mostrou cautela e destacou que é difícil tirar conclusões. Entretanto, o piloto de Palma de Maiorca se mostrou animado com as possibilidades.
Aleix Espargaró colocou a Aprilia na quinta colocação do grid (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
“É difícil tirar conclusões, pois alguns pilotos colocaram três pneus, outros dois e alguns colocaram o macio no final. Apesar de ter terminado em segundo, não tenho de focar no resultado. O importante são as sensações em cima da moto, que não têm sido ruins nem perfeitas”, seguiu. “Tenho que trabalhar muito. No último setor tenho perdido muito. Se melhorarmos esse aspecto, acredito que podemos fazer algo bom domingo. Nós vimos nos testes aqui que temos a velocidade e a confiança de fazer muito melhor do que em Mugello”, completou.
 
A surpresa do dia
 
A grande surpresa deste sábado em Montmeló ficou por conta de Aleix Espargaró. Além de avançar direto ao Q2, o catalão colocou a Aprilia na quinta colocação do grid, o melhor resultado da marca no ano. Uma situação bem diferente de Sam Lowes, que hoje disparou contra a equipe de Noale.
 
Aleix, que já classificou a RS-GP como uma “moto de domingo”, mostrou animação para a prova, mesmo admitindo que não será uma prova tranquila.
 
“Estou feliz, especialmente por como me sinto bem com a moto para a corrida. A classificação foi bastante apertada, eu tinha esperado algo mais com o pneu macio, mas nas duas voltas rápidas perdi alguns centésimos no primeiro setor. Em todo caso, quinta colocação é fantástica”, declarou. “Definitivamente deixará a vida mais fácil na corrida. Eu tenho um bom ritmo e nesta pista com tão pouca aderência, qualquer coisa pode acontecer. Estou motivado e animado. Estou esperando um bom domingo”, encerrou.

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