Descoberta de Barros e fruto do motocross: Moreira é nova joia do motociclismo brasileiro

Pinçado no motocross por Alexandre Barros, Diogo Moreira integra hoje os quadros da mesma equipe que formou Marc Márquez e está entre os protagonistas da Red Bull Rookies Cup em 2021

Diogo Moreira testou com a equipe de Aki Ajo em Barcelona (Vídeo: Divulgação)

Diogo Moreira é a nova joia do motociclismo brasileiro. Descoberto por Alexandre Barros nas trilhas de motocross, o jovem de 17 anos hoje integra os quadros da mesma equipe que formou nomes como Marc Márquez, é protagonista na Red Bull Rookies Cup e foi até escalado para um teste do Mundial de Moto3 com a Red Bull KTM Ajo.

A história de Diogo no esporte começou no barro. Filho de um ex-piloto de motocross, o paulista começou a correr na disciplina, onde ficou até cruzar o caminho do maior expoente da motovelocidade nacional. Mas foi em 2014 que tudo mudou.

Diogo Moreira mudou para a motovelocidade após iniciar a carreira no motocross (Foto: Divulgação)

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Instalada no Brasil desde o ano anterior, a cervejeira Estrella Galicia queria fazer no país o mesmo que fazia na Espanha: investir na formação de jovens talentos do motociclismo. A empresa do grupo Hijos de Rivera, então, procurou o ex-piloto Emilio Alzamora, que indicou Alex como alguém que poderia liderar um projeto deste nível do lado de cá do Oceano Atlântico.

Com um projeto de formação de pilotos em mãos, Barros recorreu a outras disciplinas para encontrar pupilos para a equipe que tinha na hoje extinta Moto 1000 GP. Diogo foi recrutado aos 10 anos, em 2015, quando já somava o título de Campeão Brasileiro de Motocross nas 50cc.

“Eu tive uma proposta para andar no asfalto”, contou Moreira em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO. “Acabei fazendo uma prova, um teste, e acabei que gostei muito da motovelocidade e até hoje estou aqui”, seguiu.

Diogo precisou de alguma adaptação, mas logo se ajustou à troca de superfície.

“No começo, eu tive um pouquinho de dificuldades, sim. No primeiro ano, eu tive um pouquinho de dificuldade, pois é bem diferente o motocross da motovelocidade, mas treinando bastante, eu consegui me adaptar bastante rápido e bastante bem”, contou.

Questionado pelo GP sobre a importância do programa de Alex na carreira, Diogo respondeu: “Foi muito importante no começo, porque eu não sabia nada de motovelocidade, então, com o Alex me ajudando, foi um momento importante”.

“Aprendi muitas coisas. Como eu comecei no motocross e depois fui para a motovelocidade, tive de me adaptar à muitas coisas em relação a motovelocidade. E ele sempre me ajudou nisso”, comentou.

O acordo com Barros terminou, mas os frutos seguem em vigor. A academia do ex-piloto previa um intercâmbio com a Monlau, a escola-técnica que formou Álex e Marc Márquez. E foi assim que Moreira foi parar na Europa, em 2017, para disputar a categoria 85GP, dentro do CEV (Campeonato Espanhol de Velocidade).

“Foi com o Alex que eu cheguei aqui. Desde o primeiro ano que eu estou na Monlau, em 2017, eu estou bastante feliz e cada ano desenvolvendo mais e aprendendo cada vez mais a cada corrida”, apontou. “A Monlau tem um projeto muito bom, muito importante, que é uma pirâmide. Se você vai subindo de categoria, você consegue chegar no Mundial. Vários pilotos mundialistas já passaram pela Monlau. Muitos campeões do mundo já passaram pela Monlau”, sublinhou.

Diogo Moreira corre com a Estrella Galicia 0,0 no Mundial Júnior de Moto3 (Foto: Repsol)

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Avançando pouco a pouco, Diogo agora disputa o Mundial Júnior de Moto3 e a Red Bull Rookies Cup, onde tem sido um protagonista. Semana passada, inclusive, participou de testes do Mundial de Moto3 a convite da Red Bull KTM Ajo, já que Jaume Masià estava lesionado e não pôde participar da atividade em Barcelona.

Indo para o quinto ano na Europa, Moreira não tem dificuldade em identificar as diferenças em relação à base do esporte no Brasil.

“Já em 2017, quando eu testei a moto, vi muita coisa diferente do Brasil. É um outro tipo de moto, aqui já é uma moto de competição. Sim, é muito diferente do Brasil”, afirmou.

Antes de chegar ao Mundial Júnior, Diogo passou pela Talent Cup Europeia, uma categoria de base que conta com o apoio da Dorna, a promotora do Mundial de Motovelocidade.

“Em 2019 eu comecei o ano bem e no meio da temporada tive uns probleminhas, mas acabei resolvendo no final da temporada, com uma pole, dois pódios e uma vitória”, recordou.

Ano passado, o salto para a Moto3 trouxe a 11ª colocação na tabela, com 49 pontos, 147 a menos que Izan Guevara, o campeão que hoje já está no Mundial. A força do categoria júnior é tamanha que Pedro Acosta, o jovem fenômeno que lidera a classe menor do campeonato do mundo fechou o ano em terceiro.

“2020 foi o meu primeiro ano no Europeu, no Mundial Júnior de Moto3, e foi uma experiência muito boa”, considerou. “Foi o primeiro ano, mas agora o segundo ano está sendo muito bom, estou aprendendo muitas coisas e já consegui um pódio. Ainda faltam muitas corridas. O pódio que eu consegui foi na segunda etapa, então vamos ver”, continuou.

Apesar de estar em uma das principais bases do esporte, Diogo foi além e conseguiu uma vaga na Red Bull Rookies Cup, categoria por onde passaram nomes como Johann Zarco, Brad Binder e Jorge Martín, por exemplo.

“A categoria em si é uma porta a mais para entrar no Mundial”, reconhece ao GRANDE PRÊMIO.

Diogo Moreira tem sido protagonista na Rookies Cup (Foto: Red Bull Content Pool)

Perguntado se é possível aprender coisas diferentes nas duas categorias, Moreira respondeu: “Não, as duas são bastante iguais, eu aprendo nas duas. Na Rookies eu aprendo um pouquinho mais por causa das pistas de Mundial. Na Red Bull eu vou em pistas em que não fui no Europeu”.

A principal diferença, porém, está nas motos. No Mundial Júnior de Moto3, o piloto da Estrella Galicia 0,0 corre com Honda, enquanto a Rookies Cup é equipada pela KTM.

“As duas motos são muito diferentes, tudo muda. Primeiramente, o chassi da moto é diferente, mas também o motor. A Honda anda mais na reta, é mais forte. Essas são as duas principais diferenças”, explicou.

Na categoria de apoio à MotoGP, Moreira começou muito bem, com três pódios em quatro corridas, o que rende ao brasileiro a terceira colocação na classificação, com 64 pontos, sete atrás de Daniel Holgado, o líder da disputa.

“Sempre tem o que melhorar. Nesta última, em Jerez, eu tive um pouquinho de falta de sorte, mas, sim, estou treinando sempre para ganhar”, garantiu.

Em duas das principais categorias de acesso à elite do motociclismo mundial, Moreira não traça metas temporais, mas pensa em escalar conforme for atingindo os objetivos.

“Não pensei em quantos anos quero ficar em cada categoria, mas sim em, se for bem onde estou, então vou subir. Se for campeão na Moto3, subo para a Moto2, e assim por diante”, detalha.

Por fim, o jovem piloto reconheceu que a nacionalidade brasileira é mais um fator para ajudá-lo a alcançar o campeonato organizado por Carmelo Ezpeleta.

“Sendo brasileiro, tenho muitas possibilidades de chegar ao Mundial”, encerrou.

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