MotoGP

Da Moto3 a Dovizioso × Márquez, passando por clipe de abertura, MotoGP entrega show irretocável no Catar

O Mundial de Motovelocidade teve um domingo (10) irretocável no Catar. As provas das três categorias foram definidas nos milésimos e comprovaram a expectativa de um ano de alta competitividade. E, como se o espetáculo na pista não fosse o bastante, a Dorna se superou mais uma vez na transmissão do campeonato
Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
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O Mundial de Motovelocidade teve um dia glorioso no Catar neste domingo (10). Da Moto3 a MotoGP, o público foi brindado com corridas de alta qualidade, com todos os três vencedores definidos no detalhe. Fora da pista, a Dorna, mais uma vez, mostrou sua enorme habilidade ao realizar uma transmissão cheia de capricho e qualidade.
 
Responsável pelo primeiro ato do espetáculo de 2019, a Moto3 veio fiel a seu estilo. Como já é marca da categoria, a corrida foi toda disputada em grupo, com vários pilotos aparecendo com opção de vitória.
 
Ao fim das 18 voltas, Kaito Toba levou a melhor em cima de Lorenzo Dalla Porta por apenas 0s053 e, de quebra, encerrou um longo jejum de vitórias japonesas na classe menor ― desde a vitória de Tomoyoshi Koyama no GP da Catalunha de 125cc de 2007.
Chegada épica do GP do Catar com Dovizioso 0s026 à frente de Márquez (Foto: Twitter)
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Além da alta competitividade, a Moto3 também foi responsável pela estreia da punição da volta longa. Ou quase isso. Envolvido na briga pela vitória, Romano Fenati se confundiu ao receber um alerta da direção de prova para respeitar os limites da pista e acabou cumprindo a pena por engano.
 
“Faltando algumas voltas para o fim, quando eu estava lutando pelo pódio, eu vi ‘limites da pista’ no painel e não ficou claro se era só um alerta ou uma punição. Eu errei e cumpri uma punição que não existia”, explicou Fenati. 
 
Quando chegou a vez da Moto2, a corrida parecia um bocado mais fria, mas aí Tom Lüthi apareceu para tomar para si o protagonismo da disputa. De volta à classe intermediária após um ano terrível na MotoGP, o suíço não tardou a se encaixar à nova moto e fez uma corrida exemplar. Crescendo volta a volta, o #12 não só se meteu na briga pelo pódio, como tratou de recortar a vantagem de Lorenzo Baldassarri para desafiar o rival da Pons pela vitória.
 
No fim, o pupilo de Valentino Rossi conseguiu segurar o rival mais experiente, mas por uma margem de apenas 0s026. Mas não foi só isso. Marcel Schrötter garantiu o último degrau do pódio em Doha ao superar Remy Gardner por míseros 0s002.
 
Na sequência, antes de a MotoGP entrar na pista, foi a Dorna que mostrou a qualidade de seu ‘grid’. Como faz todos os anos, a promotora espanhola preparou um clipe de apertura para a classe rainha e, como sempre, deu show.
 
Ano a ano, a empresa que tem Carmelo Ezpeleta como diretor-executivo procura mais e mais meios de adicionar informação e imagens de tirar o fôlego em suas corridas. Desta vez, a Dorna foi certeira em seu alvo.
 
Quando, enfim, as luzes se apagaram no traçado do Catar, a MotoGP fez justamente aquilo que se esperava dela. Depois de semanas e mais semanas criando expectativa de uma temporada de alta competitividade, o GP do Catar trouxe uma corrida de grupo, com o pelotão rodando colado em boa parte do tempo.
 
No que foi praticamente um replay da corrida do ano passado, Andrea Dovizioso e Marc Márquez se destacaram e, como sempre, o italiano mostrou toda sua capacidade de ‘leitura de jogo’. Com uma volta para o fim, o #4 errou e facilitou a passagem do rival, mas a falha acabou sendo um acerto, já que permitiu ao piloto da Ducati entender a fraqueza do titular da Honda.
 
“Quando errei na chicane, eu vi que ele estava em dificuldades com a aderência na traseira”, contou Andrea. “Isso me deu motivação extra, porque eu entendi algumas coisas em algumas curvas onde eu conseguia ser mais rápido do que ele e preparar a resposta”, seguiu.
 
“Eu sabia que Marc tentaria me ultrapassar, mas se eu saísse muito rápido, seria difícil para ele me ultrapassar. Se ele quisesse me ultrapassar, teria de correr um grande risco”, ponderou.
 
O #93, aliás, contou que teve de mudar sua tradicional estratégia de correr com o pneu duro na dianteira e, no fim, isso o forçou a mudar sua maneira de pilotar.
 
“Foi uma corrida difícil para mim, pois, como vocês viram, escolhi um pneu dianteiro médio, porque era a única opção que eu tinha. O pneu duro que eu normalmente ― no ano passado, eu corri com o duro, mas era outro duro. Eu tinha muita dificuldade com o médio, mas decidi tentar controlar”, explicou Marc. “Aí eu usei muito o pneu traseiro e estava patinando muito com a traseira, mas, fora isso, nós controlamos bem. Estávamos lá. Nós terminamos um pouquinho mais perto de Dovizioso. Ele é muito rápido neste circuito, é um dos nossos piores circuitos no calendário, mas, mesmo assim, nós conseguimos ser muito rápidos”, continuou.
 
“Eu estava pilotando de uma maneira estranha neste fim de semana, não por conta da minha condição física, mais por conta da pista e das condições da pista. Em uma volta, eu estava pilotando do meu jeito, mas aí eu tinha muita dificuldade, então, é, eu forcei muito o pneu dianteiro”, reconheceu. “Por isso, nós mudamos para um acerto muito estranho para nós, um que nunca usamos, um estilo de pilotagem muito estranho, mas funcionou. Estou feliz, pois, quando precisamos sobreviver, podemos sobreviver. E hoje nós sobrevivemos com 20 pontos”, sublinhou.
 
O campeão vigente, aliás, foi direto na hora de explicar o que aconteceu no domingo da classe rainha.
 
“Isso é a MotoGP. A MotoGP é assim. É incrível”, exaltou. “Quando você está pilotando com os caras, 350 km/h, com só dois dedos entre as motos, é incrível”, frisou. 
 
“Outra coisa interessante é que, na pré-temporada, nós temos muitos nomes diferentes, muitas motos diferentes, mas aí, quando é para valer, são os mesmos nomes. Nós esperamos continuar assim por toda a temporada”, completou.



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